Mourinho usa posse do adversário e elimina o Barça

  • por Victor Oliveira
  • 8 Anos atrás
Vencendo com autoridade

Vencendo com autoridade

O clássico entre Barça e Real, disputado no Camp Nou, tinha uma importância que exorbitava o anseio de passar à próxima fase da Copa do Rei. Era o clássico da afirmação, jogo perfeito para a equipe vencedora se eivar de ânimo rumo à conquista da vaga nas quartas de final da Champions League. Os dois times não foram bem em suas partidas de ida das oitavas de final do aludido torneio. Os merengues empataram em casa com o Manchester United (1×1) e o Barça perdeu para o Milan no San Siro (2×0). Desta feita, seria o êxito na Copa do Rei um fôlego a mais na busca pelo sucesso na Champions.


Depois de empatarem no Santiago Bernabéu por 1 a 1 no jogo de ida das semifinais da Copa do Rei, Barcelona e Real Madrid enxergavam nesse jogo, além da classificação, a redenção diante de suas torcidas. Antes do duelo, mesmo com a vantagem de jogar pelo 0 a 0 no Camp Nou para se garantir na decisão, o clube catalão prometia partir para cima do rival, não se acomodando com a “vantagem”. Messi declarou que o revés da semana passada diante do Milan pela Liga dos Campeões “machucou” a equipe do Barcelona.


E o argentino tinha motivação extra para o duelo: com 17 gols em 23 oportunidades em que disputou o clássico, estava a apenas um de igualar a marca do mítico atacante Di Stéfano, ex-jogador do Real e maior artilheiro na história do confronto. Kaká, que foi titular e fez um belo gol no último jogo, sendo fundamental na vitória de virada sobre o La Coruña pelo Espanhol, também tinha grande expectativa de começar o clássico em campo. Como se vê, as motivações do jogo estavam muito além da classificação para as finais da Copa Del Rey.


Mas, quando a bola rolou, os personagens foram outros. Com atuações de gala, Cristiano Ronaldo e Di María foram os protagonistas do espetáculo dado pelo Real Madrid. No plano tático, mais do mesmo: Barça no esperado 4-3-3 e o Real no costumeiro 4-2-3-1. Na verdade, a estratégia foi muito mais preponderante para o resultado do que o desenho tático, usando Mourinho a posse inofensiva do adversário a seu favor. Esse foi o painel tático do duelo:

Rápidos contragolpes dos "Blancos"

Rápidos contragolpes dos “Blancos”

Barcelona no 4-3-3 e Real Madrid no 4-2-3-1: Mourinho chamou o Barça para partir em velocidade no contragolpe com as diagonais de Ronaldo e Di María. Novamente, o Barcelona não teve presença de área com Messi muito bem cercado na intermediária. Arbeloa ficou mais preso na marcação de Iniesta e Alonso acompanhou Messi de perto. Di María cuidou bem de Alba e Daniel Alves ficou desorientado com a movimentação e velocidade de Cristiano Ronaldo.

Antes incomodado com a posse de bola do Barcelona, que quando acelerava era letal, dessa vez, José Mourinho a usou como um estilingue para seus contragolpes. O Real Madrid, desde o início, se esforçou para marcar em linhas e atrapalhar a saída de bola do adversário. Quando não dava, cedia espaço para o Barça avançar seus defensores, armando uma arapuca para o time catalão. Com mais qualidade técnica do que o Milan, o Real aguçava o tik-taka do adversário não só para se defender, mas também para partir com mais frequência e qualidade no contra-ataque.


Logo aos 12’, Ronaldo fez a diagonal e caiu pela direita, onde recebeu a bola e partiu no mano a mano com Piqué. Depois de pedalar e deixar o espanhol para trás, foi derrubado e a penalidade marcada. O próprio CR7 cobrou com extrema categoria e fez o primeiro: 1 x 0 para o Real. Como citado, o time de Madrid “deu” espaço para o Barcelona chegar, buscando surpreender na velocidade. As diagonais de Ronaldo e a movimentação constante de Özil e Di María complicavam a defesa do Barça. Mourinho armou uma transição ofensiva bem aguda e veloz.

Messi procurava se posicionar nas costas de Alonso e Khedira, mas o Real congestionava o meio (até mais que os flancos) justamente para Messi não conseguir jogar. Özil recuava com frequência para desabitar a intermediária, deixando espaço para Ronaldo flutuar por todo o ataque. Após o gol, o time de Mourinho compactou bem a marcação, deixando o Barcelona com aquela posse sonolenta e pouco objetiva. O time catalão teve 64% de domínio da bola, o que não significou supressão, muito menos eficiência.

O Real foi muito melhor na parte técnica e tática na primeira etapa. O Barcelona foi previsível. Messi também. Digamos que o argentino foi previsível dentro do roteiro da própria equipe, mergulhada nesse 4-3-3 pouco efetivo e sem a coletividade de outrora. E, no segundo tempo, a tônica do jogo não mudou. Como esperado, o time da casa partiu para tentar o empate e foi sendo abafado que o Real Madrid conseguiu o segundo gol.

Aos 11’, após um bico de Khedira para frente, Di María disparou acompanhado por Puyol. Ao entrar na área, o argentino cortou para dentro, deixou o espanhol arriado no chão e bateu para o gol. O goleiro Pinto até fez boa intervenção, mas a bola sobrou para Ronaldo, novamente pela direita, fazer o segundo. Silêncio no Camp Nou e perplexidade nas feições dos jogadores do Barcelona.

O auxiliar de Vilanova até que tentou montar uma espécie de 3-4-3 dos tempos de Guardiola, mas acabou armando um esquema torto que não conseguia expandir pelos flancos e nem penetrar pelo centro. De nada adiantaram as tentativas táticas do Barcelona. Aos 22’ do segundo tempo, Varane subiu sozinho após cobrança de escanteio e fez o terceiro, fechando o caixão blaugrana. Foi somente aos 43’ que Alba, após belíssimo passe de Iniesta, fez o gol de honra, o que não mudou em nada o massacre do Madrid.

 

O 3-4-3 do barça, no segundo tempo, esbarrou na defesa Madridista

O 3-4-3 do barça, no segundo tempo, esbarrou na defesa Madridista

3-4-3 Frankenstein no segundo tempo: Daniel Alves mais preso para cuidar de Ronaldo e Alba mais solto para forçar com Tello pela esquerda, setor onde Di María e Arbeloa marcavam bastante.

Ronaldo e Di María foram os destaques. O português, além dos dois gols, puxou a marcação no lance do terceiro tento e quase fez outro no final do segundo tempo. Já o argentino foi tudo em campo: winger, volante, ponta de lança, meia de ligação. Impressionante a movimentação tática de Di María, que desmontou o sistema defensivo do Barcelona. Parece que o puxão de orelha dado por Mourinho acordou o argentino.

Enfim, novamente o Barcelona teve mais de 60% da posse e saiu derrotado por mais de um gol de vantagem: 62% contra apenas 38% do Real. Já as ocasiões de gol ficaram equilibradas: Barça 4 x 5 Real. Isso mostra a eficiência da estratégia de Mourinho e a necessidade de renovação tática e estratégica no jogo catalão. Alex Ferguson, técnico do Manchester United, esteve no Camp Nou para acompanhar a partida. Com certeza, saiu bem mais preocupado do que entrou. Abraço!

 

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