Egito: o único tricampeão da África!

  • por Rogério Bibiano
  • 5 Anos atrás

Hassan Shehata em cena comum no comando do Egito. Com a Taça Africana.
Foto: Peter Bein/Wordpress.

Mama África na área!

Nossa coluna está em clima de Copa Africana das Nações e hoje vamos falar falar da única seleção três vezes seguidas campeã da CAN, o Egito, também conhecida como a equipe dos Faraós, um apelido que dispensa apresentações.

Primeiro bicampeão continental (1957 e 1959), o Egito só voltou a vencer a CAN 27 anos depois, em 1986, quando foi sede, e em 1998. Nestas duas últimas conquistas, as conquistas vieram após os egípcios espantarem a desconfiança.

A equipe que começou a mudar a história do futebol egípcio no continente teve no treinador Hassan Shehata, ex-jogador histórico do tradicional Zamalek e também da própria Seleção, seu grande e principal mentor. Shehata assumiu em setembro de 2004, substituindo o italiano Marco Tardelli, durante as Eliminatórias para a Copa de 2006. Disciplinador, promoveu uma renovação gradativa na seleção, com vistas à CAN-2006, que seria disputada no próprio Egito.

No dia 20/01/2006 o Egito estreou na competição em casa, com o Cairo International Stadium lotado (que seria algo constante ao longo da disputa), com uma vitória maiúscula por 3×0 sobre a Líbia. Na fase classificatória, a equipe empataria com o Marrocos (0x0) e venceria de forma absoluta a Costa do Marfim (3×1).

A Costa do Marfim havia tornado-se nos últimos anos uma “pedra no sapato” para o Egito, mas a vitória convincente trouxe moral. Nas quartas-de-final, goleada sobre a República Democrática do Congo, 4×1. Nas semifinais, vitória sobre o Senegal, 2×1, num jogo dificílimo.
Na grande final, o Egito reencontrou a Costa do Marfim. Ao contrário do duelo anterior, os egípcios não conseguiram se aproveitar do forte contra-ataque, num duelo extremamente tático em que a marcação prevaleceu. O título veio nos pênaltis, 4×2, para delírio dos apaixonados torcedores dos Faraós.

A conquista de 2006 ficou marcada pelo jogo compacto, com forte marcação no campo defensivo e saída veloz para o ataque. Marcou também a consagração do cerebral meia Ahmed Hassan, melhor jogador do torneio, além da discussão de Hassan Shehata com a estrela do time, Mido, posteriormente execrado pela mídia egipcia.

Em 2008, a CAN foi disputada em Gana. A base do Egito era a mesma de dois anos atrás. Era uma base forte, ancorada no jogo coletivo e que tinha no Al-Ahly a sua espinha dorsal. A estreia naquele torneio comprovou isto. No clássico contra Camarões, vitória por 4×2, no que foi considerado o melhor jogo daquela CAN.

Uma classificação foi tranquila, em primeiro lugar no grupo. Nas quartas-de-final, o Egito teve um difícil teste ante Angola, vencendo por 2×1, num jogo em que os angolanos foram melhores e mereciam melhor sorte. Porém, os comandados de Shehata tinham, além do jogo coletivo, paciência, experiência e frieza nos momentos decisivos.
Nas semifinais, uma exibição de gala contra a Costa do Marfim, no que é considerado por muitos como a melhor performance da seleção egípcia nos 18 jogos do tricampeonato africano. Tal atuação foi convetida em uma goleada por 4×1. Na final, o Egito jogou melhor e venceu por Camarões pelo placar mínimo, dominando amplamente os Leões Indomáveis e conquistando o bicampeonato continental com gol de Aboutrika.

A segunda conquista egípcia ficou marcada pelo controle do jogo que os comandados de Hassan Shehata tinham. Raros foram os momentos em que o Egito foi pressionado, fruto da eficiência defensiva e da ótima disposição coletiva. O destaque da equipe e eleito melhor jogador do torneio foi o meia Hosny Abd Rabo.

Em 2010, o Egito desembarcou em Angola para defender seu título como favorito absoluto. Os Faraós não decepcionaram e venceram a sua terceira CAN consecutiva de forma invicta e com uma campanha 100%, não deixando nenhuma dúvida acerca de qual seleção era a mais forte do continente.

A campanha do Egito começou com uma vitória de virada sobre a Nigéria, 3×1. A equipe venceria os demais jogos com tranquilidade. Nas quartas-de-final, um jogo complicado e vitória de virada, na prorrogação, sobre Camarões. Nas semifinais, os egipcios atropelaram a Argélia, 4×0, num confronto de muita rivalidade.

A final foi contra Gana e, tal qual dois anos atrás, vitória egípcia por 1×0, com gol no final do jogo. Ao contrário de dois anos atrás, o Egito fez um jogo tenso, com muitos erros de passe e contando com a sorte em diversos momentos. Porém, a frieza característica da equipe em momentos decisivos fez a diferença.

Ahmed Hassan levanta a terceira CAN seguida

Assim como em 2006, o grande destaque novamente foi o meia Ahmed Hassam, eleito também o melhor jogador do torneio. Apenas cinco jogadores participaram de todas as conquistas: o goleiro El-Hadary, o defensor Ahmed Fathy, o atacante Emad Moteab, o meia Ahmed Hassan e o defensor Wael Gomaa. Mohamed Aboutrika estaria nesta lista, porém, lesionado, não jogou em 2010.

Enfim, esta foi a chamada geração de ouro do futebol egípcio que, após a saída de Hassan Shehata, em junho de 2011, não conseguiu mais repetir o sucesso destes chamados “anos de ouro”. Pelo contrário, o Egito ficou de fora da atual edição do torneio continental, sendo eliminado por seleções inexpressivas. Restaram as lembranças dos torcedores em meio aos problemas vividos dentro e fora de campo no Egito.

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Natural de Telêmaco Borba-PR e criado em meio à "boemia futebolística", com horas de papo sobre futebol, samba e cervejas na pauta. Influência do pai, que também adorava futebol, e da mãe, que sempre apoiou a iniciativa. Técnico em Eletrônica, formado desde 1999, e fanático por futebol, futsal, futebol de praia, society e todo esporte que tenha no futebol a sua essência.