Sinal de alerta ligado no Recife: Um raio X do início de ano dos clubes pernambucanos

Sport, Náutico e Santa Cruz começam o ano com o alerta ligado. | Charge em goo.gl/kG6xT

Sport, Náutico e Santa Cruz começam o ano com o alerta ligado. | Charge em goo.gl/kG6xT

POR CAIO FEITOSA

O ano de 2013 está apenas no seu início, mas já demonstra que o tradicional trio pernambucano terá muitas dificuldades para alcançar seus objetivos. Nos Aflitos, a meta é repetir o bom desempenho de 2012 na Série A e chegar longe numa Sul-Americana (ou Copa do Brasil). Na Ilha do Retiro, a grande ambição é o acesso à Série A, enquanto os tricolores sonham com a volta à Série B.

O Clube Náutico Capibaribe começou o ano em vento e popa. Possui elenco com jogadores importantes mantidos (8 titulares renovaram), manteve o treinador Alexandre Gallo e realizou uma pré-temporada de 30 dias. Mas fevereiro foi um mês ingrato para os timbus. Gallo deixou o clube para assumir as seleções brasileiras de base; Araújo, logo após renovar, troca o Náutico pelo Atlético/MG; e, no último sábado, Kieza fez as malas e voou para a China, onde atuará a partir de agora.

Tantas perdas importantes precisam ser repostas. Elton, contestado por onde passou, chegou para o lugar de Araújo. Para o comando técnico foi contratado Vágner Mancini, que acumula uma sequência de péssimos trabalhos, acumulando rebaixamentos no currículo (Guarani em 2010, Ceará em 2011 e Sport em 2012), além de uma pífia passagem pelo Cruzeiro. A falta de reposição à altura somada a um treinador de qualidade duvidosa coloca em xeque todo o projeto alvirrubro para 2013.

Vágner Mancini tem a pesada responsabilidade de substituir seu amigo Gallo. | Foto: Simone Villar.

Vágner Mancini tem a pesada responsabilidade de substituir seu amigo Gallo. | Foto: Simone Villar.


No Sport Club do Recife, as coisas desandam desde a surpreendente eliminação para o Campinense na Copa do Nordeste. O fato em si já é preocupante, afinal um elenco de R$ 2,5 milhões de folha não deveria perder uma classificação em casa para um time da quarta divisão nacional. A eliminação dividiu a direção do clube, pois a diretoria de futebol pretendia dispensar alguns jogadores, inclusive os renomados Hugo e Cicinho, contrariando o presidente Luciano Bivar. A divergência resultou na demissão coletiva de todos do departamento de futebol. Mesmo com o apoio do presidente, o meio-campista Hugo continua sendo o principal alvo das críticas da imprensa e da torcida, principalmente pelo atleta aparentar não estar devidamente compromissado com o clube. Isso ficou mais aparente quando o mesmo declarou publicamente que não está jogando bem por não ter ainda renovado contrato (que vence em junho).

No comando do time, o técnico Vadão parece estar completamente desnorteado. Começou o ano num 4-2-3-1, mudou para o 4-4-2, jogou as quartas da Copa do Nordeste num 4-3-1-2 e estreou no estadual num 4-3-3. Quatro esquemas táticos em nove partidas, número que exemplifica bem a indecisão do técnico quanto ao plano tático a usar na equipe. Mas fora isso, a própria seleção dos atletas é confusa. Marino apareceu de uma hora pra outra no time titular contra o Campinense e no jogo seguinte sequer foi relacionado. Tobi, reserva durante toda a campanha no regional, foi titular e capitão na estreia do estadual. O torcedor rubro-negro espera ver um time titular definido para que possa ganhar entrosamento e evoluir. E, claro, também aguarda pontuais reforços que venham melhorar o plantel.

Comissão técnica e diretoria vêm sendo questionados pela torcida rubro-negra. Elenco caro não rende o esperado. | Foto: Diego Nigro.

Comissão técnica e diretoria vêm sendo questionadas pela torcida rubro-negra. Elenco caro não rende o esperado. | Foto: Diego Nigro.


Já no Santa Cruz Futebol Clube a carência maior é de dinheiro. Clube com orçamento muito reduzido se traduz num grupo com grande deficiência técnica. É nítida a falta de qualidade em alguns atletas titulares da equipe. O time não possui laterais com um mínimo de qualidade, o meio é completamente dependente do garoto Natan, que possui sério histórico de lesões. A esperança toda do time atende por Dênis Marques e sua boa média de gols no time tricolor, o que em 2012 provou ser insuficiente para trazer o acesso para a Série B. Com um elenco mais modesto que o do ano passado, a preocupação aumenta.

Tantos insucessos e um vexame em casa contra o Fortaleza pelo Nordestão retiraram a paciência do torcedor coral, fato comprovado pelo péssimo público do Arruda no jogo contra o Pesqueira, com míseros 8 mil torcedores, muito pouco para a fama do torcedor tricolor de sempre estar no estádio apoiando o time. E boa parte dos que foram, estavam lá para criticar time, diretoria e principalmente o treinador Marcelo Martelotti. Pelas carências claríssimas do elenco, as críticas ao treinador soam até certo ponto injustas. Santa precisa, com urgência, abrir um pouco os cofres, ter um pouco de ousadia e reforçar seu elenco. Com este plantel, não chegará a lugar algum, apenas acumulará mais decepções para sua calejada torcida.

Dênis Marques, o artilheiro, e Natan, a ilha de criatividade: principais esperanças do Tricolor. | Foto: Altemar Carneiro/Pernambuco Press.

Dênis Marques, o artilheiro, e Natan, a ilha de criatividade: principais esperanças do Tricolor. | Foto: Altemar Carneiro/Pernambuco Press.

O ano está somente no início. A Copa do Brasil começa em abril e o Brasileiro em maio. Ainda há tempo para reparar os erros e entrar nos trilhos. Mas o sinal de alerta precisa estar ligado e os problemas apresentados devem ser corrigidos logo. Caso contrário, fracassos e rebaixamentos serão a tônica geral do futebol pernambucano.

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Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.