Shakhtar x Dortmund: Sensações brigam por vaga nas quartas

  • por João Rabay
  • 8 Anos atrás

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Shakhtar Donetsk x Borussia Dortmund. Local: Donbass Arena, Donetsk (Ucrânia).

17h45 (transmissão ao vivo na Sky, pelo Sports +; reprise às 20h na ESPN)

Uma das coisas mais maldosas que o sorteio da UEFA poderia aprontar aos fãs do futebol. Shakhtar Donetsk e Borussia Dortmund, as duas maiores sensações da fase de grupos da competição, se enfrentando logo nas oitavas de final, garantindo a eliminação de um dos mais simpáticos times da Champions League 2012-13.

Claro, pode-se também dizer que o confronto garante que um deles vai se classificar, mas o Borussia poderia enfrentar Valencia, Celtic, Galatasaray ou Porto. No caminho do Shakhtar poderiam estar o Schalke, ou mesmo um gigante como Juventus, Manchester United e, por que não, Barcelona. As duas equipes deram mostras de que são capazes de superar potências sem abrir mão do estilo de jogo ofensivo e que agrada ao espectador.

No grupo E, o Chelsea, atual campeão, foi eliminado. Ficou atrás do Shakhtar, segundo, e também da Juventus, líder do grupo. A tarefa do Dortmund era ainda mais complicada. Precisava ficar à frente de Real Madrid ou Manchester City, dois milionários que assustam. Ficou na frente dos dois. E com louvor. Três vitórias em casa, uma vitória e dois empates fora. Campanha invicta no grupo da morte. Quem ousaria duvidar de times com essas credenciais?

Infelizmente o sorteio evitou que as duas equipes tivessem a chance de surpreender mais gigantes do futebol europeu. Apenas uma delas poderá manter o sonho de repetir o Porto de 2003-04 e ser um campeão surpresa, de fora do grupinho dos favoritos de sempre. Mas deixemos de lamentar a eliminação de um deles em fevereiro. Hoje é dia de aproveitar um dos jogos mais agradáveis que a UEFA Champions League poderia proporcionar.

Shakhtar Donetsk

O Shakhtar Donetsk já é praticamente campeão ucraniano. Venceu 17 das 18 partidas jogadas, somando 51 pontos em 54 disputados. Marcou 52 vezes e sofreu apenas 9 gols. Com o título nacional quase assegurado, todas as atenções se concentram na competição continental. E a confiança da torcida é alta.

A fase de grupos da Champions League nem havia começado e o Shakhtar já tinha um grande problema: precisaria encarar os imponentes Chelsea e Juventus em busca da classificação. O Grupo E era completado pelo Nordsjælland, da Dinamarca.

Classificação final do Grupo E. (Crédito: reprodução/site da UEFA)

Classificação final do Grupo E. (Crédito: reprodução/site da UEFA)

Os dinamarqueses foram o primeiro desafio dos ucranianos, que, àquela altura de setembro, já se destacavam pelo ótimo desempenho na liga local. O 2×0 da estreia, em casa, não passou de uma vitória normal. Os verdadeiros desafios estavam por vir.

Na segunda rodada, a equipe recheada de brasileiros, como Fernandinho (ex-CAP) e Willian (ex-Corinthians), foi à Itália enfrentar a Juventus, atual campeã italiana. O empate em 1×1 ficou de bom tamanho pela grandeza do adversário, mas a atuação do time de Donetsk faria por merecer a vitória. Principalmente por causa de Willian, eleito Homem do Jogo. Alex Teixeira, ex-Internacional, fez o gol dos visitantes.

Na rodada seguinte, vitória em casa sobre o Chelsea, 2×1. Só brasileiros marcaram: Alex Teixeira e Fernandinho para os ucranianos, Oscar para os ingleses. Com 4 pontos em 2 partidas contra os favoritos do grupo, a situação do Shakhtar ficava mais interessante.

As partidas de volta não foram tão divertidas para os ucranianos. Contra o Chelsea, em Stanford Bridge, um empate encaminharia a classificação para o Shakhtar. Mais uma vez Willian foi o Homem do Jogo. Após Torres abrir o placar, ele empatou. Depois de Oscar colocar o Chelsea de novo na frente, ele igualou tudo mais uma vez. O resultado era ótimo para o Shakhtar, mas, aos 49 do segundo tempo, Moses selou a vitória do Chelsea.

Chelsea, com 7 pontos, e Juventus, com 6, encostaram nos ucranianos, que continuaram com 7. Com o grupo embolado, perder pontos para o Nordsjælland, que tinha um empate e três derrotas, seria um desastre. Mais uma vez Willian foi escolhido Homem do Jogo, desta vez na vitória por 5×2 na Dinamarca. O fato mais marcante da partida, porém, foi o polêmico gol marcado por Luiz Adriano, quando o time da casa vencia por 1×0. O brasileiro ignorou o Fair Play, pegou a bola após chutão de Willian para devolver a posse aos dinamarqueses e marcou o gol de empate. Polêmica à parte, a vitória, somada à goleada da Juventus sobre o Chelsea por 3×0, colocou o Shakhtar nas oitavas de final.

Mesmo com a derrota em casa para a Juventus (1×0), o Shakhtar Donetsk alcançou a fase mata-mata graças ao quarto critério de desempate na disputa com o Chelsea. Empatados nos pontos, no saldo de gols dentro do confronto direto e no número de gols marcados dentro do confronto direto, os dois gols do Shakhtar em Londres foram decisivos, contra apenas um do Chelsea em Donetsk.

Apesar de ter feito grande fase de grupos pelo Shakhtar, o brasileiro Willian preferiu se transferir para o milionário Anzhi Makhachkala, da Rússia, a disputar o mata-mata da Champions League. É, sem dúvidas, a maior baixa da equipe ucraniana. Por outro lado, todos os jogadores do elenco estão disponíveis.

Willian em ação pelo Shakhtar. Ausência importante. (Foto: Sergei Supinsky/AFP)

Willian em ação pelo Shakhtar. Ausência importante. (Foto: Sergei Supinsky/AFP)

Um desafio que as equipes ucranianas sempre precisam enfrentar no início do mata-mata da UCL é o tempo parado. Por causa do inverno rigoroso, a liga ucraniana tem uma longa pausa entre o fim de um ano e o início de outro. A última partida do Shakhtar pelo nacional foi disputada no dia 30 de novembro. Tempo para adaptar o time à ausência de Willian o técnico Mircea Lucescu teve. Vejamos como a equipe vai se sair.

Time-base: Pyatov; Srna, Kucher, Rakitskiy, Rat; Hubschman (Stepanenko), Fernandinho; Alex Teixeira, Mkhitaryan, Taison; Luiz Adriano (Eduardo da Silva). T: Mircea Lucescu

Borussia Dortmund

Em 2011-12, o Borussia chegava à Champions League como campeão nacional e candidato a surpreender. Surpreendeu, mas negativamente. Foi lanterna de um grupo com Arsenal, Olympique de Marseille e Olympiacos. Após a decepção continental, a equipe comandada por Jürgen Klopp deu a volta por cima dentro da Alemanha, conquistando o bi da Bundesliga e o título da Copa.

Para 2012-13, o objetivo principal era bem claro: ultrapassar o sucesso doméstico e ir longe na Champions. Mas o sorteio também não foi generoso com os alemães: caíram no grupo da morte, com Real Madrid, Manchester City e Ajax. Rara combinação de quatro campeões nacionais no mesmo grupo.

Classificação final do Grupo D. (Crédito: reprodução/site da UEFA)

Classificação final do Grupo D. (Crédito: reprodução/site da UEFA)

Havia bastante desconfiança, principalmente por causa da decepção na temporada anterior. Mas o Borussia estava pronto para enfrentar os gigantes. Um pouco porque estava mais maduro. Muito porque agora contava com Marco Reus.

O meia alemão de 23 anos chamou a atenção ao brilhar pelo Borussia Mönchengladbach na temporada 2011-12, levando o clube, que havia disputado o play-off para não ser rebaixado em 2011, ao quarto lugar na Bundesliga. Ainda em janeiro de 2012 sua contratação foi selada, por 17 milhões de euros. Ele acabaria substituindo Kagawa, negociado com o Manchester United.

Torcida e imprensa aguardavam ansiosos pela dupla que Reus formaria com Mario Götze, provavelmente os mais promissores entre as tantas revelações da Alemanha. Reus, logo aos 11 minutos da primeira partida oficial pelo clube, marcou seu primeiro gol com a camisa do Dortmund. Foi na primeira rodada da Bundesliga, na vitória por 2×1 contra o Werder Bremen. Quem fez o gol da vitória? Mario Götze.

Reus e Götze comemoram gol pela UCL. (Foto: Reprodução/bundesliga.com)

Reus e Götze comemoram gol pela UCL. (Foto: Reprodução/bundesliga.com)

Mas, afinal, o assunto é Champions League. E, patinando na Bundesliga e vendo o Bayern disparar na liderança, a pressão por uma boa campanha na competição continental aumentou. Na estreia, em casa, contra o Ajax, provavelmente o pior time do grupo, um susto: vitória magra, por 1×0. O gol de Lewandowski só sairia aos 42 do segundo tempo, aliviando os milhares de integrantes da muralha amarela no estádio.

A segunda partida seria disputada em Manchester, contra o bilionário City. Sem sentir pressão alguma e jogando melhor, o Dortmund saiu na frente com gol de Reus, aos 15 do segundo tempo. Lewandowski teve a chance de ampliar, mas perdeu cara a cara com Joe Hart. O castigo viria nos acréscimos, com gol de Balotelli após pênalti para lá de duvidoso.

Apesar do desapontamento causado pelo empate, a partida elevou a confiança do Borussia. E sobrou para o Real Madrid, que foi derrotado por 2×1 na Alemanha. Gols de Lewandowski, Cristiano Ronaldo e do lateral esquerdo Schmelzer. Após três partidas, o Dortmund era líder do grupo, com 7 pontos, e via a classificação muito próxima, graças ao desempenho ruim do Manchester City.

Reus voltaria a brilhar fora de casa ao abrir o placar contra o Real Madrid na Espanha. Pepe empataria pouco depois, e Arbeloa, ao tocar contra o próprio gol em lance com Götze, colocaria os alemães de novo em vantagem. Mesmo dominando outro gigante, o Dortmund teria mais uma decepção no fim da partida, de novo em lance de bola parada. Özil cobrou falta aos 43 do segundo tempo para empatar o jogo. Mais um empate amargo, que manteria a liderança do grupo em aberto.

A vitória fácil por 4×1 sobre o Ajax na Holanda, aliada ao empate entre City e Real, garantiria o primeiro lugar do grupo aos alemães. Marcaram, na goleada, Reus, Götze e Lewandowski (duas vezes).

Na última partida da fase de classificação, o Klopp pôde se dar ao luxo de escalar um time misto contra o Manchester City na Alemanha. Schieber marcou o único gol da vitória por 1×0.

Sem perspectivas de título na Bundesliga, não se espera do Borussia Dortmund menos que as quartas de final da Champions League. O time já mostrou que pode bater de frente com qualquer equipe da Europa, sem temer ninguém. Chegou a hora de entrar no mata-mata e mostrar mais uma vez que sonhar com o título europeu não é algo tão utópico.

Jürgen Klopp tem problemas par ao confronto de hoje. O zagueiro Subotić, o lateral Schmelzer e o meia Grosskreutz são desfalques certos, o primeiro por lesão, os dois outros por problemas de saúde. A escalação de Gündoğan também é questionável. A principal dúvida é quanto ao substituto de Schmelzer. De positivo há a possibilidade de escalar Nuri Şahin, volante que voltou ao clube após uma temporada no Real Madrid e meia no Liverpool.

Ainda que com desfalques, a postura ofensiva deve prevalecer mesmo jogando na Ucrânia. O Borussia deve buscar o controle da partida. Marcar gols fora de casa é muito importante no mata-mata, e ficar na retranca não é algo que o time alemão gosta de fazer.

Time-base: Weidenfeller; Piszczek, Felipe Santana, Hummels e Bender; Kehl, Gündoğan, Błaszczykowski, Reus e Götze; Lewandowski. T: Jürgen Klopp

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Jornalista. Doente por futebol bem jogado e inimigo de jogadores que desistem da bola para cavar falta e de atacantes "úteis porque marcam os laterais".