Brasil nos 4 cantos: Cássio Oliveira

  • por Victor Gandra Quintas
  • 6 Anos atrás

A bem da verdade, para muitos jogadores brasileiros, sair do país para se destacar em outro “mundo” não é algo tão ruim. Pode ser até necessário e tornar-se proveitoso. A nossa coluna já trouxe a você, amigo Doente, alguns nomes que fizeram história em outros países, se destacaram e até se naturalizaram a fim de defender a nação que os adotou em competições internacionais. Nada mais justo, claro, uma vez que talvez não tivesse muitas oportunidades na Seleção Brasileira.

E hoje quem trazemos é mais um destes exemplos. Mas não se trata de um artilheiro ou armador de qualidade, mas um jogador que esteve em grandes clubes no Brasil e resolveu ganhar a vida do outro lado do mundo, na Austrália.

O lateral Cássio, nosso personagem, que passou a usar o sobrenome também – Cássio Oliveira, portanto – é um lateral esquerdo eficiente, com boa capacidade de apoio ao ataque.

Talvez não você se lembre bem dele, já que se destacou no Brasil nos anos 2000 à 2002, enquanto no Flamengo. Nascido na cidade do Rio de Janeiro em 1º de agosto de 1980, o jogador de origem humilde (como sempre neste esporte), se profissionalizou na Gávea após a saída de Athirson para o futebol italiano. Mas antes de estrear no clube carioca, esteve nas categorias de base do Grêmio Porto-alegrense.

No clube rubro-negro, conquistou o estadual de 2001, o então tricampeonato. Sua facilidade de driblar e de chutar de fora da área permitiriam que assumisse com maestria a vaga do antigo ídolo. Logo então caiu nas graças da torcida, principalmente depois da conquista da Copa dos Campeões sobre o São Paulo em julho do mesmo ano.

Infelizmente, por não ter se adaptado à Itália, Athirson volta e reassume o posto de titular. Cássio então cai de produção, ficando sem espaço no clube. A solução foi um empréstimo ao Internacional em 2002, onde faria parte do grupo campeão gaúcho no mesmo ano. Mas a fase no Colorado não foi tão boa como no Flamengo, apesar de ter marcado o milésimo gol do clube do Rio Grande em Campeonatos Brasileiros.

De volta ao Flamengo após o empréstimo, sabia que dificilmente jogaria no time. Foi tentar a sorte no México, pelo Atlas, onde permaneceria por um ano e seis meses, não fossem as contusões que tanto incomodavam seu concorrente na vaga do Flamengo. Assim, após míseros nove jogos no clube mexicano, voltou à Gávea como opção à lateral esquerda.

Ao final do ano de 2003, foi emprestado novamente. Passando pelo interior paulista no pequeno Marília, dando um volta, em 2004, ao Olímpia do Paraguai, e chegando ao New England Revolution do Estados Unidos já em 2005. Perambulou por modestos clubes do continente americano, não se firmando em nenhum muito pelo excesso de lesões, o que não permitia ter muitos minutos de jogo.

Por esta fase negra na carreira, acreditava que seu futuro futebolístico estava mesmo no Brasil. Regressando ao país, ainda em 2005, passou por nova odisseia: Ceará, Brasiliense e Santa Cruz, chegando ao fundo do poço neste último. Mesmo vencendo os estaduais cearense e brasiliense, viu-se sendo dispensado pelo clube pernambucano, após campanha pífia no Campeonato Brasileiro de 2006, onde esteve constantemente na lanterna do torneio, acaba rebaixado à segunda divisão.

Sem muito que escolher, aceitaria proposta de um clube australiano. Se soubesse desde o inicio, sem dúvida teria optado pelo futebol do país da Oceania há mais tempo. Titular desde que chegou ao Adelaide United, em 2007, tornou-se ídolo do time. O clube é mais popular, o chamado “clube do povo”, já que, para os padrões do país, o estádio sempre completo com seus torcedores. Um alívio para Cássio Oliveira, que um dia jogara no Maracanã lotado.

O clube que contara com o baixinho Romário um ano antes, fazia parte de uma nova era do futebol na Austrália, pouco após a fundação da A-League, na temporada 2005-06, fortalecendo o esporte local. Apesar de ainda não ter vencido o torneio desde então, o Adelaide foi finalista em 2006 e em 2008, sendo este último com Cássio no time.

Aliás, a temporada 2007-08 foi de crescimento do clube e afirmação do jogador, eleito o melhor de sua equipe durante o torneio nacional e figurando na seleção do campeonato, um feito histórico para alguém que sofrera para encontrar seu lugar. Hoje, com 33 anos, é o vice capitão do time, honra conquistada pela dedicação ao clube e qualidade de líder.

Esteve com o time no vice-campeonato da Liga dos Campeões da Ásia, em 2008*. Naquele torneio, Cássio ficou de fora de apenas três jogos por conta de uma contusão. Nas semifinais, seu time venceu o favorito Bunyodkor, treinado por Zico e comandando em campo pelo veterano Rivaldo, campeão do mundo com o Brasil. Cássio foi imprescindível nas duas partidas contra o time do Uzbequistão, onde ajudou tanto na marcação quanto na criação das jogadas. Pararam, enfim, diante do Gamba Osaka, do Japão, mas mesmo assim era um grande feito para um clube que jamais estivera nesta posição.

Chegar à final do torneiro continental permitiu ao Adelaide United participar do Campeonato do Mundo de Clubes em 2008. Venceram a primeira partida contra os neozelandeses Waitakere United por 2×1, mas foi só, já que perderiam para o mesmo Gamba Osaka, algoz na final da Liga asiática.

Não há dúvidas que Cássio se consolidou no futebol australiano. E como reconhecimento ao país que lhe acolheu tão bem, em cerimônia no Hindmarsh Stadium, estádio do Adelaide United, no dia 07 de setembro de 2012, naturalizou-se, passando agora a poder defender as cores da Austrália, um desejo que já expressou. Logo após, renovou seu contrato até a temporada 2014-15, quando deverá encerrar a carreira.

Cássio Oliveira, ou somente Cássio para público brasileiro, é mais um jogador a tentar a sorte fora do Brasil e acabou por encontrar a felicidade onde mesmo esperava. E assim, caro Doente por Futebol, completamos mais uma coluna “Brasil nos 4 Cantos”, e como bem sabem, onde quer que haja futebol, terá um brasileiro jogando.

* A Austrália passou a ingressão à Federação Asiática de Futebol em 2006.

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Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).