Empate heroico com cara de vitória

PALMEIRAS X CORINTHIANSMesmo saindo em desvantagem, Verdão consegue virar o jogo, mas Timão deixa tudo igual no fim.

Domingo, um dia de paz. Um momento de descanso e descontração com os familiares. Parentes reunidos em torno de uma caixa transmissora de áudio e cores. Esse foi o fim de semana de muitos palmeirenses e corintianos, que, apesar da rivalidade, fizeram um jogo sadio e sem confusão. Apesar disto, sabemos que os vândalos e os marginais existem, aqueles que dizem honrar as suas camisas, se encharcando de sangue em batalhas desnecessárias e tolas.

Mas, mudando de assunto, que tal descrevermos como foi mais este duelo épico, o Derby Paulista? Palmeiras e Corinthians, frente a frente, em mais uma grande disputa para saber quem leva a melhor. Não é necessário valer um título, mas toda a simbologia que é colocada neste duelo, o histórico entre as duas agremiações em confrontos diretos já vale o ingresso, independentemente da situação em que cada um esteja.

O lado corintiano

Emerson comemora à lá Bebeto no Pacaembu | Foto: Globo.com

Emerson comemora à lá Bebeto no Pacaembu | Foto: Globo.com

O time de Parque São Jorge, treinado por Tite, vinha com força máxima para cima do alviverde. As voltas de Emerson e do goleiro Cássio garantiam que o Timão estaria em vantagem. Mas, claro, não seria fácil enfrentar o arqui-rival. Além disso, a efervescência pelo mais novo e badalado reforço alvinegro tomava conta da Fiel. E era ele, Alexandre Pato, que observava do banco de reservas o andamento da partida, à espera de uma nova oportunidade para entrar em campo.

O lado palmeirense

A expectativa por um resultado positivo era grande, pois o time vinha de vitória pela Copa Libertadores da América em cima do Sporting Cristal. Mas, como em todo jogo, uma história nova. O técnico Gilson Kleina colocava a mesma formação vista no último jogo. O volante Vilson e o lateral Weldinho, que enfrentaria seu antigo clube, permaneceram na posição. O mais novo meia, Patrick Vieira, ganhava nova chance com o manto alviverde. A responsabilidade de sair com um resultado favorável era maior em comparação a uma conquista corintiana.

Durante a peleja

Pato atuando em campo contra o Palmeiras | Foto: Reprodução

Pato atuando em campo contra o Palmeiras | Foto: Reprodução

Nos primeiros minutos de jogo, com a bola rolando, o que se via era um Corinthians com vontade, aproveitando todas as bolas, acertando o travessão de Fernando Prass por duas vezes em chutes de Emerson. Até que o mesmo veio a abrir o marcador, logo aos 17 minutos da primeira etapa, em desvio de cruzamento feito por Paulo André. O atacante saiu feliz da vida, pois acabara de fazer seu primeiro tento no ano. Comemoração à la Bebeto, na Copa de 1994, o jogador fez como se estivesse embalando uma criança em suas mãos, mas admite que foi apenas para homenagear um amigo que descobriu no dia que seria pai.

A torcida alvinegra, impiedosa, não perdoava, e castigava os palmeirenses com cantos de “Segunda Divisão”. Era a hora de o Palestra reagir e começar a tomar a dianteira da situação. Aos 29 minutos, de cabeça, o mais novo reforço, Vilson, aproveitou bom cruzamento de Wesley. Era o empate. O 1×1 era o sinal de que a disputa esquentaria mais os ânimos palmeirenses e corintianos.

Veio o segundo tempo, e, logo aos sete minutos, o Palmeiras se tornava maior no placar e no futebol apresentado. Mais uma bola nos pés de Wesley, desta vez, em uma falta. A esfera viaja pela pequena área e Cássio, heroi da Libertadores e da conquista do Mundial frente ao Chelsea no ano passado, falhou ao sair com as mãos abanando. E como todo bom e experiente goleiro, ergueu a cabeça e seguiu firme. Sobrava para o jovem Vinícius, tão questionado no time, dar a virada à equipe do Parque Antártica. O 2×1 esfriava a empolgação do rival durante a partida, mas não a vontade de reverter o quadro.

Chegava a hora de Pato entrar em cena. O carrasco Romarinho, considerado um “talismã” em duelos decisivos, apresentava boa performance durante o certame. Mas, quando o camisa sete invadia o campo, todos paravam para olhá-lo.

Vinícius comemora gol pelo Verdão | Foto: Reprodução

Vinícius comemora gol pelo Verdão | Foto: Reprodução

Em lançamento feito por Cássio, que sofrera por ter tomado o segundo tento verde, o atleta que vestiu e marcou gols com a seleção canarinho, domina com talento, toca a Paulinho, que deixa para ele, o jogador que não é filho de Romário, mas brilha quando precisa. Era o quarto em cima dos palestrinos em 3 jogos disputados pelo atacante. Aos 26 minutos da etapa final, era decidido mais um clássico. O empate até agradava os dois lados, um pouco mais para os alviverdes, que vivem um momento de superação de traumas e de recomeço. Já para os alvinegros, não sair derrotado da partida já era de grande alívio.

Mais um grande espetáculo termina no Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, o palco de todos os belos lances, jogadas e gols majestosos. O duelo foi digno de uma placa de ouro em memória daqueles que participaram desta grande batalha dentro das quatro linhas. E o melhor, sem violência por parte dos jogadores, o que agradou os mais de 34 mil expectadores presentes ao estádio e todos aqueles que amam um futebol limpo e bem disputado. É assim que é gostoso ver uma boa pelada de fim de semana.

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Jornalista formado pela Universidade Paulista - Unip em 2012, é torcedor doente pelo Palmeiras e amante do bom futebol. Foi estagiário da produção do Domingo Espetacular, da Rede Record. Em um de seus trabalhos acadêmicos, realizou um documentário sobre o Nacional Atlético Clube intitulado "O Futebol Nacional", publicado no YouTube, com o intuito de relatar a falta de estrutura no clube e de visibilidade na mídia esportiva.