Paulo Henrique Ganso: craque ou jogador comum?

 

GANSO OU PATINHO FEIO

Paulo Henrique Ganso surgiu para o futebol brasileiro em 2008, ainda como Paulo Henrique Lima, na Copa São Paulo de Futebol Júnior daquele ano pela equipe do Santos. Foi o camisa 10 da campanha santista, que foi até as quartas-de-final. As boas atuações do atleta o credenciaram a uma vaga na equipe principal. Durante 2008, atuou em algumas partidas no profissional no campeonato paulista e no brasileiro, mas a má fase do time fez com que seu futebol fosse pouco notado.


Já no ano de 2009, o meia, agora conhecido como Ganso, começou a se destacar na equipe do Santos. Durante o paulista, foi se firmando como titular e conquistou o vice-campeonato. No campeonato brasileiro, se destacou tanto que a diretoria renovou seu contrato por 5 anos, com uma multa rescisória astronômica: 140 milhões de reais. Apesar da campanha mediana do time da baixada santista, Ganso foi indicado ao prêmio de revelação do Brasileirão pela CBF, perdendo a disputa para o atacante Fernandinho, do Grêmio Barueri.



Em 2010, veio a sua redenção. Com uma equipe recheada de craques como Neymar, Robinho e André, o Santos de Ganso foi campeão da Copa do Brasil, garantindo a vaga para a Copa Libertadores de 2011, e foi campeão paulista, com uma imagem emblemática na conquista: Ganso recusou-se a ser substituído pelo técnico Dorival Júnior, alegando que sua presença era importante, pois, naquele momento, o Santos tinha um homem a menos e ele era o jogador que prendia a bola para a equipe. Esse seu primeiro semestre excepcional fez com que grande parte da população brasileira pressionasse o então técnico da seleção brasileira a convocá-lo para a Copa do Mundo de 2010, fato que não se realizou. Após a queda de Dunga, o novo técnico da seleção Mano Menezes convocou o meia, que realizou grandes partidas com a camisa 10 canarinho. Mas o ano de 2010, que começou incrivelmente bem, terminou de maneira muito ruim: em agosto, Ganso sofreu um entorse no joelho na partida contra o Grêmio no Estádio Olímpico, que ocasionou uma ruptura do ligamento cruzado posterior do joelho esquerdo, com expectativa de recuperação de seis meses. Ele voltaria a jogar apenas em 2011.


Após se recuperar da lesão, o meia retornou aos gramados em março de 2011 e foi importante na campanha do bicampeonato paulista do Santos, mas, no primeiro jogo da final contra o Corinthians, sofreu outra lesão, não tão grave como a anterior, mas que o tirou dos gramados por quase dois meses. Conseguiu se recuperar a tempo de disputar o segundo jogo da final da Copa Libertadores da América, partida que consagrou o título do Santos no Pacaembu. Durante o campeonato brasileiro de 2011, Ganso e toda a equipe santista foram sendo preparados para o Campeonato Mundial de Clubes, que aconteceria em dezembro. No Mundial, o Santos até chegou à final, mas foi massacrado pelo Barcelona de Messi por 4×0.


Em 2012, Ganso novamente foi importante para a equipe santista na conquista do tricampeonato paulista, mas não conseguiu demonstrar grande futebol na Libertadores, e a equipe foi eliminada na semi-final pelo Corinthians. Em julho, Mano Menezes convocou a seleção brasileira para a disputa dos Jogos Olímpicos de Londres, buscando o ouro inédito, a única conquista de expressão que o Brasil não possuía. Ganso estava na lista, mas seu fraco desempenho no Santos e nos treinamentos com a seleção fez Mano optar por escalar o meia Oscar como único armador da equipe, que contou com três atacantes. O meia santista pouco jogou nas Olimpíadas e o Brasil ficou com a prata, perdendo a final para o México por 2×1. Durante o ano de 2012, a diretoria do Santos fez várias propostas de renovação de contrato, mas o meia exigia alguns pontos que não foram aceitos pelo presidente. Após uma longa negociação, Ganso foi contratado pelo São Paulo por cerca de 25 milhões de reais em setembro, mas, devido a uma nova lesão, estreou apenas em novembro e, como a equipe tricolor já estava com um time titular escalado e bem entrosado, não foi utilizado como titular nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro e nos jogos decisivos da Copa Sul-Americana.


Em 2013, mesmo com a saída de Lucas do São Paulo para o Paris Saint-Germain, Ganso ainda não conseguiu se firmar na equipe titular do tricolor: o técnico Ney Franco opta por Jadson como principal armador e três atacantes, mesmo esquema utilizado em 2012.

Após as Olimpíadas, pouco foi chamado para a seleção brasileira, nem pelo antigo técnico Mano Menezes, nem na primeira lista do novo técnico Luis Felipe Scolari.

Observando sua carreira, percebemos um grande pico em 2010, ano em que o atleta fez partidas fantásticas. Mas, de lá para cá, não mostrou grande futebol e uma questão veio à tona: Ganso realmente é este craque que todos imaginam ou é apenas mais um jogador comum? Dois fatos interessantes colaboram nesta dúvida: o apelido foi dado por um de seus técnicos nas categoria de base, que chamava de “ganso” aqueles jogadores que não possuíam grande qualidade, e o seu primeiro técnico no profissional, Cuca, sempre teve a opinião de que Ganso não era o grande jogador que todos achavam e que 2010 foi um ano atípico.

Neste ano de 2013, temos a Copa das Confederações no Brasil, mas, pelo futebol que o atleta vem demonstrando e pelo fato de ser reserva no São Paulo, ele teria que primeiramente conquistar sua vaga de titular no tricolor e, após isso, realizar uma seqüência de grandes partidas no campeonato paulista e na Libertadores, que justificasse um olhar mais atencioso de Felipão para seu futebol.

A nós cabe esperar que Paulo Henrique Ganso demonstre que realmente é um grande jogador, voltando a atuar como em 2010, quando questionava-se quem era melhor, Ganso ou Neymar.

 

(Matéria escrita originalmente por Leandro Bruning Canton)

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Diretor no DPF desde 2012 e criador da coluna "Olho Nele!".