O exemplo do campeonato mineiro

  • por José Eduardo Volpini
  • 8 Anos atrás

Texto elaborado por Leandro Bruning Canton

Um campeonato estadual que sirva de preparação para todo o ano, que não desgaste os jogadores em início de temporada e que dê tempo aos times para treinar, formando equipes competitivas e qualificadas. Tudo isso mantendo sua atratividade e sem diminuir o faturamento das equipes menores, que dependem do estadual para manterem-se de portas abertas, abrindo caminho para participar da Série D do Brasileirão e da Copa do Brasil.

A volta do Mineirão em 2013. | Reprodução: Uol.

A volta do Mineirão em 2013. | Reprodução: Uol.

O Campeonato Mineiro deste ano iniciou-se no dia 02 de fevereiro, diferentemente dos outros principais estaduais do Brasil, que começaram duas semanas antes, no dia 19 de janeiro, aumentando o período de pré-temporada de todas as equipes.

Os jogos do Mineiro acontecem em sua maioria apenas nos finais de semana (somente 3 jogos no meio de semana), dando aos times um período maior de trabalho até a próxima partida. O Atlético-MG, que participa da Libertadores, não precisa se preocupar com datas conflitantes das duas competições. O Grêmio, por exemplo, tem atuado quarta-feira pelo Campeonato Gaúcho e quinta-feira pela Libertadores, ou vice-versa. O São Paulo está com dois jogos a menos no Campeonato Paulista em virtude das partidas que disputou no meio de semana pela pré-Libertadores. Como no Paulista e no Gaúcho, os outros estaduais têm partidas no meio e no final de semana, deixando a agenda dos jogos de meio de semana vazia apenas em partidas da Copa do Brasil, que inicia-se em abril. 

O número de datas reservadas pela Federação Mineira de Futebol também é muito menor. A CBF estipula um limite máximo de 24 datas para as partidas dos campeonatos estaduais. Em Minas, este número é de 15. Em comparação, no Rio de Janeiro são 21 datas; em São Paulo e no Rio Grande do Sul, são 23; no Paraná, 24 datas. Uma carga muito intensa de jogos para um período de início de temporada, em que os jogadores estão mais propensos a lesões e a cansaços musculares. 

O número mínimo de partidas que cada equipe disputa em Minas Gerais também é um dado importante. Cada equipe joga no mínimo 11 vezes, podendo chegar a 15 caso consiga chegar à final. No Rio, o mínimo é 15, enquanto em São Paulo é de 19. No Paraná, o número chega a 22.

Outro aspecto importante do Campeonato Mineiro: houve pausa para o Carnaval: não ocorreram jogos no final de semana de festa. Tanto jogadores e comissões técnicas quanto as próprias torcidas puderam festejar o carnaval tranquilos.

Todos esses fatores ajudam as equipes que têm calendário cheio a se prepararem da melhor maneira possível. O Atlético teve tempo de montar sua equipe para a disputa da Libertadores e, junto com o Cruzeiro, preparar fisicamente seus jogadores para a disputa da Copa do Brasil e da Série A do Campeonato Brasileiro. América-MG e Boa Esporte, que estão na série B do Brasileirão, também têm um calendário de início de ano que favorece a preparação em busca do acesso à Série A. Em outros estados, os clubes das Séries A e B do Brasileirão não têm a mesma facilidade, e muitos convivem com jogadores lesionados e cansados. Para se ter uma ideia, o Coritiba, neste início de temporada, já tem 15 jogadores no departamento médico, o que atrapalha a preparação física do jogador e a montagem de uma equipe qualificada e entrosada.

Com certeza os estaduais são importantes para muitas equipes, principalmente para as do interior, que dependem das partidas do campeonato para conseguir um faturamento suficiente e manter o clube, além de ser uma das poucas vezes que os moradores do interior do estado conseguem assistir seu time de coração em um estádio. No entanto, as fórmulas dos campeonatos, junto com o número de partidas de cada um, poderiam ser revistos, visando uma preparação de todas as equipes para o restante do ano. Como não há uma regra da CBF que padronize a fórmula de disputa desses campeonatos (há apenas a regra do número máximo de partidas e do período em que os estaduais têm que ser realizados), os clubes dependem das Federações Estaduais de Futebol para buscar um calendário mais adequado.

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