François M’Pelé: o primeiro Pelé Africano!

  • por Rogério Bibiano
  • 6 Anos atrás

Mama África na área!

Voltemos à nostalgia para apresentar a você, Doente por Futebol, a maravilhosa trajetória de um jogador pouquíssimo citado pela mídia brasileira, mas de importância relevante para a sua nação e para o continente africano: François M’Pelé.

Nascido no dia 13/07/1947, em Brazzaville, Congo. M’Pelé, de origem humilde, não teve passagem pela base de nenhum clube de futebol da sua cidade. Em 1963, com 16 anos, François entrou no colégio da faculdade de Mouyondzi, cidade da região metropolitana de Brazzaville. No colégio (considerado modelo no país), passou a jogar bola. No campeonato interno do colégio, destacou-se atuando pelo “Botafogo”.

Ainda na escola, chamou a atenção do diretor esportivo, Sr. Mikololo, que esteve no cargo de 1963 a 1966 e foi um grande incentivador do garoto. Em 1966, o jovem destaque do “Botafogo” retornou a Brazzaville. Já sondado de antemão por clubes da capital, ingressou no Standard, equipe que já não tem mais atividades futebolísticas.

No Standard, foram dois anos de boas atuações. Era inicialmente meia-esquerda. Porém, em um jogo do campeonato congolês, foi escalado no ataque de forma provisória e desde então não ocupou outra posição em campo. Os bons jogos no Standard resultaram, em dezembro de 1968, em uma transferência para o A.C. Ajaccio-FRA, negociação intermediada por Charles Feliciagi, importante dirigente congolês. 

Em janeiro de 1969, M’Pelé estreou no Ajaccio e transformou-se em um dos maiores ídolos da história do clube, conquistando o carinho dos torcedores e o respeito dos adversários. Foram 3 temporadas e 71 gols marcados, tornando François o maior goleador da história do time.

As convincentes atuações no clube alvirrubro chamaram a atenção dos dirigentes de Paris e, em 1973, transferiu-se para o Paris Saint-Germain. Foram seis anos no clube e um total de 97 gols, que transformaram M’Pelé no quarto maior goleador da história do clube.

O congolês perdeu espaço com a chegada do argentino Carlos Bianchi, detentor de um currículo invejável. Com isto, quando encerrou-se o contrato, em 1979, François transferiu-se para o R.C. Lens, ficando até 1981. No clube, o artilheiro sofreu com algumas lesões musculares, não desempenhando o mesmo faro goleador dos clubes anteriores. Foram 16 gols em 65 jogos.

Em 1981, transferiu-se para o Stade Rennais F.C., clube no qual havia jogado o seu grande amigo e também lenda africana, o marfinense Laurent Pokou. Foram 34 jogos e 16 gols, encerrando a carreira no próprio clube em 1982. 

Pela Seleção, François M’Pelé atuou em 1972 na Copa Africana das Nações, disputada em Camarões. Líder natural da sua seleção, foi figura importante na conquista da Copa Africana, a maior glória futebolística da história do país. Na final, M’Pelé fez o gol do título na vitória por 3×2 do Congo sobre Mali. Também defendeu a seleção da África na Copa da Independência, disputada no Brasil em 1972, que reuniu diversas seleções do mundo.

Eleito embaixador cultural do Congo, François M’Pelé atualmente vive em Pointe Noire, no próprio país. Em 2000, sofreu um acidente vascular cerebral e, apesar de seus filhos tentarem levá-lo para viver na França, acreditando ter mais e melhores recursos para tratar do problema, tiveram na negativa de M’Pelé uma resposta ousada, de um cidadão que declarou não abandonar mais o seu país.

Por este motivo, aliado à humildade, é uma figura querida por onde caminha no Congo. Possui uma padaria na região central de Pointe Noire e é assessor técnico da federação local.

Seu prestígio com os dirigentes dos clubes onde atuou no futebol francês ajudou na organização do jogo entre Congo e Córsega, disputado no estádio Mezzavia, de propriedade do A.C. Ajaccio, em junho de 2009. O estádio é oficialmente a casa do Congo na Europa. Convidado a ser presidente da federação local, M’Pelé não aceitou devido às questões de saúde. François M’Pelé, orgulho do Congo, é o primeiro “Pelé” da África.

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Natural de Telêmaco Borba-PR e criado em meio à "boemia futebolística", com horas de papo sobre futebol, samba e cervejas na pauta. Influência do pai, que também adorava futebol, e da mãe, que sempre apoiou a iniciativa. Técnico em Eletrônica, formado desde 1999, e fanático por futebol, futsal, futebol de praia, society e todo esporte que tenha no futebol a sua essência.