De 6×1 a espetáculo na Libertadores.

  • por José Eduardo Volpini
  • 8 Anos atrás

O novo Atlético depois da humilhante goleada

Por Luiz Felipe Nunes

A goleada sobre o Arsenal de Sarandí em Avellaneda, na Grande Buenos Aires, deixou o Atlético na liderança do Grupo 3 da Libertadores e manteve o time empolgado para a sequência da competição. Mas a boa fase atleticana no último ano só começou após uma dolorosa derrota: a goleada para o Cruzeiro, pelo Brasileirão de 2011, por 6×1.

Ronaldinho na goleada diante do Arsenal. Foto: Fox Sports

Ronaldinho na goleada diante do Arsenal. Foto: Fox Sports

O rebaixamento de um grande clube para a segunda divisão é sempre um assunto que gera grandes discussões e chama muito atenção. E, muito por conta da grande repercussão de um momento tão delicado, alguns clubes vivem verdadeiras reviravoltas internas que culminam em grandes retornos. Grêmio, Fluminense, Vasco, Corinthians e até mesmo o Palmeiras são exemplos de grandes clubes que conquistaram títulos importantes e boas campanhas após um rebaixamento.

Mas outro grande clube brasileiro passou longe da missão de se reestruturar após um rebaixamento. Rebaixado para a segundona em 2005, o Atlético não vinha tendo vida fácil no cenário esportivo nacional. Desde o retorno à Série A, em 2007, a melhor posição do clube no Nacional havia sido uma 7ª colocação, em 2009, ano em que chegou a liderar o campeonato por 5 rodadas e permanecer na zona de classificação para a Libertadores por boa parte da competição. Frequentou a zona de rebaixamento em 2008, 2010 e 2011. Na Copa do Brasil, entre várias eliminações, conseguiu até sair na segunda fase para o Grêmio Prudente em 2011. Passou pelas mãos de 12 treinadores diferentes desde 2006. Fora de campo, a torcida protestava contra o presidente, como na campanha ‘Diretoria Zero Público Zero’, e teve até cartola falando em fechar as portas do time em virtude das dívidas. Como se não bastasse, perdeu o Mineirão em 2010, fechado para reformas, e jogou por mais de um ano fora de casa, em Sete Lagoas, no acanhado estádio Arena do jacaré. E com tanto combustível, uma faísca foi suficiente para incendiar a crise atleticana, na ocasião, a humilhante derrota por 6×1 para o arquirrival Cruzeiro.

Goleada improvável e inesperada do Cruzeiro.

Goleada improvável e inesperada do Cruzeiro.

Sempre permeado por muita rivalidade, o clássico daquele 4 de dezembro poderia significar a queda do Cruzeiro para a segunda divisão. Para isso, bastava ao Galo vencer o time celeste, que jogava sem o craque Montillo, na Arena, só com torcedores azuis. Em campo, um massacre. A maior goleada aplicada pelo Cruzeiro sobre o Galo na história. Fora de campo, revolta. A cabeça do presidente e de todo o time foi pedida. Atleticanos criavam teorias conspiratórias por trás do resultado e os mais radicais queimavam a camisa do time pela cidade. Decepção facilmente comparável com a queda em 2005.

Só então o time passou por uma reforma que, até aqui, vem apontando novos ares. O orçamento atleticano saltou dos 100 milhões em 2009 para 180 milhões em 2013 e com perspectivas de aumento. O clube implantou o programa de sócio torcedor e firmou contrato para exploração comercial do Novo Independência. No plantel, trouxe grandes nomes como o goleiro Victor, manteve o volante Pierre, fez a conturbada contratação de Ronaldinho Gaúcho e manteve, sob grandes suspeitas, boa parte do time de 2011 que sofreu a goleada, como Réver, Bernard e o técnico Cuca. Rapidamente, a desconfiança em torno do R10 se transformou em idolatria para e o time que começou o ano eliminado mais uma vez na Copa do Brasil fechou 2012 com o vice-campeonato brasileiro e o retorno à Copa Libertadores após 13 anos. Em 2013, trouxe o artilheiro do Brasileirão de 2009 e ídolo da torcida, o atacante Diego Tardelli.

Porém, mesmo com todas essas mudanças em tão pouco tempo, alguns problemas continuaram. Uma consultoria financeira informou, em 2012, que entre os clubes brasileiros o Atlético é o detentor da maior dívida: mais de 500 milhões de reais em débito. Além disso, o atual presidente do clube, Alexandre Kalil, e outros três ex-dirigentes atleticanos foram alvos de investigação do Ministério Público mineiro por possível enriquecimento ilícito. De acordo com o MP, os cartolas teriam emprestado dinheiro ao clube a taxas de juros bem acima das praticadas pelo mercado. Kalil se declarou inocente. Em campo, o time mostrou problemas no Brasileirão como a dificuldade de vencer fora de Belo Horizonte, ou em jogos com desfalques importantes no elenco. Perdeu pontos quase certos diante de Atlético-GO, Ponte Preta, Náutico, entre outros e somou erros que contribuíram bastante para a perda do título nacional

Orçamento e dívidas à parte, mesmo com a sombra do 6×1 de 2011 (que vai levar bom tempo para ser esquecido), o time dá indícios de que está voltando aos trilhos. Nada mais justo que o místico ano de 2013 (13, o número do galo no jogo do bicho e centro das maiores superstições atleticanas) para indicar se o Atlético acordou de vez para o futebol ou se tudo não passa de algumas temporadas de boa sorte.

Jô e Ronaldinho comemoram gol. Foto: Portal Terra

Jô e Ronaldinho comemoram gol. Foto: Portal Terra

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