A redenção de David Villa

  • por Victor Mendes Xavier
  • 8 Anos atrás

David Villa viveu um período infernal no Barcelona. Após retornar de uma lesão que o tirou dos gramados por quase oito meses, o Guaje se viu rebaixado à terceira opção do ataque barcelonista, sendo muitas vezes preterido por Alexis Sánchez e Tello. Não obstante, ele ainda sofreu uma lesão muscular no final de janeiro, justamente no período no qual parecia restabelecer sua moral com Tito Vilanova (ou Jordi Roura, se preferir). Sua saída era iminente. De acordo com a imprensa espanhola, houve muito assédio de Arséne Wenger, treinador do Arsenal, para levá-lo a Londres ainda em janeiro.

No entanto, aos poucos o treinador do Barça percebeu a necessidade de ter um atacante como Villa em seu esquema, que contava com um meio-campista deslocado ao setor mais ofensivo do 4-3-3. Com Pedro em má fase, a Messi-dependência ficou clara. E, após as derrotas para Milan e Real Madrid, a presença do Guaje passou a ser cobrada. Em enquete promovida pelo Diário Sport logo após a eliminação na Copa do Rei para o maior rival, quase 87% dos votantes queriam Villa como titular nos jogos seguintes. E ele mostrou por que ainda tem bola para figurar no onze inicial pelas próximas temporadas.

Na partida seguinte, contra o Sevilla, o camisa sete foi essencial para a construção da vitória apertada. Primeiro porque, escalado como centroavante, testou firme um cruzamento de Daniel Alves e empatou a partida. Segundo porque, de acordo com as estatísticas pós-jogo, ele foi quem mais chutou às redes de Beto. Estava claro que para furar retrancas semelhantes à que a equipe andaluza montou (mas não tão feroz quanto a do Milan no San Siro), Villa seria necessário.

O Guaje ratificou sua volta à boa fase na Catalunha na partida decisiva contra o Milan. Roura optou por centralizá-lo, deslocando Messi à ponta direita do ataque, mas com liberdade para concluir as jogadas no centro, como o seu primeiro gol mostrou. Villa foi importante taticamente, puxando os defensores rossoneros para longe do camisa 10 e dando liberdade ao argentino. Faltava um gol, que saiu na segunda etapa. Após recuperação de Mascherano, Xavi acionou o Guaje, que chutou com categoria no canto de Abbiatti. A comemoração com raiva foi um sinal de redenção para quem parecia muito próximo deixar o Barcelona.

Ontem, contra o Rayo Vallecano, no fechamento da rodada 28, Villa fez sua melhor partida na temporada. À esquerda do ataque, o atacante se movimentou bastante, mostrou uma letal conexão com Messi, a quem assistiu duas vezes, e deixou sua marca após assistência do argentino. Messi à parte, o Guaje foi o melhor em campo e saiu do Camp Nou ovacionado pelos culés. Em momento decisivo na Champions League, em que os blaugranas irão enfrentar o PSG de Ibrahimovic, Tito Vilanova, que retorna na próxima semana, sabe que poderá contar com Villa, mais confiante a cada jogo e de volta a um grande momento.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.