De “Loco” a ídolo. A importância de Sebastian Abreu para o Botafogo

  • por Felippe Garcia
  • 8 Anos atrás

LOCO-ABREU

 

Em sua edição comemorativa de 15 anos, o diário Lance listou os ídolos dos grandes clubes no Brasil. O Botafogo já foi celeiro de craques e, naturalmente teve Garrincha como o maior deles. Nomes como Nilton Santos, Zagallo, Maurício, Paulo Cesar Caju e os mais recentes Túlio e Gonçalves também marcaram presença. Dentre eles, um estrangeiro: Sebastian Abreu, ou Loco Abreu.

Foto: Reprodução | Cavadinha de Loco Abreu na contra Gana

Foto: Reprodução | Cavadinha de Loco Abreu na contra Gana

Loco ficou marcado pela cobrança de pênalti na final da Taça Rio, contra o Flamengo, em que aplicou uma cavadinha diante do goleiro Bruno e deu fim à freguesia do Botafogo em finais diante do rival. O Botafogo voltava a ser campeão estadual depois de 4 anos.

Vale lembrar que ele repetiu a cobrança em uma quarta-de-final de Copa do Mundo no mesmo ano, 2010, contra Gana, pela seleção do Uruguai, quarta colocada, e foi motivo de comentário internacional.

Loco Abreu tinha uma relação difícil com o técnico Joel Santana. Ambos têm personalidades fortes, e havia uma guerra de egos. Porém um precisava do outro e o trabalho foi bem casado, dando o sucesso ao time.

Em seguida, chegou o treinador Osvaldo de Oliveira, com uma filosofia de jogo totalmente diferente. Loco, não adaptado ao novo esquema, passou a pegar o banco de reservas, chegando a se negar a se sentar e arrumando “problemas pessoais” para não ser relacionado para as partidas. Começava aí o fim do casamento com o Botafogo.

Loco Abreu ficou no banco em apenas 1 jogo. Então expôs seu incômodo e colocou como meta jogar a Copa do Mundo no Brasil em 2014, dizendo que precisava atuar para assim ser selecionado pelo treinador do Uruguai. Pediu então para ser negociado.

O Figueirense se interessou pelo jogador e o Botafogo acertou seu empréstimo. O contrato dizia que, caso o Figueira caísse para a segunda divisão, Loco Abreu voltaria para o Botafogo. O clube já havia emprestado outro atacante para o time catarinense, o jovem Caio.

Loco Abreu se despediu em lágrimas em coletiva. Dizia que voltaria para o Botafogo um dia, que as portas estavam abertas, e poderia voltar sendo o treinador do clube. Os torcedores se dividiram entre aceitar a sua saída e pedir sua permanência. Era muito grande a identificação do uruguaio com o clube. Muitos o acusaram de não ser nada humilde, e tinham medo de o jogador rachar o elenco.

El Loco disputou 101 jogos pelo Bota e marcou 62 gols.

Começou então sua trajetória no Figueirense. Muito curta. Um parágrafo apenas pode resumir a sua passagem no time catarinense. 6 jogos e 1 gol apenas.
O clube foi rebaixado e, conforme a cláusula no contrato, Abreu voltaria para o Botafogo.

Voltaria.

Loco disse em reportagem para o SporTV que não voltou por culpa de Osvaldo de Oliveira. O técnico respondeu dizendo que ninguém o queria, nenhum jogador se manifestou a favor do atacante. No clube, parece que todos estão com o treinador. O diretor de futebol também se posicionou mostrando números que apontavam um rendimento melhor do ataque da equipe sem o uruguaio.

Loco Abreu é um atacante experiente e poderia ajudar, mas, desde a situação com Joel Santana, quando foi sacado de campo e protestou muito (o time logo fez o gol da vitória, mostrando que o “papai” Joel tinha razão), o jogador parece ser do tipo que tem dificuldades para aceitar a reserva e sempre dá declarações polêmicas. No entanto, é louvável sua presença para dar entrevistas quando o time perde. Sempre é procurado e nunca se esconde.

Entrevistas. Ponto alto do jogador. Inteligente e com personalidade, Loco respondia às perguntas com naturalidade e muita esperteza. Conhecia a história do Botafogo e jamais deixava repórteres baixarem o clube pelo qual jogava.

O futebol tem três pontos fundamentais: físico, técnico e tático. Fisicamente, o jogador vinha deixando a desejar e jovens atacantes tinham condições de trazer mais benefícios ao clube. Tecnicamente, o jogador também não era um primor e, nos últimos jogos, perdeu gols que não se podem perder. Taticamente, o treinador fez uma opção por um time mais leve com a tentativa de marcação por pressão e velocidade.

Um último aspecto a ser discutido é o psicológico. Loco era uma liderança no grupo, mas outros jogadores já ocupam esse espaço, exemplo claro é o de Seedorf, que tem inclusive mais respaldo para isso.

Hoje, Loco Abreu voltou para a sua casa. Atua pelo Nacional do Uruguai.
Ele veste uma camisa azul, com todos os clubes que se identificou estampados nela. O Botafogo esta lá.

locoabreu_escudobotafogo_futura_95

 

A crise entre Loco e Osvaldo terminou e a torcida ficou com boas e más lembranças do centro-avante. O treinador não pode continuar trocando farpas com o ex-jogador do clube. O Botafogo é maior que ambos, o atual elenco é bom e tem condições de vencer os campeonatos que vai disputar.

A dúvida que fica pra para você, Doente, é: Loco Abreu é ídolo?

 

Texto de João Balbi em parceria com Felippe Garcia.

Comentários

Publicitário apaixonado por esporte. Fundador do projeto Doentes por Futebol.