Rashidi Yekini: o eterno 9 da Nigéria!

  • por Rogério Bibiano
  • 6 Anos atrás

Mama África na área, Doente por Futebol!

Nesta semana, continuamos em ritmo de Copa Africana de Nações para falar de um ídolo de uma seleção que volta a figurar em posição de destaque no continente. Estamos falando de Rashidi Yekini, ex-atacante da seleção nigeriana.

Nascido em 22/10/1963, em Kaduna, de origem humilde, não teve passagem pela base de nenhum clube. Começou jogando bola na rua e se destacou no futebol amador local. Com 1m90cm de altura e no melhor estilo “jogador de área”, foi convidado para jogar no UNTL Kaduna, aos 18 anos.

Em 1982, transferiu-se para o Shooting Stars, de Ibadan-NGA. No seu segundo ano na equipe, foi artilheiro, ajudando o clube a ser campeão nigeriano naquele ano. Yekini tornou-se um ídolo dos torcedores da equipe, no qual permaneceu até 1984.

Em 1984, transferiu-se para o Abiola Babes, de Abeokuta-NGA. Yekini foi a principal contratação da equipe recém-promovida à divisão de honra do futebol nigeriano. No clube, tornou-se ídolo com gols decisivos e atuações empolgantes que ajudaram o pequeno clube a ser campeão da Copa da Nigéria (Nigerian FA Cup), em 1985 e 1987. Em 1987, liderou a equipe que chegou às semifinais da Copa Africana dos Vencedores de Copa, em um feito inédito.

As boas atuações no futebol local o levaram á Seleção da Nigéria em 1984. Começava ai uma trajetória magnífica de 14 anos junto às Super Águias. Em 1987, Rashidi Yekini transferiu-se para o Africa Sports, de Abidja, da Costa do Marfim, em uma das grandes contratações do futebol africano da sua época.

Na tradicional equipe marfinense, Yekini foi campeão nacional em 1988 e 1989. Também venceu a Copa da Costa do Marfim, em 1989, e a Copa Houphouet-Boigny (principal copa, em homenagem ao primeiro presidente da Costa do Marfim), em 1988 e 1989. Yekini tornou-se ídolo no clube e respeitado no país.

O ótimo desempenho em terras marfinenses chamou a atenção do futebol português e, em 1990, o artilheiro transferiu-se para o Vitória de Setúbal-POR (foto). No clube Sadino, Yekini teve o ápice da sua carreira, sendo artilheiro do Campeonato Português da temporada 1993/1994, com 21 gols. Na sua primeira passagem pelo Vitória, anotou incríveis 90 gols em 108 jogos.

Na temporada 1992/1993, Yekini já havia marcado 32 gols em 34 jogos, entre a Liga e a Taça de Portugal. Tal performance aliada aos ótimos jogos pela Seleção (incluindo o feito de ajudar a Nigéria a classificar-se para a primeira Copa do Mundo) deram a Yekini o título de Futebolista Africano do Ano de 1993.

Em abril de 1994, a Copa Africana das Nações coroou o futebol de raça, oportunismo e presença de área de Yekini, artilheiro da competição com 5 gols e eleito o Bola de Ouro da mesma. Nesta CAN-1994 ficou eternizado o gol de Yekini contra a Costa do Marfim, nas semifinais, que empatou o jogo, aos 40 minutos do segundo tempo. Sua comemoração emocionada entrou para a história. Nos pênaltis, os nigerianos venceram por 4×2, com Yekini convertendo o penal decisivo.

Yekini marcou o primeiro gol da Nigéria em uma Copa do Mundo, na goleada sobre a Bulgária por 3×0, na estreia nigeriana no Mundial de 1994. Talvez não haja um Doente por Futebol no mundo que não tenha se emocionado com este gol, em função da comemoração, na qual Rashidi chorou literalmente (foto), expressando um sentimento verdadeiro, uma emoção de uma nação, em um dos momentos mais marcantes da história das Copas.

Na janela de verão de 1994, Yekini transferiu-se para o Olympiacos da Grécia, onde pouco atuou. Lesões e confusões com companheiros de equipe tornaram curta a sua passagem no país. Em janeiro de 1995, transferiu-se para o Sporting Gijón-ESP, onde ficou até a janela de inverno de 1997. Após isso, retornou para Setúbal-POR, onde defenderia novamente o Vitória, seu clube do coração, segundo declarações do próprio.


Na janela de verão de 1997, assinou com o F.C. Zurich-SUI e teve boas atuações por lá. Após a passagem pela suíça, começou uma peregrinação por diversos clubes do mundo árabe e da África, encerrando a carreirta em 2005, no Gateway United, de Abeokuta-NGA. Tal clube que aposentou a camisa 9 utilizada pelo artilheiro, numa homenagem única para Yekini.

Com dinheiro e uma vida confortável, Yekini foi morar num vilarejo nas imediações de Ibadan. Muçulmano e casado com 3 esposas, não levou nenhuma das suas mulheres consigo. Segundo relatos de parte da imprensa nigeriana, em Ibadan, Yekini tinha um grande amigo e confidente, conhecido como Ibraheem, que tinha uma casa de câmbios em Ibadan. Segundo o que se conta, Yekini deu para este amigo uma grande quantia em dinheiro para que o mesmo fosse investido.

Porém, o amigo de Yekini foi morto em um assalto a sua casa de câmbio, quando os assaltantes levaram tudo, incluindo a parte de dinheiro de Yekini. Desde o episódio, Yekini entrou em profunda depressão, que evolui para um gravíssimo problema de ordem neurológica, chegando a um estado avançado de enfermidade. Viveu seus últimos anos de vida sob o cuidado dos vizinhos, que relatam uma triste história.

O artilheiro, que tantas alegrias deu ao povo, teve uma belíssima carreira e um fim de vida melancólico. O craque faleceu no dia 04/05/2012, aos 48 anos de vida. Foi uma situação que impressiona negativamente pelo modo como aconteceu, mas que ocorreu com o maior centroavante da história do futebol nigeriano e um dos maiores da África. Rashidi Yekini sempre será o eterno camisa 9 da Nigéria!

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Natural de Telêmaco Borba-PR e criado em meio à "boemia futebolística", com horas de papo sobre futebol, samba e cervejas na pauta. Influência do pai, que também adorava futebol, e da mãe, que sempre apoiou a iniciativa. Técnico em Eletrônica, formado desde 1999, e fanático por futebol, futsal, futebol de praia, society e todo esporte que tenha no futebol a sua essência.