Uma final para a história: Liverpool 5×4 Alavés

  • por Victor Gandra Quintas
  • 6 Anos atrás

Por Sergio Rocha

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Em 2005, o público presente no estádio Atatürk Olympic Stadium, em Istambul, assistiu a uma das maiores finais da história da Liga dos Campeões: Milan e Liverpool ficaram no empate em 3 a 3 após os italianos abrirem 3 a 0 no primeiro tempo. No entanto, o time inglês venceu nos pênaltis.

Anos antes, porém, os Reds faziam uma final tão emocionante quanto essa, contra um time pequeno da Espanha, não acostumada aos holofotes: o Deportivo Alavés, que debutava em competições europeias chegando à final da Copa UEFA.

O ano era 2001 e o Liverpool tinha batido Rapid Bucareste (1×0 no agregado), Slovan Liberec (4×2), Olympiacos (4×2), Roma (2×1), Porto (2×0) e Barcelona (1×0). O time tinha uma defesa que quase não sofria gols, porém o ataque também economizava.

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Foto: stlreds.org – A torcida encheu as arquibancadas do Westfalenstadion, em Dortmund.

O Westfalenstadion, em Dortmund, receberia a grande final, com amplo favoritismo para o time inglês, que naquela temporada já havia faturado a FA Cup (dias antes) e a Copa da Liga Inglesa e voltava à final de uma competição europeia depois da punição da tragédia de Heysel, em 1985.

O azarão Deportivo Alavés tinha classificado-se para a Copa UEFA após uma temporada surpreendente no campeonato espanhol da temporada anterior, quando terminou em 6º lugar. O time espanhol levava cerca de 32.000 torcedores/simpatizantes ao estádio, segundo o Marca.

O Alavés não economizava em gols naquela competição: 5×3 no Lillestrom, 4×2 no Rosenborg, 5×3 na Internazionale, 4×2 no Rayo Vallecano e 9×2 no Kaiserslautern nos placares agregados. A média do time, assim, tinha sido de 2,7 gols marcados por jogo nas fases anteriores.

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Foto: Reprodução – O time do Alavés queria mostrar o motivo de estar na final.

Quando a bola rolou, em 16 de maio de 2001, os primeiros lances levavam a crer que o favoritismo inglês iria ser facilmente confirmado. Logo aos 3 minutos de jogo, Gary McAllister cobrou a falta na cabeça de Markus Babbel, que tocou a bola no canto direito do goleiro argentino Herrera e abriu o marcador.

13 minutos depois, Michael Owen deixou Steven Gerrard na cara do gol. Era o segundo tento inglês, evidenciando o domínio que a equipe do Liverpool tinha até aquele momento do jogo.

O uruguaio Ivan Alonso, que acabara de entrar no lugar do norueguês Dan Eggen, diminuiu aos 26 após cabeçada em cruzamento do romeno Cosmin Contra. O Alavés começava a ter esperanças no jogo e continuou atacando até o fim do primeiro tempo, propiciando contra-ataques à equipe do Liverpool.

Em um desses contra-ataques, ainda no primeiro tempo, Owen recebeu a bola e ainda fora da área driblou o goleiro Herrera, que teve que fazer a falta já dentro da área. McAllister bateu o pênalti e fez seu segundo gol na partida, definindo o marcador do primeiro tempo: 3×1 Liverpool.

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Foto: Agência Getty – Liverpool e Alavés duelando pelo título da Copa UEFA 2001.

O Alavés começou o segundo tempo em ritmo fulminante. Aos 5 minutos, a partida estava empatada, com dois gols do artilheiro Javi Moreno. Logo aos 2 minutos, ele escorou o cruzamento do romeno Contra e diminuiu. Aos 5, cobrou uma falta que passou por baixo da barreira e enganou o goleiro holandês Westerveld.

Aos 27 minutos do segundo tempo, o inglês Robbie Fowler, que havia entrado no lugar de Emile Heskey, recebeu passe de McAllister, cortou dois marcadores e bateu no canto esquerdo de Herrera, colocando os ingleses na frente mais uma vez. Era uma grande final. O Alavés foi com tudo ao ataque. Coube a Jordi Cruyff levar o jogo para a prorrogação, após cabecear cobrança de escanteio entre três zagueiros, aos 43 do segundo tempo.

No último minuto de jogo, um lance polêmico: Contra teria sido derrubado na área por Gerrard. O árbitro francês Gilles Veissière, porém, não viu dessa forma e preferiu encerrar o tempo normal.

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Foto: stlreds.org – As equipes se preparando para a prorrogação.

Na prorrogação, nada de importante aconteceu até os 8 minutos, quando o brasileiro Magno recebeu o segundo cartão amarelo por falta em Babbel e foi expulso. Reduzido a 10 jogadores, o Alavés só se defendia deixando o Liverpool pressionar bastante, principalmente no início da segunda etapa, quando o goleiro Herrera foi obrigado a trabalhar. Fowler, impedido, ainda balançou as redes, em gol anulado pela arbitragem.

A 5 minutos do final do tempo extra, Antonio Karmona também foi expulso por falta em Vladimir Smicer. Os guerreiros espanhóis em campo agora eram apenas nove, fazendo o jogo de suas vidas.

Faltando 2 minutos para o fim do jogo, falta para o Liverpool. McAllister cobrou e o espanhol Delfí Geli cabeceou contra as redes, vencendo Herrera. Jogadores do Alavés instantaneamente colocavam as mãos na cabeça. Não havia mais chance alguma de reação. Era o gol de ouro para os ingleses. Era o fim do sonho espanhol.

Os gols da partida:

No jornal espanhol Marca, Fernando Carnerero escreveu, no início de sua crônica, intitulada “Heroes”, o que boa parte do mundo pensava após o jogo: “¡Qué pena! ¡Qué injusto es el fútbol en algunas ocasiones!”

Foi o terceiro título da Copa UEFA conquistado pelo Liverpool, empatando com Internazionale e Juventus. Gary McAllister foi eleito o homem do jogo pela UEFA. No outro dia, as manchetes dos jornais mundiais se dividiam entre celebrar a “tríplice coroa” do Liverpool e vangloriar os jogadores do Alavés, que foram mais longe do que qualquer um podia sonhar no início da temporada.

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Hoje, o Liverpool segue em um certo marasmo, tentando voltar à disputa da Liga dos Campeões e aos tempos de glória de outrora. O Alavés, por sua vez, disputa a Segunda División B, equivalente ao terceiro nível do futebol espanhol.

Após quase 12 anos, uma coisa qualquer amante do futebol pode afirmar: nunca houve outra final como aquela.

Jogo Completo:

Sobre a partida:

UEFA CUP (Copa da UEFA – Liga Europa), Final

LIVERPOOL – ALAVÉS

16 de maio de 2001
Local: Westfalenstadion – Dortmund, Alemanha
Árbitro: Gilles Veissière (França)

LIVERPOOL: (1) Westerveld; (6) Babbel, (12) Hyypiä, (2) Henchoz – (7) Šmicer, (23) Carragher; (16) Hamann, (12) Gerrard, (21) McAllister, (13) Murphy; (8) Heskey – (9) Fowler, (10) Owen – (15) Berger
Técnico: Gérard Houllier

ALAVÉS: (1) Herrera, (2) Contra, (5) Karmona, (6) Téllez, (4) Eggen – (19) Iván Alonso, (7) Geli; (15) Tomić, (16) Desio, (14) Cruyff, (18) Astudilo – (11) Mocelin; (9) Moreno – (10) Pablo
Técnico: Mané

Gols: (Liverpool) Babbel 3′; Gerrard 16′; McAllister 40′ (pen.); Fowler 72′; Geli 116′ (o.g.) – (Alavés) Alonso 26′; Moreno 47′, 49′; Cruyff 88′

Comentários

Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).