Mudança precisa ser palavra de ordem no Botafogo

  • por João Vitor Poppi
  • 8 Anos atrás

 

MUDA, OSWALDO!


Oswaldo de Oliveira não dá o braço a torcer. Está fechado com o 4-2-3-1 e não abre mão dele. O cúmulo foi no clássico contra o Flamengo, na penúltima rodada da Taça Guanabara, quando não contava com os volantes titulares Marcelo Mattos e Renato e lançou em campo Fellype Gabriel e Júlio César como cabeças de área. Jadson foi ”esquecido” no banco de reservas. Apesar da derrota ter sido pelo placar mínimo (1×0), a quantidade de chances criadas pelo rival e a exposição defensiva da equipe assustou o torcedor alvinegro.

Provável disposição tática de Flamengo e Botafogo para o clássico.

Disposição tática de Flamengo e Botafogo no último clássico.

Neste domingo, o clássico se repete, só que agora  é uma semifinal e com um complicador: o Flamengo foi líder do seu grupo e conquistou a vantagem do empate. Só a vitória interessa ao Botafogo.

O rubro-negro vive bom momento e está com a confiança em alta. Conta com bom toque de bola no meio com Elias e Ibson, velocidade pelas pontas com Rafinha e Carlos Eduardo (ou Rodolfo) e Hernane fazendo gol de todo tipo possível. Ainda por cima, pode se dar o luxo de empatar o clássico. O cenário está montado: vem contra-ataque do time de Dorival pela frente.

Chegou a hora do técnico botafoguense surpreender. Se mantiver as últimas escalações, o time continuará com o sistema defensivo frágil e toda esperança de um bom resultado será colocada nas costas de Seedorf, sempre amparado por Andrezinho e Lodeiro. Esse arranjo não é bom para o jogador e muito menos para o clube, independente da alta classe do holandês. O Botafogo pode mais, e Oswaldo precisa dar uma resposta à torcida, que o crítica com razão.

O elenco da estrela solitária não está entre os melhores do Brasil, mas longe de ser um dos piores. O problema é a falta de equilíbrio entre atacar e defender. O time fez uma boa sequência de jogos na reta final do Brasileirão 2012 enquanto ainda sonhava com uma vaga na Libertadores. Da 30ª até a 35ª rodada, foram quatro vitórias e dois empates. O bom e veloz toque de bola chamava atenção. Os reforços não foram de causar impacto, porém são interessantes. Mas, por algumas situações (brusca queda de produtividade de alguns jogadores, lesões dos volantes e teimosia do treinador), o time não conseguiu manter o bom futebol nesse início de ano. A falta de equilíbrio nasce da zaga lenta, laterais que têm em suas origens o apoio, meio campo técnico, mas sem pegada, e falta de um homem-gol. As características do time não se completam. Para piorar, Márcio Azevedo está negociado com o Metalist, da Ucrânia, sendo provável que não jogue e a posição fique para Júlio César.

O comandante e o líder dentro de campo. Foto: Gazeta Esportiva.

O comandante e o líder dentro de campo. Foto: Gazeta Esportiva.


Dória e Bruno Mendes, principalmente o atacante, tiveram alta queda de rendimento após o vexame no Sul-americano Sub-20, tanto é que não são mais titulares e estão com a confiança abalada. Renato se lesionou, Marcelo Mattos não vem em sua melhor condição física e Gabriel só ficou à disposição para última rodada da Taça Guanabara.  E parece que nada disso foi capaz de fazer o técnico mudar o esquema tático do time. Essa teimosia fez com que o time não vencesse nenhum clássico, a perda da liderança da chave (após empate com o Boavista) e, consequentemente, vantagem de jogar pelo empate. 

No primeiro turno do Carioca, o Botafogo realizou oito jogos, sendo dois clássicos e os outros seis contra times pequenos. Esses seis jogos eram ideais para o técnico fazer testes e tirar dúvidas. Porque não experimentar Dória entrando como terceiro zagueiro? A liberdade para os laterais, que marcam mal e apoiam bem seria fundamental. Ou então jogar com um losango no meio com Marcelo Mattos, Gabriel e Seedorf fazendo a trinca à frente da zaga. O holandês atuaria como fez por muitos anos no Milan, como terceiro homem do meio, organizando as jogadas um pouco mais atrás. E Henrique poderia ser testado como segundo atacante, o que pouco aconteceu. Existe também a indefinição sobre quem é o atacante titular, Rafael Marques ou Bruno Mendes: é muito mais fácil reanimar Bruno do que ensinar Rafael a jogar, a não ser que a estrela deste brilhe como ainda não brilhou.

Só não pode continuar como está. Bolívar e Antônio Carlos não recebem cobertura eficiente e a cabeça de área passa por improvisações totalmente questionáveis. O esquema tático 4-2-3-1 não se encaixa mais com as características dos, normalmente, titulares e nem com o momento vivido pelo time: de muita pressão. O melhor agora é resguardar os atletas, pensar em defender primeiro para depois atacar e tentar buscar ao máximo um equilíbrio tático para que a confiança volte, não só ao time, mas também aos torcedores.

Um clássico é o melhor e o pior momento para um técnico que está desgastado com a torcida. Se ganhar, terá um desconto vindo da arquibancada, mas, se for eliminado, o preço a ser pago pode ser caro. A teimosia de Oswaldo de Oliveira pode levá-lo a demissão. Está na hora de mudar – antes tarde do que nunca.

Você concorda com o cartaz do torcedor? Foto: Cantinho Botafoguense.

Você concorda com o cartaz do torcedor? Foto: Cantinho Botafoguense.

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.