Thomas Müller, um subestimado.

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 7 Anos atrás

Os subestimados da bola.

Existe uma classe de jogadores que, mesmo brilhando em várias temporadas seguidas, não tem o justo reconhecimento da mídia e dos seus pares na hora das premiações individuais. Pensando nisso, uma vez por mês o site fará um texto sobre um jogador que decide jogos e brilha em competições, mas mesmo assim é deixado de lado por torcedores e analistas e preterido por treinadores. Começamos com Thomas Müller, do Bayern e da seleção da Alemanha!

 

O começo da carreira no Bayern.

Nascido em 1989, Müller passou 7 anos de sua carreira pelo TSV Pähl, antes de se juntar ao Bayern B, em 2008. Fez apenas 3 partidas pela equipe, na reta final da temporada 2007/08 e marcou um gol, justamente na sua temporada de estreia. Na 2008/09, fez 32 jogos pelo Bayern B e 15 gols, além de 5 partidas pelo Bayern, com 1 gol, sendo esse marcado na goleada de 7×1 sobre o Sporting, no jogo de volta pelas oitavas de final de Liga dos Campeões. Ao fim dessa temporada, assinou contrato para defender o time principal do Bayern e deu início à sua carreira já de forma avassaladora.

No renovado time do Bayern para a disputa da temporada, além do treinador Van Gaal e de Müller, chegaram Robben, Tymoshchuk e Gomez, além de outros reforços menores e free agents, totalizando quase € 79.7 milhões em gastos. Era time para voltar a ganhar a Bundesliga e para avançar na Champions, sonho da torcida alemã.


E Müller voou nesse time, com 19 gols marcados na temporada e 16 assistências, tendo participação direta em 35 gols da equipe na temporada e sendo, em números, o jogador mais efetivo do clube que ganhou a Bundesliga, Copa da Alemanha e chegou à final da Liga dos Campeões. O time perdeu para a Inter, mas Müller já tinha garantido sua vaga no grupo que disputaria a Copa do Mundo e era apontado por todos como um dos principais candidatos à revelação da Copa do Mundo.

Müller é marcado por Maicon na final da Champions 2009/10

Müller é marcado por Maicon na final da Champions 2009/10

 

A Copa do Mundo de 2010 e a afirmação de Müller.

Convocado por Löw, Müller foi titular desde o início da competição, jogando aberto pelo lado direito na linha de três meias, tendo Özil pelo centro e Podolski à esquerda, com Klose de centroavante. E já na estreia o time mostrou a que vinha, enfiando 4×0 na Austrália, com um futebol baseado em troca de posições, aproximação e jogadas pelos lados do campo. Müller deu uma assistência e fez um gol na vitória da equipe alemã:

 

Müller chuta para marcar o terceiro da Alemanha na goleada por 4x0.

Müller chuta para marcar o terceiro da Alemanha na goleada por 4×0.

No segundo jogo da competição, a Alemanha perdeu para a Sérvia, em uma partida em que Klose foi expulso aos 37 minutos do primeiro tempo e Podolski perdeu uma penalidade. Na última rodada da fase de grupos, Müller mais uma vez apareceu, após fazer boa jogada com Lahm e achar Özil na entrada da área. O camisa 8 da Alemanha dominou e soltou a bomba, no ângulo de Kingson. Alemanha classificada em primeiro no grupo D.

 

Müller comemora o gol da vitória contra Gana.

Müller comemora o gol da vitória contra Gana.

Pelas oitavas de final, a Alemanha encararia a Inglaterra, no jogo mais aguardado do mundial até o momento. E Müller esteve brilhante nesse jogo, fazendo 2 gols e dando uma assistência para Podolski. Klose e Upson (para a Inglaterra) completaram o placar. 4×1 para os alemães, fora o baile. O time de Löw era considerado um dos favoritos ao título da competição.

 

 

Müller finaliza para marcar um dos seus 2 gols contra a Inglaterra.

Müller finaliza para marcar um dos seus 2 gols contra a Inglaterra.

E o favoritismo foi confirmado nas quartas de final, após o time atropelar a Argentina de Maradona, um sonoro 4×0. Müller fez um gol no jogo, mas os destaques foram Klose e Schweinsteiger. A nota triste ficou pela suspensão de Müller para o confronto contra a Espanha pela semifinal, após um toque de mão completamente involuntário, mas que foi interpretado pelo árbitro como intencional, valendo a Müller um cartão amarelo.

 

 

Müller escora cruzamento para abrir o placar contra a Argentina.

Müller escora cruzamento para abrir o placar contra a Argentina.

 

Müller ficou fora da semifinal contra a Espanha. A Alemanha foi derrotada por 1×0, em um jogo que o time de Löw nem de longe lembrou a equipe insinuante e mortal nos contra-ataques. Na disputa pelo terceiro lugar, Müller abriu o placar para a Alemanha, que venceu o Uruguai por 3×2. A jovem estrela terminava a Copa do Mundo com 5 gols, 3 assistências, Chuteira de Ouro e Revelação da Copa.

 

A volta ao Bayern.

Após a Copa do Mundo, Müller voltou ao Bayern, que era favorito ao título da Bundesliga e considerado um dos times que poderiam incomodar o Barcelona de Guardiola na Champions. Mas não aconteceu nenhuma coisa nem outra, já que o Bayern terminou apenas em terceiro na Bundesliga – o Borussia Dortmund levou o título – e caiu nas oitavas de final da Champions, após vencer a Internazionale no jogo de ida, mas perder a classificação em casa com um gol sofrido aos 43 do segundo tempo. Van Gaal foi demitido em abril, o Bayern naufragou, mas Müller fez 19 gols e deu 15 assistências na temporada. A equipe terminou sem títulos.

Para a temporada 2011/12, o Bayern trouxe de volta o treinador Jupp Heynckes e alguns jogadores, entre eles Neuer – titular da Alemanha – e outros menos reconhecidos, como Rafinha e Boateng, mas que jogaram grande número de partidas durante a temporada. Müller perdeu espaço para Kroos na equipe titular, passando a ser o 12º jogador da equipe, ora escalado no lugar de Robben pelo lado direito, ora escalado no lugar de Kroos como meia central. Mesmo sem ser titular, entrou em campo 53 vezes na temporada, fez 11 gols e deu 20 assistências, só ficando atrás de Ribéry neste último quesito. O Bayern virou o turno líder na Alemanha, avançou com tranquilidade na Champions – mesmo no grupo mais difícil da primeira fase – e era considerado um dos favoritos ao título continental. Mas na primeira metade do segundo turno da Bundesliga, a equipe foi mal e acabou ultrapassada pelo Dortmund, para não mais alcançar o time de Klopp. Na final da Copa da Alemanha, novamente o Dortmund pela frente e um 5×2 na decisão deu aos comandados de Klopp o título da competição.

Mas foi na Champions a derrota mais dolorosa, pois a equipe perdeu a final para o Chelsea dentro de sua casa. Após a suspensão de Luiz Gustavo, Kroos foi recuado para fazer a volância ao lado de Scheweinsteiger e Müller foi titular, atuando pela faixa central do campo. Em um jogo amarrado e de poucas oportunidades, o camisa 25 abriu o placar aos 83 minutos de jogo e foi substituído aos 87′, apenas para ver Drogba empatar aos 88. Müller ainda veria Robben desperdiçar uma penalidade no tempo extra e sua equipe cair nos penais após estar vencendo a disputa até a penúltima série de cobranças, quando Olic e Scheweinsteiger desperdiçaram e deram o título ao Chelsea.

Müller cabeceia para vencer Cech e abrir o placar na final da Champions 2011/12

Müller cabeceia para vencer Cech e abrir o placar na final da Champions 2011/12

A disputa da Euro.

Para a disputa da Euro 2012, novamente a Alemanha chegava como uma das favoritas, ao lado da Espanha. E a campanha na fase de grupos ratificou ainda mais o favoritismo, com 3 vitórias em 3 jogos, no considerado ”grupo da morte”. Müller foi titular nos três jogos, mas nas quartas perdeu a vaga para Reus. Na semifinal, Kroos foi o titular pelo lado direito do campo e Müller viu, do banco, Balotelli fazer dois gols para a Itália. Müller entrou na segunda metade do segundo tempo, mas pouco pôde fazer para evitar a eliminação.

A atual temporada.

Com as contratações de Dante e Javi Martinez, o Bayern fortaleceu seu setor defensivo para a atual temporada, com apenas 7 gols sofridos em 22 jogos na Bundesliga. Müller tem atuado pelo lado direito do campo na maioria das partidas, em substituição a Robben, que está machucado. Mas já jogou várias partidas por dentro e até pelo lado esquerdo do ataque, mas sempre entre os titulares. Começou como titular em 19 das 22 partidas do Bayern na Bundesliga e em 5 das 6 partidas do clube na Liga dos Campeões. E mais uma vez está voando, com 15 gols até o momento na temporada. Também lidera a tábua de assistências na Bundesliga, com 9 passes para gol.

Müller voltou a mostrar seu lado decisivo, ao fazer o primeiro gol da Alemanha no seu último amistoso, contra a França, aos 7 minutos do segundo tempo. Khedira fez o gol da vitória alemã aos 74 minutos de jogo, encerrando os seguintes tabus: 25 anos sem vitória da Alemanha sobre a França, 6 jogos de invencibilidade da França e mais de 80 anos sem vitória alemã em território francês. Müller recebeu passe de Gundogan e bateu na saída de Lloris, mostrando toda sua capacidade de finalização.



Técnica e plasticamente, Müller não tem o mesmo repertório de Reus, Götze e Özil, mas vem jogando de forma excepcional desde sua promoção ao time principal do Bayern, sempre como um dos melhores e mais importantes jogadores da equipe. Esperamos que a partir dessa brilhante temporada, tenha seu justo reconhecimento.

Até a próxima!

Comentários

33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.