Com a palavra, a CONMEBOL

  • por Doentes por Futebol
  • 8 Anos atrás

Por André Farias

conmebol

Planejamento. Prevenção. Análise e melhoria de processos. Tais palavras são comuns no cotidiano do mundo corporativo, inseridas no ambiente dos negócios. Basicamente, são instrumentos que auxiliam nas diretrizes de condução das empresas e nos processos de tomada de decisão. Mas, o que isso tem a ver com futebol?

Antes de responder essa pergunta, cabe-nos questionar: o que é e para que serve o futebol? Em sua essência, futebol é entretenimento, é diversão, é um meio pelo qual nós desfrutamos de adrenalina, de alegria, entre outros sentimentos e uma instância que reúne diversas pessoas apenas pelo fato de compartilharem a mesma torcida. Tudo isso nos remete a algo positivo, correto? Então por que nos deparar, semana a semana, com notícias sobre violência, mortes, brigas que parecem não ter nenhuma solução aparente?

O primeiro ponto que sempre deve ser considerado é que o futebol nunca será uma entidade desvinculada da sociedade em que se insere. Ou seja, uma sociedade que apresenta um ambiente de conflitos e segregação sempre influenciará, de alguma forma, no mundo futebolístico das torcidas e de tudo que a envolve. Por vezes, o mesmo indivíduo que enfrenta problemas com drogas e violência familiar, por exemplo, é aquele que estará no estádio torcendo por seu time.

Isto não significa, no entanto, que deve-se abdicar de qualquer medida para privar quaisquer atitudes de violência. O que cabe discutir é a atribuição de responsabilidades. Quem é responsável pelo que e de que forma os responsáveis devem ser cobrados pela ausência de medidas.

Foto: AFP/Getty - Nicolas Leóz, Presidente da COnfereção Sulamerica de Futebol (CONMEBOL).

Foto: AFP/Getty – Nicolas Leóz, Presidente da COnfereção Sulamerica de Futebol (CONMEBOL).

Vejamos o transcorrer do emblemático e absolutamente infeliz caso da morte do boliviano Kevin Espada, ocorrido no jogo entre San Jose x Corinthians pela Copa Libertadores da América. Duas questões principais emergiram nos dias seguintes ao episódio: a discussão sobre a punição desportiva de atuar com portões fechados nos próximos jogos dada ao Corinthians (e a justiça ou não de tal medida) e a identificação do indivíduo que realizou o disparo. São questões devidamente importantes para a resolução do caso, sobretudo a segunda, mas que não tocam no cerne do problema: a absoluta necessidade de reestruturação do futebol sulamericano.

A Confederação Sul-americana de Futebol (CONMEBOL) puniu de forma exemplar o Corinthians. Mas não houve qualquer movimento e/ou abordagem desta mesma instituição, enquanto responsável pela organização do torneio, de questionar a segurança e a infraestrutura do estádio boliviano na cidade de Oruro. Mais do que isso, não houve qualquer menção a instituição de uma política rigorosa de fiscalização e liberação dos estádios sulamericanos para partidas de futebol. É preciso aceitar que tropa de choque e seus escudos, bombas e sinalizadores, sabotagens em vestiários, entre outras abordagens do tipo, não são a essência do “charme” e da “tradição” da Libertadores e que a competição pode viver muito bem sem isso. Não é a possível violência expressa de alguma forma que deve fazer o torneio sulamericano reconhecidamente difícil, mas sim times consolidados e estruturados.

É absolutamente necessário que a Confederação crie estas ações de fiscalização, mas que também proponha e apoie formas de se realizar isso. Esta instituição existe por causa dos clubes e para os clubes, ainda que algumas atitudes demonstrem o contrário. É utopia e inocência acreditar que os clubes, por si só, conseguirão melhorias significativas que garantam a segurança do torcedor, ainda mais se considerarmos a fragilidade financeira da maioria.

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