LIBERTADORES: VITÓRIA MAGRA DO TRICOLOR PAULISTA CONTRA O THE STRONGEST NO MORUMBI

  • por Victor Oliveira
  • 8 Anos atrás

Tenho percebido nos jogos dos times brasileiros pela Libertadores, contra equipes inferiores tecnicamente, atuações coletivas fracas, com exceção do Atlético-MG e do Corinthians, os melhores clubes brasileiros na competição até agora. Assim como o Fluminense ontem, contra o Huachipato no Chile, a equipe do São Paulo, infinitamente superior no aspecto técnico, foi dominada coletivamente na primeira etapa e só melhorou no segundo tempo com as substituições e com o cansaço do time boliviano.

No plano tático, Ney Franco postou o São Paulo num 4-3-3 bastante ofensivo. Pela escalação, o esperado era um time incisivo e veloz pelas beiradas. A opção por Aloísio em detrimento de Ganso é muito mais tática do que técnica. O treinador do São Paulo ainda procura uma alternativa para a saída de Lucas, que fazia a transição ofensiva com qualidade e velocidade pelo lado direito. Já o time boliviano veio escalado num 4-4-1-1 que marcava forte e não se abdicava por inteiro do ataque:



SPFC no 4-3-3 e The Strongest no 4-4-1-1: tricolor paulista insistiu em jogar pelo meio, estando este totalmente congestionado pela dedicada marcação boliviana. Mesmo com Aloísio e Osvaldo pelas beiradas, o São Paulo não tinha profundidade, apresentando uma dificuldade grande em manter a bola no ataque. Já o time boliviano atuou muito bem taticamente, defendendo e atacando em bloco, sobretudo na primeira etapa. Na transição defensiva, o camisa 10 Escobar juntava-se à linha de meio na marcação. Já na transição ofensiva, juntava-se aos wingers para pensar o jogo e prender a bola pelas beiradas do campo defensivo do São Paulo.

O The Strongest dominou a primeira etapa, defendendo e atacando em bloco com suas linhas de quatro. Surpreendeu taticamente e estrategicamente, como ressaltado por Rogério Ceni no final da partida. A equipe da Bolívia fez o primeiro gol em jogada de escanteio e só levou o empate porque Luís Fabiano conseguiu girar e finalizar entre vários defensores. No rebote, Osvaldo empatou, o que não conseguiu mascarar a péssima atuação do time paulista na primeira etapa.

Lance do gol de empate do São Paulo no primeiro tempo: Aloísio, com dificuldade e marcação dupla, consegue chegar à linha de fundo e cruzar para Luís Fabiano. O atacante do tricolor só conseguiu finalizar porque girou muito rápido, afinal estava cercado por praticamente quatro jogadores. A foto também ilustra uma tônica da partida no primeiro tempo: oito jogadores do The Strongest para tomar conta do quarteto ofensivo do tricolor. Faltou mais presença dos volantes e dos laterais nas ações ofensivas.

A expectativa de um início de segunda etapa com o São Paulo sufocando não se confirmou. As duas linhas de quatro jogadores em seu campo permitia ao The Strongest travar qualquer tentativa paulista de furar o bloqueio, duplicando a marcação pelos flancos e congestionando o centro. Jadson, encurralado no meio de campo, sofreu com a falta de espaço. Osvaldo e Aloísio, cercados pelas pontas, também esbarraram nos rivais.
O SPFC só conseguia levar perigo em jogadas individuais, como a de Douglas pelo lado direito, que terminou no travessão após chute de Jadson da marca do pênalti. Logo em seguida, o técnico Ney Franco resolveu arriscar tudo, sacando o volante Denilson e colocando Paulo Henrique Ganso, procurando, assim, aumentar o poder de criação. Outra substituição providencial foi a entrada de Cañete no lugar de Aloísio, dando a profundidade que o setor necessitava.
E foi em jogada pela direita, com passe de Cañete e cruzamento de Ganso, que saiu o gol da virada tricolor. Luís Fabiano centralizou e fez o segundo: 2 x 1 para o São Paulo. Com a entrada de Ganso, o tricolor ficou desenhado num 4-1-2-3, o conhecido 4-3-3 de base alta, com dois meias genuinamente de criação e apenas um volante. Aproveitando-se do cansaço boliviano, e na base do abafa, o tricolor virou aos 35 minutos. Muito pouco para quem almeja o tetracampeonato.

Lance da virada aos 35 min do segundo tempo: Com a linha de meio do The Strongest formando o conhecido “L” e com o avanço do winger esquerdo, Cañete centralizou pelo espaço e encontrou Ganso fazendo a diagonal e enfiando a bola com precisão. O meia, que entrou bem, cruzou de direita no pé de Luís Fabiano. Na imagem temos, novamente, oito bolivianos na marcação, mas dessa vez contra cinco atletas do São Paulo, todos alternando suas posições: Jadson pela esquerda, Osvaldo e Cañete centralizando e Ganso fazendo a diagonal inversa, do centro para o flanco. Fixo mesmo, somente Luís Fabiano. Faltou essa movimentação em quase toda a partida.

Quando uma equipe enfrenta duas linhas voluntariosas na marcação, a solução é alargar o ferrolho pelos flancos. E não somente com os pontas pela linha de fundo, sendo também função dos ponteiros as centralizações que abrem os corredores para os laterais. No entanto, Cortês e Douglas estavam mal e, assim como os volantes, pouco auxiliaram o quarteto ofensivo fortemente marcado. Tudo isso passa por uma melhora no aspecto coletivo, porque tecnicamente o São Paulo tem gabarito para conquistar o título. Peso na camisa e tradição na competição o tricolor também tem de sobra. Abraço!

 

FICHA DO JOGO

 

SÃO PAULO 2 – 1 THE STRONGEST

 

Local: Estádio do Morumbi; São Paulo (BRA)

Data: 28/02/2013, 21h30 (horário Brasília)

Público: 31.273 pagantes

Renda: R$918.305,00

 

Árbitro: Enrique Cáceres (PAR). Assistentes: Rodney Aquino (PAR) e Dario Gaona (PAR).

Cartões Amarelos: Wellington (São Paulo). Luiz Méndez, Barrera e Soliz (The Strongest).

Gols: Barrera, aos 20 minutos e Osvaldo, aos 41 minutos do primeiro tempo.  Luís Fabiano, aos 34 minutos do segundo tempo.

 

SÃO PAULO: Rogério Ceni; Douglas, Lúcio, Rafael Toloi e Cortez; Wellington, Denilson (Paulo Henrique Ganso) e Jadson (Fabrício); Aloísio (Cañete), Luis Fabiano e Osvaldo. Técnico: Ney Franco.

THE STRONGEST: Vaca; Bejarano, Mendez, Barrera e Torrico;  Veizaga, Chumacero, Soliz e Cristaldo (Cunningham); Pablo Escobar e Reina. Técnico: Eduardo Villegas.

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