O Beckham brasileiro que não vingou

A trajetória de Rodrigo, ex-meia do Botafogo, Atlético Mineiro e Corinthians, que hoje se encontra longe do futebol por conta de uma grave lesão que o tirou de combate.

Rodrigo atuando pelo Red Bull Brasil-SP em 2010 | Foto: Reprodução

Rodrigo atuando pelo Red Bull Brasil-SP em 2010 | Foto: Reprodução

O futebol tem um lado engraçado. Quando vemos um jogador se destacando, já o comparamos com um grande nome da bola. Muitas vezes, acreditamos no potencial de um menino logo ao iniciar nas categorias de base, em pouco tempo indo para o profissional, e o tratamos precocemente como um craque extraordinário.

Mas esse futebolista fora de série inserido na nova cultura do futebol acaba deixando-se levar por coisas por menores do que propriamente a carreira. Uma delas, claro, a vaidade, grande companheira dos boleiros da era moderna.

E já que estamos falando deste assunto, por que não mencionarmos um futebolista que já foi comparado a David Beckham? Não pelo futebol, mas sim pelo fato de possuir aparência quase semelhante ao inglês mais conhecido do mundo.

Talvez você tenha alguma lembrança dele. Ele, Rodrigo Juliano Lopes de Almeida, ou simplesmente Rodrigo, também conhecido por “Beckham brasileiro”. Natural de Santos, iniciou o seu caminho pela bola na saudosa Portuguesa Santista em 1996. No ano seguinte, foi para o Guarani de Campinas e chegou ao Gama, de Brasília, em 1998, ano em que venceu a Série B pelo clube.

Passagem apagada pelo Everton, da Inglaterra | Foto: Reprodução

Passagem apagada pelo Everton, da Inglaterra | Foto: Reprodução

Logo, Rodrigo começava a trilhar novos passos na profissão. Foi contratado pelo Botafogo, do Rio de Janeiro, em 1999, ainda com 23 anos. Uma passagem de muito brilho, pois o jogador ganhou, além do vice da Copa do Brasil e da artilharia pelo clube nos Brasileiros de 2000 e 2001, o carinho e a admiração dos botafoguenses, entrando em campo em 59 partidas, marcando 19 gols, usando seu chute forte com a perna esquerda.

Em meio a tanta badalação na época, foi emprestado ao Atlético-MG, clube no qual nasceu o apelido de Beckham, pelo fato de ter sido eleito o jogador mais bonito do Brasil, em 2001. Alegrias à parte, a tristeza profunda veio em um lance que marcou a carreira do meia. Em um choque com Jussiê, atacante do Cruzeiro na época, rompeu os ligamentos do joelho, comprometendo com o seu futuro no esporte.

Um jovem jogador, que até chegou a ser cogitado a defender a Seleção Brasileira, não sendo convocado em nenhuma vez, Rodrigo parte para novos ares. Em 2002, aceitou a proposta do Everton, da Inglaterra, o país de seu homônimo rico, o verdadeiro Beckham.

Tudo parecia bem, até a hora de assinar a papelada para se tornar reforço do time inglês. O atleta não correspondeu em campo. Pouco aproveitado, mal conseguia jogar pela equipe.

Persistindo com o problema crônico no joelho, foi operado, mas teve o insucesso. Os médicos não sabiam detectar a lesão. O boleiro não correspondia mais ao que havia sido no passado.

A tentativa em terras estrangeiras foi frustrada e, então, regressa ao Brasil, em 2004, para defender o Corinthians, que, na ocasião, montava um grande esquadrão com nomes bastante prestigiados, mas que não surtiam efeito, como o veterano Freddy Rincón, Adrianinho, Valdson, entre outros. No fim, graças aos tentos marcados por Grafite em cima do Juventus, o Timão escapou do descenso no Campeonato Paulista daquele ano.

Passagem vazia pelo time de Parque São Jorge, o jogador buscou novos clubes para retomar o bom rendimento em campo. Então, resolve seguir adiante perambulando em várias equipes: Juventude-RS (2005), Atlético-PR (2005), Vasco (2005 e 2006), Boavista-RJ (2007 e 2008), Paraná (2007) Fortaleza-CE (2009), e Red Bull Brasil-SP (2010). Nesta última agremiação, levantou o título da Série A3 do Paulista e deu o adeus definitivo à profissão. Experiências nada proveitosas para um jogador que tinha um futuro brilhante pela frente.

Rodrigo Beckham curte o esporte bretão longe dos gramados que, um dia, viram nascer uma promessa que, infelizmente, não se concretizou por conta de um grave acidente dentro de campo.

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Jornalista formado pela Universidade Paulista - Unip em 2012, é torcedor doente pelo Palmeiras e amante do bom futebol. Foi estagiário da produção do Domingo Espetacular, da Rede Record. Em um de seus trabalhos acadêmicos, realizou um documentário sobre o Nacional Atlético Clube intitulado "O Futebol Nacional", publicado no YouTube, com o intuito de relatar a falta de estrutura no clube e de visibilidade na mídia esportiva.