O Foquinha Desaparecido

Atacante Kerlon, ex-Cruzeiro, que já encantou críticos com seu inusitado “drible da foca”, hoje é considerado ídolo na terceira divisão no Japão.

Kerlon recuperando a forma física durante passagem pelo Nacional-MG |  Foto: Reprodução

Kerlon recuperando a forma física durante passagem pelo Nacional-MG | Foto: Reprodução

Nascido em Ipatinga, Kerlon Moura Souza, ou apenas Kerlon, com apenas 18 anos, ficou conhecido por um inusitado truque com a bola: O drible da foca. A jogada consistia em fazer embaixadinhas usando a cabeça e, assim, passando por adversários, que mal sabiam como pará-lo. Na maioria dos casos, a falta era a melhor solução. Conseguiu seu espaço no clube e vestiu a amarelinha no título do Campeonato Sul-Americano Sub-17 em 2005, na Venezuela, graças a sua ousadia imposta em campo frente aos adversários.

Jogada da “foquinha” aplicada no santista Wendel | Foto: Reprodução

Jogada da “foquinha” aplicada no santista Wendel | Foto: Reprodução

Era a hora de partir, ou melhor, a hora da verdade. Pois hoje, na cultura do futebol moderno, o grande jogador é aquele que consegue a fama pelo velho continente. Na Itália, atuou pelo Chievo Verona, clube que alterna boas e péssimas posições no campeonato. Depois, um “tour” pela Internazionale de Milão, onde acabou sendo usado como uma espécie de “moeda de empréstimo” para outros clubes europeus.

Kerlon foi emprestado ao Ajax, da Holanda, na temporada 2009-2010, mas não jogou uma partida sequer pela Eredivisie, por conta de uma grave lesão que o tirara de campo por muitos meses. Voltando ao Brasil, em 2011, tentou a sorte no Paraná, mas pediu para ser dispensado por não ter conseguido recuperar a forma física. Atuou em pouquíssimas partidas, sem ter ficado os 90 minutos completos dentro dos gramados.

Não havia outras portas abertas para o “Foquinha” Kerlon. O jeito foi arrumar as malas e encarar o desafio de vestir a camisa do modesto Nacional Esporte Clube, em agosto de 2011. Passou a maior parte do tempo no departamento médico resolvendo seus problemas físicos. Atuou 15 minutos dentro de campo em apenas um jogo, diante do Vila Nova – MG.

Em 2012, acertou sua ida para o Japão, onde irá defender o Fujieda MYFC (antigo Nelson Yoshimura Clube de Futebol), uma equipe fundada em homenagem ao já falecido Nelson Yoshimura, brasileiro naturalizado japonês e defensor da seleção nacional, e mantido por internautas desde 2004.

Kerlon “vira” refrigerante no Japão | Foto: Reprodução

Kerlon “vira” refrigerante no Japão | Foto: Reprodução

Resultado: Sucesso na terceira divisão do campeonato nipônico, apenas “vendendo” sua imagem para uma marca de refrigerante com seu nome. Para quem já foi a sensação do futebol brasileiro, é muito pouco, e para muitos críticos, uma vergonha.

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Jornalista formado pela Universidade Paulista - Unip em 2012, é torcedor doente pelo Palmeiras e amante do bom futebol. Foi estagiário da produção do Domingo Espetacular, da Rede Record. Em um de seus trabalhos acadêmicos, realizou um documentário sobre o Nacional Atlético Clube intitulado "O Futebol Nacional", publicado no YouTube, com o intuito de relatar a falta de estrutura no clube e de visibilidade na mídia esportiva.