O dilema de David Villa

 

O atacante David Villa está vivendo o seu inferno astral. Querido por boa parte da torcida ‘culé’ e idolatrado por muitos jornalistas, o asturiano parece não estar nos planos do técnico Tito Vilanova para fazer parte da equipe titular do Barcelona.

 

Villa em seu início de carreira

Villa iniciou sua carreira no Sporting Gijón B, em dois anos já se encontrava no time principal. Após outros dois anos de bom futebol e com mais de 40 gols pelo Gijón, ‘el Guaje’ foi vendido ao Real Zaragoza em 2003 por apenas três milhões de euros.

Villa em ação pelo Zaragoza


Em franca ascensão e sendo um jogador ambidestro, o atleta logo chamou a atenção do Valência, campeão espanhol. No início da temporada 2005/2006 o estádio Mestalla tinha um novo craque. ‘Los Che’ pagaram 12 milhões de euros para contar com o futebol do atacante.

No Valencia, Villa continuou sua ascensão e chegou a seu auge. Pagou com juros os 12 milhões investidos em sua contração.



Foi em 2005 que ele teve a sua primeira convocação para a seleção espanhola na partida diante de San Marino, no dia 9 de fevereiro. Seu primeiro gol pela Fúria veio na partida diante da Eslováquia, jogo válido pelas eliminatórias da copa de 2006.

Matador e decisivo, Villa se sagrou campeão da Euro 2008 e artilheiro do torneio com 4 gols.



David Villa ganhou o respeito dos torcedores Espanhóis em pouquíssimo tempo. Na primeira competição oficial pela Roja, a Copa de 2006, marcou três gols. Porém, o melhor ainda estava por vir. Na Eurocopa de 2008 ele foi decisivo para que a Espanha acabasse com o estigma de seleção ‘amarelona’ e voltasse a vencer o torneio após 44 anos. Autor de quatro gols, o camisa 7 mostrou o seu poder de decisão e esteve em momento sublime durante a competição realizada na Aústria e na Suíça. Mesmo sem ter atuado na grande final, terminou como artilheiro do torneio.

Mais uma vez artilheiro da Fúria e da competição, com 5 gols, ainda por cima se sagrando o maior artilheiro espanhol em Copas. David Villa chega ao topo do mundo.


Foi na copa de 2010 que ‘el Guaje’ atingiu o ápice da sua carreira. Villa marcou gols em quatro das sete partidas disputadas pela Fúria no transcorrer da peleja. Esteve suntuoso e marcou golaços que intensificaram a aposta no camisa 7. A Espanha agora era temida com razão e o atacante já se tornara um dos melhores em sua posição. Com seus gols e belas jogadas, a Espanha foi crescendo e venceu a Copa de 2010. Villa marcou cinco vezes, sendo um dos artilheiros, e tornou-se o maior goleador espanhol em Copas, com 8 gols marcados. No mesmo ano, atingiu o posto de maior artilheiro da seleção espanhola na partida diante da Escócia. 

Já consagrado no Valência e sendo heroi na seleção, o Barcelona desembolsou 40 milhões de euros para contar com o seu futebol. O contrato já havia sido assinado antes do início da Copa, no dia 18 de maio de 2010.

Com Guardiola, David Villa jogaria como ponta (winger) aberto pela esquerda no 4-3-3 catalão. Muito se fala que o atacante veio para suprir a saída do inadaptado Ibrahimovic, mas, em campo, a função seria diferente da que o Sueco apresentou. Com Messi atuando como um “falso” 9, caberia a Vila e a Pedro ajudá-lo no ataque. 

Seu primeiro gol aconteceu na primeira rodada do campeonato espanhol. Foi diante do Racing Santander que o asturiano fez o terceiro gol do Barça e sacramentou a vitória. Adaptação ao esquema? Não foi necessária. O camisa 7 já vinha atuando pelo flanco esquerdo nas partidas pela seleção. Provou que craque entra no ritmo rapidamente. Caiu (de vez) nas graças da torcida ao marcar dois dos 5 gols na goleada sobre o Real Madrid.


Em sua primeira temporada, conseguiu vencer o campeonato espanhol e a Champions League. Na final contra o Manchester United, surgiu a obra-prima. Como quem coloca a bola no ângulo com as mãos, o discernimento e a precisão do chute foram sui generis. Chute curvilíneo e sem dar chances a Van der Sar. Foram 52 partidas, 23 gols e 9 assistências logo de cara. Taticamente, também foi fundamental ao estar sempre invertendo a posição com Pedro durante o jogo.

A lesão só veio a piorar a situação de Villa no Barça, o artilheiro não tem sido o mesmo de antes.

A segunda temporada na equipe catalã começou com dois títulos. A Supercopa Europeia e a Supercopa da Espanha. Porto e Real Madrid foram as vítimas, respectivamente. A temporada não vinha sendo boa para o craque. Até que, no Mundial de Clubes, diante do Al Sadd, ele sofreu uma fratura na tíbia da perna esquerda. Perdeu o resto da temporada e não voltou a tempo de disputar a Eurocopa de 2012. Desagradável mazela para o craque.

Nova temporada chegando, novos ares na eufórica respiração pelo lado ‘culé’. Guardiola deixou o comando da equipe e seu assistente, Tito Vilanova, assumiu o cargo de treinador. De início, nada foi drasticamente mexido. Mas aos poucos Vilanova foi implementando o seu estilo de jogo e as suas variações. Villa foi percebendo que estava perdendo cada vez mais espaço. 

Sempre incisivo, agudo e goleador, o jogador de 31 anos vem passando por um verdadeiro tormento ao não ser titular mesmo com a má fase de Alexis Sánchez e a instabilidade de Pedro Rodríguez. Muito se falou que o clima já não era bom com Guardiola. Com Vilanova, não é diferente e esta “novela” tornou-se algo insofismável. 
O esquema ainda é o mesmo, o 4-3-3. Mas a dinâmica foi alterada. Eis algumas modificações para a (possível) entrada de Villa e como isso mexeria com o esquema.

Saída de Pedro: Villa atuaria pela direita de forma efetiva. No entanto, o jogador precisaria de adaptação. Vilanova gosta de um ponta veloz e de outro que seja armador. Iniesta é o dono do lado esquerdo para puxar o lateral consigo e abrir espaço para os avanços de Jordi Alba. Messi e Villa entrariam como finalizadores.

Saída de Fábregas: Iniesta seria recuado para o meio campo e Villa atuaria aberto pela esquerda. Porém, com dois laterais ofensivos (Dani e Alba), Vilanova quer a ‘segurança’ de um ponta armador que recomponha na hora em que está sendo atacado. 

Saída de Daniel Alves e Pedro: Villa atuaria pela esquerda e Fàbregas pela direita, como armador. Dani sairia para dar maior segurança à defesa. Montoya e Adriano poderiam preencher a lateral direita.

As críticas surgem por todos os lados. Eis os números de Villa, Pedro e Sánchez na atual temporada:

Villa: 24 jogos, 10 gols e 3 vezes o homem do jogo. Na maioria das vezes, entrou no 2º tempo.

Pedro: 32 jogos e 7 gols.

Sánchez: 26 jogos e 3 gols.

Penso que hoje a “briga” dele é com Fàbregas ou Iniesta – em função do esquema. Mas descartá-lo assim, sem explicações, está sendo no mínimo estranho.

E aí, Doentes?! O que vocês pensam da atual situação do camisa 7?

Abraços!

(Matéria originalmente escrita por Raniery Medeiros)

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Diretor no DPF desde 2012 e criador da coluna "Olho Nele!".