A droga do futebol

  • por Tarcilla Honório
  • 6 Anos atrás
usa soccer

Foto: Reprodução

Era junho de 1994. Aquele foi um mês diferente. Eu só tinha nove anos, “tanta experiência”… mas aquele mês marcou.
Que diabos eram esses jogos diferentes, que faziam todos da cidade parar pra assistir?

– Copa do mundo? O que é isso?

Eu não fazia a menor ideia da dimensão do espetáculo. Mas como foi divertido!

O clima era sensacional. Euforia, pessimismo, os mais velhos comentando que ia dar tudo errado de novo, jogadores comemorando gols como se estivessem embalando bebês…

– Porra! Expulsaram Leonardo? Mas a cotovelada foi sem querer (ingenuidade de criança)! Juiz ladrão! E agora? Será que Branco vai dar conta? Sei lá… ele parece meio gordinho, fora de forma… Acho que o Brasil vai sentir.

Brasil x Camarões foi um jogaço! Por que eu me lembro disso? E o jogo contra a Holanda, que sofrimento… E Branco, hein? Ele deu conta! Contra a Suécia também foi sofrido. Mas, poxa, final nos pênaltis? Enfarto coletivo…

Acho que a Copa do Mundo de 1994 foi uma conspiração, criada, nos seus mínimos detalhes, para fazer uma geração se apaixonar pelo futebol e viver em busca de repetir todas as emoções sentidas durante aquele mês de competição. Já se passaram 19 anos. Estou velha, mas as memórias estão aqui. Todas elas.

Tenho a sensação de que futebol tem efeito parecido com entorpecentes. Um dia, ele te causa algum prazer enorme, alguma euforia, e, depois disso, você está sempre buscado uma experiência parecida, ou melhor.

A Copa do Mundo de 1994 foi o que me fez ficar encantada por esse mundo. Nesses quase vinte anos, eu já consegui repetir essa sensação tantas vezes… Em muitas delas, nem era o meu time jogando. Eram simplesmente esses 22 e uma bola. Mas mexe… Mexe mesmo.

Nem precisa ser uma final de Copa do Mundo entre as maiores seleções. Basta o sofrimento, a sensação de impossível. Vou citar um jogo: pra fugir do óbvio, que corintiano esquece o Corinthians x Cianorte de 2005? Não importa se mais na frente teve um Figueirense. Aliás, 2005 foi um ano cheio. Alguém conseguiu assistir estático à “Batalha dos Aflitos”? Impossível!

Sabe, eu entendo quem não goste, só não entendo quem não entende quem goste. Pra ser apaixonado, não tem pré-requisito. Criança ou adulto, homem ou mulher. E eu realmente não compreendo porque causa tanto espanto saber que mulheres se interessam por futebol. Por isso, hoje, Dia da Mulher, a minha homenagem vai para o futebol, esse esporte capaz de conquistar pessoas dos mais variados tipos, gostos, idades, países, classe social…

E você? Quando foi a sua primeira dose? Conte sua história. Compartilhe conosco o seu momento marcante.

Comentários

Tem uma versão minha por aí que costuma ser uma advogada bem apaixonada pelo Direito. Mas, nas horas vagas, some e dá lugar a uma doente por futebol que nem se lembra quando foi contagiada. Corinthiana desde pequena. Já pude presenciar uns belos momentos desse esporte louco e inexplicável. Então, vamos trocar figurinhas...