O retorno à América

De maneira dramática e apreensiva, torcida pôde comemorar a vitória heroica verde e branca na volta do time a Libertadores.

Foto: Globo.com | Henrique abriu o marcador a favor do Palmeiras

Foto: Globo.com | Henrique abriu o marcador a favor do Palmeiras

É contagiante o grito desta torcida que canta e vibra incessantemente. Foram mais de 20 mil vozes no Paulo Machado de Carvalho, vulgo Pacaembu, apoiando, incentivando, aplaudindo e, em momentos adversos, roendo suas próprias unhas, mas sem perder a esperança, que é verde e branca de coração. E deu Palestra! 2 X 1 em cima do modesto Sporting Cristal, do Peru.

E que jogo! Há tempos que não víamos o nosso alviverde calibrado e com vontade de encher a galera que presenciou o certame nas arquibancadas de alegria. Uma partida que começara bem, com pé direito, e terminou de forma dramática, com pressão do time rival em campo. Mas nada disso abalou os palestrinos confiantes em um resultado positivo.

Ainda me recordo da última participação palmeirense na mais badalada competição da América do Sul. Foi em 2009, um ano em que a equipe possuía bons nomes em seu plantel. Entre eles, estavam o zagueiro pentacampeão Edmilson, o lateral colombiano Pablo Armero, os meias Cleiton Xavier (o homem do gol fantasma contra o Colo-Colo na primeira fase) e Diego Souza. Além deles, havia os atacantes Keirrison e o intrépido paraguaio Ortigoza, o “Qualhada” do Palestra Itália. A eliminação aconteceu contra o Nacional, do Uruguai. O empate sem gols no jogo da volta, mais o 1×1 em São Paulo, tiraram o alviverde do torneio.

A casa sendo arrumada

Neste ano, tudo novo. Novos nomes vieram para honrar esta camisa de tantas glórias. Entre eles, vindos do Grêmio, o volante Léo Gago, o zagueiro Vilson (que na partida atuou como marcador no meio), o meia Rondinelly e o atacante Leandro, todos envolvidos em uma troca que garantiu a ida do Pirata Barcos para a equipe de Porto Alegre.

Marcelo Oliveira cometeu pênalti que originou no gol do Sporting Cristal | Foto: Palmeiras.com.br

Marcelo Oliveira cometeu pênalti que originou no gol do Sporting Cristal | Foto: Palmeiras.com.br

Do Cruzeiro, chegaram o lateral Marcelo Oliveira e o volante Charles. Ainda vieram o meia Ronny, do Figueirense, o lateral Weldinho, vindo do Corinthians, e o atacante Kleber, emprestado pelo Porto, de Portugal. O goleiro Fernando Prass, vindo do Vasco e Ayrton, lateral que estava no Coritiba, já haviam chegado antes.

É claro, não há nenhum craque que encha os olhos dos torcedores de água com tamanhas habilidades, mas o que está sobressaindo neste time é a garra e a determinação. Paulo Nobre vem dando uma cara nova e varrendo a sujeira do ano passado, que todo palmeirense gostaria de esquecer.

A volta à competição intercontinental

Na partida contra o atual campeão peruano, o Sporting Cristal, que já chegou próximo à taça, derrotado para o Cruzeiro na decisão de 1997, o Palestra não se intimidou e partia para cima a todo o momento, levando perigo com chutes ao gol e boas jogadas não vistas há um bom tempo.

Os destaques ficaram por conta do xerife da zaga, Henrique, que abriu o marcador aos 39 minutos do primeiro tempo, em uma excelente batida de escanteio feita por Wesley. Mas na segunda parte, a apreensão tomou conta da geral do estádio. Lobatón, exímio atacante de muita categoria, foi derrubado pelo estreante Marcelo Oliveira, infeliz na jogada. A cobrança foi convertida pelo próprio jogador que sofrera a penalidade. Fernando Prass ainda conseguiu ir para o canto certo, mas não evitou o empate peruano. O 1×1 deixava os alviverdes ainda mais nervosos, mas com a certeza que a vitória estava bem próxima.

Eis que surge um garoto, de 21 anos, prata da casa, de bom toque de bola, ginga e persistência. Só o que faltaria a ele era um tento marcado, pois realizava um bom jogo. E não é que a estrela do menino brilhou? Jogada pela esquerda de Marcelo Oliveira e Caio, mais um garoto da base, recebe, erra o domínio da bola, que é ajeitada para ele dar o golpe de misericórdia aos peruanos, quando eram marcados 22 minutos da etapa final. O nome dele lembra um grande jogador senegalês, naturalizado francês, que fez muito sucesso no futebol europeu. E hoje, é o que desejamos a esta jovem promessa de mesmo nome: Patrick Vieira.

Patrick Vieira comemora o segundo gol palmeirense | Foto: Foxsports

Patrick Vieira comemora o segundo gol palmeirense | Foto: Foxsports

Fim de papo. Festa no chiqueiro. A primeira batalha conquistada. Que venham os próximos confrontos. Esta foi uma demonstração que a Sociedade Esportiva Palmeiras não está vencida e continua erguida, de pé, em busca da redenção. Agora, vamos aguardar os próximos capítulos desta emocionante e dramática história, da qual fazemos parte.

E mais um detalhe: Tudo isso com a “bênção” de “São Marcos” que se encontrava presente no recinto. Dá-lhe porco neles!

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Jornalista formado pela Universidade Paulista - Unip em 2012, é torcedor doente pelo Palmeiras e amante do bom futebol. Foi estagiário da produção do Domingo Espetacular, da Rede Record. Em um de seus trabalhos acadêmicos, realizou um documentário sobre o Nacional Atlético Clube intitulado "O Futebol Nacional", publicado no YouTube, com o intuito de relatar a falta de estrutura no clube e de visibilidade na mídia esportiva.