O surpreendente Mônaco na Champions League 2003/2004

  • por Lucas Sartorelli
  • 7 Anos atrás

A UEFA Champions League 2003/2004 prometia. A expectativa sobre grandes clubes e grandes jogadores era imensa. Alheio a isso, figurava o coadjuvante Mônaco, da França. E após meses de jogos inesquecíveis, eis que os franceses aterrissavam na impetuosa final da maior competição europeia de clubes para enfrentar o também surpreendente Porto (que já havia eliminado o Manchester United).

Vamos relembrar a campanha:

O grupo C se mostrava bem equilibrado com Mônaco, La Coruña e PSV disputando duas vagas na próxima fase. E de fato, foi. O AEK Atenas, sem conseguir vitória alguma, apenas confirmava a figuração e o papel de “saco de pancadas” do grupo. Assim, o Mônaco iniciou com duas excelentes vitórias, vencendo o PSV fora de casa por 2 x 1 e fazendo sua parte em casa contra os gregos, goleando-os por 4 x 0. Em seguida, após uma derrota magra na Espanha para o La Coruña, viria o troco na França. Em uma partida histórica com muitos gols, os vermelhos devolveriam o resultado goleando por 8 x 3, com amplo destaque para o atacante Dado Prso, autor de 4 gols no mesmo jogo, recorde que apenas ele e mais alguns poucos jogadores detém até hoje na competição. Após empatar as duas últimas partidas, o Mônaco garantiria o 1º lugar do grupo com 11 pontos, 1 a mais que La Coruña (que terminou em 2º) e PSV.

Dado Prso: 4 gols em um mesmo jogo e a artilharia do torneio

O adversário das oitavas de final era o Lokomotiv, da Rússia.

O jogo na Rússia foi tenso devido ao rígido clima frio. Porém, após abrir 2 x 0 no placar, os russos de certa forma se acomodaram, tudo o que um atacante como Morientes precisava para diminuir o placar e levar um resultado menos pior para o segundo jogo. Na volta, uma partida não menos dura. Até que no segundo tempo, o artilheiro Prso fez a diferença, marcando para os franceses, que até então atuavam com um jogador a mais. Resultado mantido até o fim, a classificação era do Mônaco, pelo gol marcado fora de casa.

Nas quartas, o Real Madrid dos galácticos Zidane, Ronaldo, Figo e Beckham os aguardavam.

No Santiago Bernabéu lotado, após 40 minutos de muita cautela por parte dos vermelhos, o defensor Squilacci se arriscou no ataque e marcou um gol importantíssimo, abrindo o placar para o time do técnico Didier Deschamps. Após o intervalo, porém, o espírito galáctico dos merengues resolveu despertar, fazendo o Real virar o jogo para 2×1. Há 10 minutos do fim, Ronaldo ainda daria o ar de sua graça fenomenal, marcando mais dois gols em um intervalo curtíssimo de tempo, determinando a goleada. Tudo parecia perdido, até que ele, Fernando Morientes mais uma vez achou o caminho das redes, diminuindo para 4×2 e trazendo esperança para os franceses no jogo da volta. Em Mônaco, o Real Madrid se lançou a frente e Raul abriu o placar, alargando ainda mais a vantagem de sua equipe. Entretanto, com mais um gol de Morientes e outro do habilidoso meio-campista Giuly, o time da casa partiria para o intervalo com a vitória, ainda insuficiente, mas absolutamente motivado a buscar o resultado. Até que aos 20 minutos do segundo tempo, ele novamente, Ludovic Giuly, garantiria o placar tão esperado ao marcar o terceiro gol, confirmando a diferença de gols que levaria o Mônaco a uma inesquecível classificação diante do gigante Real Madrid.

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David Beckham e a constelação do Real: nenhuma moleza para eles

Os olhos do mundo se voltavam para o surpreendente clube francês e nas semifinais, mais uma prova de fogo: o Chelsea, já turbinado financeiramente pelo bilionário investidor Roman Abramovich.

Na primeira partida, na França, o Mônaco logo tratou de aproveitar a pressão de sua torcida e aos 17 minutos, o grandalhão oportunista Prso faria 1×0. Minutos depois, outro artilheiro, o argentino Hernan Crespo deixaria tudo igual do lado dos azuis. O jogo seguiu truncado e tudo parecia mais difícil para o time da casa quando o volante Zikos foi expulso após entrada violenta. Entretanto, o treinador Didier Deschamps não se intimidou e mandou seu time para o ataque. Deu resultado. Mesmo com a desvantagem numérica, há 10 minutos do fim, o decisivo Morientes colocava os vermelhos na frente. Tudo já parecia ótimo, mas ficou ainda melhor. O atacante congolês Nonda aumentaria a vantagem em 3 x 1 apenas 1 minuto após entrar na partida. O resultado era perfeito, mas o jogo em Londres prometia. E de fato, cumpriu. O Chelsea entrou disposto a jogar sua vida e antes dos primeiros 45 minutos, já vencia por 2 x 0. Até que nos acréscimos da primeira etapa, o lateral Ibarra avançou com qualidade, diminuindo o placar para 2×1, tranquilizando a torcida vermelha que viajou até a Inglaterra. Com o jogo em mãos e ótima disposição tática, os franceses tocaram a bola e ainda chegaram ao gol de empate com o espanhol Fernando Morientes, sempre ele.

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Fernando Morientes: decidindo contra gigantes

Além de Morientes e Giuly, o rápido lateral Evra e o habilidoso meia Rothen também se destacavam a cada jogo e já chamavam a atenção dos maiores clubes do mundo.

Pela 1ª vez, o Mônaco chegava a uma final de UEFA Champions League e consolidava a melhor campanha internacional de sua história.

Na decisão em Gelsenkirchen, o meia e capitão Giuly se lesionou, desfalcando a equipe logo no início da partida, o que dificultou as coisas para os franceses. Apesar dos esforços, o sonho do título desmoronou diante de um inspirado Porto de Deco, que venceria por 3×0 e seria campeão. Ali, o mundo conheceria José Mourinho.

Não importava.

Para os amantes do futebol, a história estava escrita.

Fernando Morientes e Dado Prso terminaram como os dois artilheiros do torneio, com 7 gols cada.

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Final: apesar da derrota, os vermelhos e brancos fizeram história

Time do Mônaco na competição:

Flavio Roma, Ibarra, Julien Rodriguez, Givet e Evra, Edouard Cisse, Bernardi e Zikos, Rothen, Giuly e Morientes.

Reservas: Tony Sylva, Squillaci, Plasil, El Fakiri, Prso, Nonda e Adebayor.

Técnico: Didier Deschamps

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Paulistano, projeto de jornalista e absolutamente ligado a tudo o que envolve essa arte chamada futebol, desde a elegante final de uma Copa do Mundo às peculiaridades alternativas das divisões mais obscuras de nosso amado esporte bretão. Frequentador assíduo nas melhores (e piores) várzeas e peladas de fim de semana, sempre à disposição para atuar em qualquer posição.