MILAN 2 x 0 BARCELONA: RECEITA ANTIGA E OBJETIVO AMPLAMENTE CONQUISTADO.

  • por Victor Oliveira
  • 8 Anos atrás

Das últimas quatro edições da UEFA Champions League, o Barcelona venceu duas. Só não ganhou as quatro, e com certa tranqüilidade, porque a Inter de José Mourinho e o Chelsea de Di Matteo cruzaram o seu caminho. Messi e Allegri disseram, em suas entrevistas antes do duelo, que o Barcelona é a melhor equipe do planeta. E estão certos. Desde 2008, o Barça é o melhor time de futebol do mundo. E saber disso, além de reconhecer sua inferioridade, foi a grande virtude do Milan no duelo.

(campo 1)
Milan no 4-5-1 (4-6-0) e Barcelona tentando usar o 4-3-3. Não classifico o esquema do Milan como um 4-1-4-1 porque era visível uma linha de cinco pelo meio. Ambrosini foi colocado atrás dos volantes, onde Messi gosta de trabalhar a bola e arrancar. Até Pazzini marcava muito pelo centro, embolando ainda mais o trânsito no campo de ataque do Barcelona. Com laterais presos e os onze jogadores compactados na marcação, o Milan queria impedir que o Barcelona jogasse, assim como Messi, que ficou encaixotado na marcação italiana. A tática do contragolpe era pela esquerda com El Shaarawy, assim como fez Ramires ano passado pelo Chelsea. Os gols do Milan foram marcados na segunda etapa por Boateng e Muntari.

Se eu tivesse que apostar um braço, sem pensar apostaria no Barcelona para ser campeão. Mesmo com muitas equipes em alto nível técnico, coletivamente o time catalão ainda se encontra um degrau acima. Creio que apenas Bayern, Real e talvez o Borussia, possuem capacidade de jogar em igualdade com o Barcelona sem sofrer um risco iminente de derrota. E Allegri sabia disso. Sabia também que os blaugranas fizeram 80 gols em 24 partidas no Campeonato Espanhol (média de 3,33 gols por partida) e 11 gols em 6 jogos pela Champions (média de 1,8 gols por partida). Números bem expressivos e alarmantes.

Allegri também sabia que tomar um gol do adversário dentro de casa era abrir a porta para a desclassificação. Ter a obrigação de fazer resultado dentro do Camp Nou seria muito arriscado e deixaria o sonho das quartas quase impossível. Então, a missão milanista na partida era não tomar gol. Se conseguisse fazer um, excelente. Se não, um pálido 0 x 0 faria o time lograr êxito no jogo, alcançando seu objetivo. Por todos esses motivos, Allegri, acertadamente, resolveu usar a receita de Mourinho e de Di Matteo: jogar para não deixar o Barça jogar.

Esse assunto foi discutido quando o Chelsea desclassificou o Barcelona ano passado e deve voltar a ser ventilado após essa vitória do Milan. Esse tipo de estratégia é covarde? É a vitória do futebol feio? Acho que entender sua inferioridade perante o adversário e ceifar seu melhor deve ser entendido, também, como algo virtuoso. Também temos que valorizar o mérito da estratégia de defesa que levou o Milan a conquistar esse resultado pouco esperado. A última derrota do Barcelona por mais de um gol de vantagem foi em janeiro de 2011 contra o Bétis, que, na oportunidade, venceu por 3 x 1.

Assim como fizeram Mourinho e Di Matteo, Allegri montou um ferrolho à moda italiana e arquitetou, para tentar o gol, uma estratégia de contragolpe pela esquerda, algo bem parecido com o que fez o Chelsea no ano passado. O 4-6-0 que renunciou ao jogo ofensivo, compactando uma linha de quatro e outra de cinco, congestionou o trânsito por todo seu campo defensivo e tornou impossível para a equipe catalã penetrar na grande área. Não à toa, Messi fez hoje uma de suas piores partidas pelo Barcelona. Como era impossível ser mais coletivo que o inimigo, Allegri decidiu transformar a coletividade e o controle de jogo do Barça em algo inofensivo.

Para isso, abriu mão de atacar. Jogou pelo 0 x 0. Ganhar por um gol seria sonho e ter ganhado por dois foi delírio, quase um título. Os catalães tiveram 65% de posse de bola e finalizaram seis vezes, nenhuma com grande perigo. Já o Milan, com seus 35%, finalizou oito vezes e fez dois gols. E não foi só Messi que foi anulado pelo catenaccio italiano, mas também Xavi, Fàbregas e Iniesta. O Barça sucumbiu diante da organização tática proposta pelo time de Milão.

FICHA DO JOGO:

MILAN 2 – 0 BARCELONA

Local: San Siro, em Milão (ITA)
Data: 20 de fevereiro de 2013, quarta-feira
Horário: 16h45 (de Brasília)
Árbitro: Craig Thomson (SCO)
Assistentes: Derek Rose (SCO) e Alasdair Ross (SCO)
Cartões amarelos: Méxes e Traoré (Milan). Busquets e Piqué (Barcelona)
GOLS: Boateng, aos 10 minutos do segundo tempo e Muntari, aos 35 minutos do segundo tempo.
MILAN: Abbiati; Abate, Zapata, Mexés e Constant; Muntari, Ambrosini, Boateng e Montolivo; El-Shaarawy (Traoré) e Pazzini (Niang).
Técnico: Massimiliano Allegri.
BARCELONA: Valdés; Daniel Alves, Puyol (Mascherano), Piqué e Jordi Alba; Busquets, Fábregas(Aléxis Sanchez), Iniesta e Xavi; Messi e Pedro. Técnico: Jordi Roura.
Comentários