Swansea City é campeão da Copa da Liga Inglesa

  • por Raniery Medeiros
  • 6 Anos atrás
Swansea goleia Bradford

Swansea goleia Bradford

 

Festa no País de Gales
POr: Raniery Medeiros

É campeão!!!

O título da Copa da Liga Inglesa, temporada 2012/2013, vai para o Swansea City. Neste domingo, a equipe comandada por Michael Laudrup aplicou sonoros 5×0 diante do Bradford City. 

Desde 1923, um time Galês não conquistava um título de copas. E, justamente em seu centenário, o Swansea viu o sonho se tornar realidade. Outrora, “The Swans” já haviam levantado canecos das divisões inferiores na Inglaterra, mas nada comparado ao feito de hoje.

Com a política pés no chão, o Presidente Huw Jenkins elaborou um planejamento a longo prazo que visava a difundir uma nova filosofia dentro do Liberty Stadium. Para isso, chamou o hoje técnico do Liverpool Brendan Rodgers como gerenciador, técnico e idealizador do projeto. 

Voltando à divisão de elite da Premier League após 28 anos de muito sofrimento, a teoria seria colocada em prática em 2011. Controle da posse de bola, velocidade na saída de jogo, passes curtos, compactação defensiva e tranquilidade na hora de inverter jogadas deram o tempero especial para “The Jacks”. 

O fruto do bom trabalho veio com a 11ª colocação no ano passado. Para quem acompanha de longe, pode parecer insatisfatório. Mas, diante do cenário econômico poderoso de grandes equipes, foi um resultado grandioso. Principalmente pela forma dinâmica de jogar. Brendan Rodgers, após boa campanha, rumou em direção ao Liverpool, mas deixou o legado que deveria ter continuidade.

Sucessor de Rodgers, Michael Laudrup precisava se firmar no mercado como treinador. Seria preciso algo maior do que o vice-campeonato da Copa do Rei de 2008 com o Getafe. Sendo assim, manteve o padrão tático, remodelou o esquema e trouxe jogadores pontuais.

Michael Laudrup em sua chegada ao time

Michael Laudrup em sua chegada ao time



O dinamarquês resolveu apostar em atletas vinculados ao futebol espanhol (seleção da moda). Trouxe Miguel Michu para ser o seu homem-gol. Pablo Hernández veio com incumbência de organizar, ao estilo espanhol, as jogadas do time. Já Jonathan de Gúzman chegou para dar consistência e controle de bola. Pronto! Elenco montado e sem estrelas mostra-se organizado.

A boa campanha na liga local e o bom momento de Michu chamaram a atenção de grandes clubes da Europa. Foi sem fazer barulho, e jogando bola, que o desconhecido tornou-se, de certa maneira, exemplo para equipes menores.

A Copa da Liga Inglesa tem o prestígio diminuído por boa parte das equipes. Tanto que muitas enviam seus elencos reservas para a disputa do torneio. Porém Laudrup pensava diferente. O planejamento teria de passar por ideias e ideais ousados. 

Reverberando o ótimo padrão em campo e dando importância ao torneio. Foi assim que o Swansea eliminou, um a um, os seus adversários. 

Nas fases mais agudas, despachou o Liverpool em pleno Anfield Road por 3×1 e, nas semifinais, surpreendeu ao eliminar o poderoso Chelsea. 

O impacto na vitória sobre os “Blues” foi enorme. Sob o comando e a batuta de Michu, venceram, por 2×0 em Stamford Bridge, a partida de ida. Na volta, o placar não saiu do zero. O detalhe mais inusitado dessa partida ficou por conta da agressão de Hazard (Chelsea) sobre um gandula que se recusava a devolver a bola. Cômico!

Final marcada para hoje. O Lendário estádio de Wembley recebeu 82.597 espectadores para, digamos assim, assistirem à final “alternativa” entre Swansea e Bradford. Os galeses vivenciando bom momento na primeira divisão. Já os “Bantams” amargam a triste quarta divisão. 

Bom espetáculo e final equilibrada? Não mesmo. O espetáculo, sim, surgiu durante os 90 minutos da partida. O equilíbrio não existiu nem por um segundo. Vimos um verdadeiro show de ataque, um atropelo praticado pelo time de Laudrup. Inapeláveis 5×0.

Michu (9) deixou a sua marca na final

Michu (9) deixou a sua marca na final


No primeiro tempo a vantagem já estava em 2×0. Gols de Michu e do baixinho Nathan Dyer. O próprio Dyer fez o terceiro gol e, instantes depois, provocou uma cena inusitada. Após a marcação de pênalti em favor do seu time, Dyer quis bater a penalidade. Só que o encarregado era De Gúzman. Os dois ficaram lá, discutindo por dois minutos. Até o árbitro teve de intervir e acalmar os “valentões”. Me perdoem, mas a cena foi engraçada.

Dyer e De Guzman discutindo

Dyer e De Guzman discutindo



Após marcar o quarto gol, o mesmo De Gúzman fez o quinto e, como diz o ditado: fechou a conta e passou a régua. Campeão! O planejamento, pode-se assim dizer, já rendeu frutos.

Campeão!!!

Campeão!!!

MENÇÃO HONROSA


Não é nada fácil para um time de quarta divisão, desacostumado aos grandes jogos, entrar em Wembley lotado e superar o nervosismo que o cotejo anunciava.

O Bradford eliminou grandes equipes antes de chegar à grande decisão. Arsenal, Wigan e Aston Villa sucumbiram diante de um time que, como disse o seu treinador Stuart McCall, jogou pelo seu “povo”.

Tal citação veio durante uma entrevista coletiva, após ser perguntando sobre o desastre de Valley Parade. No dia 11 de Maio de 1985, um incêndio de proporções gigantescas matou 56 pessoas e deixou 265 feridos no estádio Valley Parade, casa do Bradford. O jogo contra o Lincoln City não passava de uma festa pelo acesso à segunda divisão. Ficou marcado na memória da cidade e dos que, até hoje, relembram com tristeza o ocorrido.

O Valley Parade durante o incêndio de 1985

O Valley Parade durante o incêndio de 1985



Ficam os aplausos para os guerreiros de Bradford. 

CAMPANHA DO SWANSEA

SEGUNDA RODADA: Swansea 3×1 Barnsley 
TERCEIRA RODADA: Crawley Town 2×3 Swansea
OITAVAS DE FINAL: Liverpool 1×3 Swansea
QUARTAS DE FINAL: Swansea 1×0 Middlesbrough
SEMIFINAIS: Chelsea 0x2 Swansea – IDA / Swansea 0x0 Chelsea – VOLTA
FINAL: Swansea 5×0 Bradford (Estádio de Wembley)

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