Como encaixar Tardelli no Galo 2013

  • por Rafael de Melo Andrade
  • 8 Anos atrás

Depois de uma das mais longas novelas desta janela de transferências, Kalil finalmente twittou e a Massa já começou a comemorar a volta do ídolo. Sobrou para Cuca o “problema” de como encaixá-lo no time.

O Atlético de Cuca, desde a arrancada para a fuga do rebaixamento em 2011, passando pelo título mineiro invicto e o vice campeonato brasileiro de 2012, sempre manteve um padrão e o mesmo esquema de jogo: o 4-2-3-1. Essa formação fez do Galo um dos times mais agressivos do Brasil, contando especialmente com a genialidade de Ronaldinho e o talento de Bernard, ambos encaixados perfeitamente na linha atrás do centroavante, pelo meio e pela esquerda, respectivamente. O time também se notabilizou por usar e abusar de bolas para o centroavante Jô fazer o pivô no meio dos zagueiros e pela jogada aérea, contando, além do próprio Jô, com os zagueiros artilheiros Réver e Léo Silva.

Se o esquema for mantido, e é pouco provável que não seja, Tardelli poderá ser escalado em 2 posições: ponta direita ou centroavante. Na primeira, Guilherme terminou 2012 como titular, mas extremamente criticado pela torcida. Com sua lesão na pré-temporada, é Araújo quem começa jogando por ali. Na frente, Jô ainda é o dono da posição, agora com a sombra de Alecsandro. Vamos analisar as vantagens e desvantagens do uso do “Dom Diego” nas 2 posições.

Caso Cuca venha a usar o novo contratado na ponta direita, o time certamente terá um ganho em relação a Guilherme e Araújo. Tardelli tem, ou pelo menos tinha antes de ir para o Catar, muito mais “saúde” que os 2. Na primeira passagem pelo clube, quando era o astro da equipe, era normal vê-lo voltando o campo inteiro marcando o lateral. Isso pode ser extremamente útil para crescer o futebol de Marcos Rocha. O ótimo lateral ainda tem graves deficiências defensivas, que ficaram mais expostas quando Guilherme entrou no lugar de Danilinho, e o time perdeu essa reposição feita pelo ponta-direita. Além disso, Tardelli é veloz e tem ótima finalização, o que pode ser mortal com os passes de Ronaldinho. Vale lembrar que na melhor fase do time em 2012, Danilinho era o artilheiro da equipe. E olha que ele não tem nem de longe o poder de finalização de Tardelli. Posto tudo isso, escalá-lo na ponta é subaproveitar seu futebol. Em toda a sua carreira, mais especialmente nos 2 anos de Atlético, ficou claro que rende mais jogando perto do gol. Foi jogando mais na frente e ao lado de outro atacante velocista, Éder Luis, que ele fez mais de 40 gols na temporada em 2009, sendo artilheiro do Campeonato Mineiro e do Brasileirão, ganhando Bola de Prata, prêmio Craque do Brasileirão, troféu Friedenreich, Chuteira de Ouro da Placar, entre outros prêmios menores. É mais na frente que sua velocidade e poder de finalização são mais aproveitados. Falta-lhe especialmente habilidade no 1×1 para jogar de ponta, e isso já o fez ser criticado algumas vezes. Mesmo fazendo boa dupla com Obina em 2010, ficou claro que se sente mais à vontade sendo o centroavante do que servindo o centroavante.

Ao lado do centroavante Obina, Tardelli fez boa dupla em 2010

Ao lado do centroavante Obina, Tardelli fez boa dupla em 2010

Bem, se Tardelli é nitidamente melhor como centroavante do que como ponta, parece óbvio escalá-lo onde rende mais, não? Uma análise um pouco mais aprofundada mostra que colocá-lo no lugar de Jô traria algumas soluções, mas também novos problemas. É muito provável que Tardelli não perderia a maior parte das chances que Jô desperdiçou em todos os jogos. Se sendo servido por Evandro e Eder Luis ele fez o que fez, imagina com Ronaldinho e Bernard? Tardelli também tem mais qualidade para vir de trás e tabelar com os meias, chegando na área com rapidez. Porém, a função de Jô no time é maior do que apenas fazer gols. Usando seu porte físico (que Tardelli nem de longe tem), o ex-colorado é um desafogo para o time. Muitas e muitas vezes, Réver ou Léo Silva dão chutões da zaga para chegar nele, que segura os zagueiros e dá a bola normalmente para Ronaldinho procurar os pontas. As principais jogadas do Galo são normalmente pelos lados ou em enfiadas de Ronaldinho. Nos jogos mais difíceis do Brasileirão de 2012, 3 dos 5 gols marcados contra Fluminense, Grêmio e São Paulo foram de cabeça. 3 também foram os gols de Jô, que ainda fez o decisivo contra o Vasco no 1º turno, quando esse era o duelo dos líderes. Que o time teria um ganho de qualidade com a entrada de Tardelli, é indiscutível. Que enfraqueceria algumas das suas principais jogadas, também é. Como alento e argumento para quem defende essa utilização do Dom Diego, vale lembrar a ótima atuação da equipe contra o Inter no Independência, quando sem centroavante soube se adaptar e venceu por 3 a 1, com ótima atuação do “falso nove” Guilherme.

Ao lado do velocista Eder Luis, Tardelli brilhhou: artilheiro do Brasil e Bola de Prata em 2009

Ao lado do veloz Eder Luis, Tardelli brilhou: artilheiro do Brasil e Bola de Prata em 2009

Foi falado no começo do texto que havia poucos motivos para acreditar em uma mudança no esquema. Porém, a péssima partida no clássico contra o Cruzeiro liga o sinal amarelo e mostra que não devemos descartar uma mudança um pouco mais radical. Há a possibilidade de jogar com 2 atacantes e Tardelli fazer dupla com Guilherme. Em tese, eles poderiam se entender. Os dois têm grande poder de finalização, mas não são centroavantes propriamente ditos. Alternando na saída da área, ambos poderiam fazer tabelas e aproveitar da velocidade do Dom Diego e da qualidade de Guilherme. É uma alternativa para mudar situações como a deste clássico e de outros jogos no ano passado que o time foi só chutão para Jô se virar. No entanto, com a preguiça demonstrada por Guilherme em quase 2 anos de Atlético, fica difícil apostar em qualquer esquema que conte com ele.

Jogando aberto ou perto do gol, o fato é que a torcida já está ansiosa para revê-lo com a 9 do Galo, cantar o tradicional “Taaaaardeeeeeelli GOL GOL” e matar a saudade da sua metralhadora de gols.

Tardelli em sua famosa comemoração: a metralhadora de gols

Tardelli em sua famosa comemoração: a metralhadora de gols

Comentários

Paulista, apaixonado pelo Galo, viciado em estatísticas e Doente por futebol. Acredita que Copa do Mundo dá sentido à vida. Marques e Ronaldinho são seus ídolos no futebol.