No São Paulo, improvisar é preciso

  • por Bráulio Silva
  • 8 Anos atrás

Cozinhando hambúrguer e fritando o feijão



Nos tempos em que Muricy Ramalho comandava o São Paulo, os críticos sempre pegaram no pé de suas improvisações. Richarlyson era solução de todos os problemas. Sempre atuava como titular de volante, lateral e zagueiro. Outras improvisações que causaram arrepios aos são paulinos foram: Souza, de volante; Leandro, de meia armador; André Dias, de volante; Alex Silva, de lateral; entre outras.



Mas as improvisações no Morumbi não eram um privilégio do trabalhador Muricy. No começo dos anos 90, Telê Santana se tornou multi campeão no Tricolor e também era um usuário dos improvisos. Ronaldão era volante ou lateral esquerdo antes de se firmar na zaga. Ivan e Adilson chegaram a formar dupla de zaga, enquanto Ricardo Rocha ficava no banco de reservas. Cafú foi atacante, meia, volante e algumas vezes lateral. Leonardo e André Luis eram laterais de ofício e, com habilidade, migraram para o meio campo.



Outro que em suas passagens pelo Morumbi sempre optou por improvisações foi Paulo Cesar Carpegianni. Técnico do time em 99, Carpa foi batizado pela torcida como Professor Pardal. Entre as invenções, podemos destacar os volantes Edmilson e Vágner atuando pela lateral direita, Marcelinho Paraíba de lateral esquerdo, com Serginho atuando mais avançado, como um falso ponta. E o tetra-campeão Jorginho jogando de volante.

Agora, em 2013, Ney Franco vive um grande dilema. No final do ano passado, encontrou a formação ideal do time. Era Paulo Miranda improvisado na lateral direita e Lucas, Jádson e Osvaldo municiando Luis Fabiano no ataque. Com essa formação, o time fez a melhor campanha do returno no brasileirão e conquistou a Copa Sul-Americana.



Mas Lucas foi vendido e a diretoria não deu um jogador para suprir a sua ausência. Com isso, o treinador são paulino quebra a cabeça em busca de uma solução. Em nove jogos disputados na temporada, vários foram os atletas testados: Ganso começou por ali e não agradou. Depois foi a vez de Aloísio e Cañete, que também não se firmaram. Por último Douglas, que já havia realizado a função no ano passado quando Lucas estava ausente. Outro que também não agradou.



O treinador terá que se reinventar. A fórmula deu certo ano passado, mas em 2013 não tem peças suficientes para isso. A torcida e a diretoria apostam em Ganso. Ney parece ter o meia paraense como última opção. E não se surpreendam se o técnico colocar o ala Cortês para jogar adiantado e escalar o lateral Carletto para jogar mais recuado.

Até o próximo jogo da Libertadores, o São Paulo terá três testes pelo Paulistão: Ituano e Linense em casa e São Caetano no ABC. Chance para Ney efetuar os testes e tirar as dúvidas sobre a escalação inicial do Tricolor.

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.