Ressurgimento do Imortal

GREMIO IMORTAL

(Escrito por Eduardo Barbosa)

Fábio Koff, presidente Campeão do Mundo e duas vezes dono da América pelo Grêmio, não voltaria ao cargo arriscando manchar a sua vitoriosa trajetória. Aos poucos, após assumir a função, delegando ao extremamente competente diretor executivo Rui Costa as missões mais importantes, foi montando um elenco extremamente competitivo, especialmente com as chegadas de André Santos, Eduardo Vargas e Hernán Barcos. Acredito que seja consenso na América Latina que o Tricolor tem um grupo capaz de propiciar grandes momentos ao seu torcedor em 2013.

As grandes preocupações são a transformação deste grupo em um time coeso e a necessidade de uma rápida adaptação dos reforços ao novo clube. Ressentindo-se da falta de entrosamento e do erro de Luxemburgo ao colocar o ótimo volante Fernando no banco de reservas, o Grêmio perdeu em sua nova Arena para o Huachipato na estreia da fase de grupos da Libertadores. O sonho do título já dava lugar ao receio de uma eliminação precoce que abalaria o projeto vitorioso para a temporada.

 


A segunda ronda de La Copa Libertadores previa um confronto gremista com o Campeão Brasileiro Fluminense. Comecei o parágrafo com algumas palavras em espanhol porque acho divertido, mas também porque o Grêmio entrou de Celeste no Engenhão para o maior desafio da temporada até aqui. Uma combinação negativa poderia colocar os gaúchos seis pontos atrás da zona de classificação, com 12 pontos em disputa. Ou seja, em situação extremamente delicada. A noite começou a melhorar quando o Huachipato perdeu para o Caracas no Chile, impedindo que os chilenos disparassem. 

E foi no calor carioca que pode ter começado de fato a criação de uma equipe uruguaia capaz de fazer bonito nesta Libertadores. É claro que brinco com o paralelo entre o estilo do clube, a mística copeira e a camisa de ontem que remeteu à Celeste Olímpica. Mas o Grêmio, que é brasileiro (será?), fala espanhol em seu ataque – ataque este que promete fazer estragos no continente pelo qual somos apaixonados. Eduardo Vargas é veloz e mortal, enquanto Barcos, mesmo sendo o centroavante, centraliza todas as atenções e chama a responsabilidade como poucos. Que técnica, que personalidade, que força e profissionalismo ao superar uma tragédia familiar ocorrida dias antes e pedir para jogar. Ao fim da peleja, foi taxativo. “É muito cedo, não sou ídolo do Grêmio ainda. Tenho que trabalhar muito”. Que centroavante, senhores, que personagem ganha o Rio Grande do Sul!

 

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O atacante teve atuação de gala em sua segunda partida pelo Grêmio. Barcos participou de todos os gols no ótimo resultado de 3 X 0 contra o Flu. (Foto: lancenet.com.br)

Destaque positivo para quase todo o time do Grêmio. Merece citação nominal André Santos, que ofensivamente todos nós sabemos que pode render muito bem, por mostrar um comprometimento defensivo interessante e espírito guerreiro. A discussão áspera com Fred, que naquele momento já começava a reclamar e querer condicionar a arbitragem, foi vista pela torcida gremista como um gesto de imposição e celebrada como se fosse o “quarto gol”. Luxemburgo recolocou Fernando no time e o volante mostrou mais uma vez a sua vital importância para a mecânica do meio campo.


É claro que é muito cedo para qualquer avaliação e nenhum dos dois extremos deve ser levado em conta neste momento. Nem ao inferno com a derrota inesperada, nem ao céu com o merecido triunfo. Porém, com a técnica e a competitividade deste elenco, aliada à mística “Imortal”, podemos estar presenciando o nascimento de uma grande equipe. Muita calma nesta hora, torcedor, mas me permito parafrasear a célebre frase ao final do clássico Casablanca ( claro que com a adequação esportiva): “Este pode ser o começo de um grande campeão”.

Grandes times são forjados em grandes vitórias. Aguardemos os próximos capítulos.

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Diretor no DPF desde 2012 e criador da coluna "Olho Nele!".