Corinthians 4×3 Palmeiras – Libertadores de 2000

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 6 Anos atrás

Existem partidas que, por melhores que sejam, acabam esquecidas pela memória do futebol, suplantadas por outras. Isso acontece muito em jogos de mata mata, especialmente com os de ida. Vasco 2×1 Flamengo em 2001, primeiro jogo da final do Carioca, ficou completamente esquecido na história, por causa do gol do Pet no segundo jogo. Atlético Mineiro 3×2 Corinthians pela final do Brasileiro de 1999 é outro exemplo. Foi completamente ofuscado pelo título do Corinthians. E poderíamos seguir aqui citando dezenas, centenas de jogos nas mesmas condições.

Por isso, resolvemos relembrar hoje um ”jogo de ida” que simplesmente ”desapareceu” das conversas sobre futebol por causa de um pênalti defendido no jogo da volta. Estamos falando de Corinthians 4×3 Palmeiras, pela Libertadores de 2000.

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O Palmeiras era o atual campeão da Libertadores da América e o Corinthians campeão do Mundo no começo de 2000. O Palmeiras tinha um time mais aguerrido e compacto, enquanto o Corinthians era disparado o melhor time do país, bi campeão Brasileiro e com jogadores como Marcelinho, Ricardinho, Edílson e Luizão. O Palmeiras tinha Junior, Cesar Sampaio e Alex de expoentes técnicos, além da ”copeirice” implantada por Felipão nos anos anteriores. O prenúncio era de grande duelo, com muitos gols e grandes jogadas. E o esperado aconteceu. Logo aos 8 minutos de jogo, Marcelinho achou espaço nas costas da zaga do Palmeiras e deixou Edílson na cara do gol. O Capetinha enfiou o pé, Marcos fez grande defesa, a bola resvalou em Luizão e ia entrando, mas Roque Junior tirou em cima da linha. O jogo seguiu em ritmo acelerado, com algumas boas jogadas e entradas faltosas de lado a lado, como no cartão dado ao lateral Daniel.

Até que aos 15, o volante Edu apanhou uma sobra e achou Ricardinho, que emendou de primeira, cruzado, e venceu Marcos, fazendo 1×0 para o Corinthians. Festa na metade alvinegra do Morumbi. E o jogo seguiu a todo vapor. Adílson fez falta em Pena, tomou amarelo e protestou contra a arbitragem, alegando que Argel havia feito falta em Marcelinho anteriormente. O Palmeiras cobrou rapidamente enquanto jogadores do Corinthians reclamavam e a bola chegou em Junior, que emendou de fora da área. Uma paulada no ângulo direito de Dida. Eram 39 minutos do primeiro tempo e o clássico estava empatado.

Mas em jogo desse porte, até uma piscada causa estrago. Aos 45 minutos, Marcelinho arriscou de fora da área. O chute saiu fraco. Marcos estava absoluto na jogada, mas a bola desviou em Argel e ”matou” Marcos, entrando lentamente, no contra pé do goleiro, sem dar chance de reação ao goleiro. Fim do primeiro tempo de um grande jogo.

O segundo tempo começou da mesma forma que terminou o primeiro, com discussões, entradas duras e o melhor de tudo: gols! Aos 10 da etapa complementar, o Corinthians trocou passes no campo do Palmeiras, até que Edu achou Edílson no segundo pau e meteu na medida para o Capetinha, que testou firme, sem chances para Marcos.

O jogo seguia lá e cá, com o Palmeiras tendo que sair para diminuir o prejuízo e o Corinthians apostando na velocidade de Edílson e na capacidade de passe do seu meio campo. O Palmeiras recuperou uma bola na sua defesa, trocou passes até chegar ao ataque e Junior achou Alex entrando nas costas de Adílson. O lateral palmeirense fez o passe por elevação e o talentoso meia cabeceou sem chances de defesa para Dida. 3×2 e ainda faltavam 15 minutos para o fim do tempo regulamentar.

E a ”copeirice” palmeirense mais uma vez deu as caras. Alex trocou passes com Pena e Junior, invadiu a área do Corinthians e rolou limpinha para Euller. O Filho do Vento bateu cruzado, fora do alcance de Dida, e ainda viu um Fábio Luciano desesperado tentando evitar, mas sem sucesso. Foi o empate do Palmeiras, em um jogo que ninguém tinha a coragem de dizer quanto terminaria e o que mais aconteceria nos minutos restantes.

Mas em uma partida desse porte, o empate era praticamente um banho de água fria. Vampeta deu números finais ao jogo, já nos acréscimos. César Sampaio saiu jogando errado, o Corinthians recuperou a bola ainda no campo do Palmeiras e a mesma chegou aos pés de Vampeta. O Velho Vamp fintou Cesar Sampaio e arriscou de fora da área. A bola desviou em Roque Junior, ganhou altura e encobriu Marcos, não dando qualquer possibilidade de defesa ao goleiro do Palmeiras. 4×3 para o Corinthians, em um jogo espetacular, típico confronto brasileiro na Libertadores nos anos 90 e começo dos anos 2000.

Na semana seguinte, Marcos faria seu milagre e entraria para a história. No entanto, no jogo de ida, o Corinthians levou a melhor e venceu o rival. Até a próxima!

 

Ficha Técnica:

Data: 30/5/2000

Local: Morumbi

Motivo: Taça Libertadores da América, Semifinal, Jogo de Ida

Arbitragem: Edílson Pereira de Carvalho

Corinthians:  Dida, Daniel (Índio), F.Luciano, Adílson, Kléber (Édson) ; Vampeta, Edu, Ricardinho, Marcelinho; Edílson, Luizão (Dinei)

Técnico: Oswaldo de Oliveira

Palmeiras: Marcos, Neném, Argel, Roque Júnior, Júnior; Galeano, César Sampaio, Rogério (Marcelo Ramos), Alex;  Euller, Pena

Técnico: Felipão

Gols: Ricardinho aos 14′,  Junior aos 39′ do primeiro tempo e Marcelinho aos 45′ do primeiro tempo;  Edílson aos 10′, Alex aos 30′, Euller aos 37′ e Vampeta aos 45′ do segundo tempo.

Melhores momentos:

 

Jogo Completo:

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.