A última glória do Leão

  • por Henrique Souza
  • 8 Anos atrás
Foto:globoesporte.com - O capitão Durval ergue a taça para fazer história

Foto:globoesporte.com – O capitão Durval ergue a taça para fazer história

O ano de 2008 está na memória de qualquer torcedor do Sport. O time pernambucano venceu a Copa do Brasil e se tornou o primeiro clube nordestino a ganhar a competição na história. Valendo-se do mando de campo como poucos, o Sport soube transformar a Ilha do Retiro num legítimo caldeirão, construindo boas vantagens na ida ou revertendo diferenças nos jogos de volta.

Em 2007, após vencer o Campeonato Pernambucano e cair nas oitavas da Copa do Brasil, o Sport terminou o Brasileirão na 14ª colocação, apenas duas posições acima da zona do rebaixamento. No ano seguinte, apostando na base da temporada anterior, o time trouxe Nelsinho Baptista para treinar o rubro-negro. Nelsinho, vindo de um rebaixamento com o Corinthians no último Campeonato Brasileiro, foi visto inicialmente com desconfiança pelos torcedores pernambucanos.

Mas o técnico soube superar os temores dos rubro-negros. Ganhou o campeonato pernambucano com folga, vencendo os dois turnos e sendo campeão por antecipação. Na Copa do Brasil, passou tranquilamente pelo Imperatriz-MA, na primeira fase, após um empate por 2×2 fora de casa na ida e uma vitória fácil por 4×1 na Ilha do Retiro. Na segunda fase, duas vitórias sobre o Brasiliense, por 2 a 1 fora e 4 a 1 em casa classificaram o Leão para as oitavas-de-final, contra o Palmeiras.

Contra o alviverde, todos imaginavam que a caminhada do Sport na Copa do Brasil se encerraria. Na ida, o Palmeiras esbarrou na forte marcação rubro-negra e em mais uma boa apresentação de Magrão, que ajudaram o Sport a segurar o empate em 0x0 no Parque Antártica, apesar da pressão palmeirense. Na volta, em noite mágica de Romerito, o Leão venceu por 4×1, esmagando o adversário. O meia, com três gols, e Dutra, marcaram os gols do Sport. Alex Mineiro descontou para os paulistas.

Nas quartas, contra o Internacional, o Sport já era visto com mais respeito, principalmente devido à força mostrada em seus domínios. Mesmo assim, os gaúchos, com um time forte, contando com nomes como Alex, Nilmar, Fernandão e Guiñazu eram os favoritos. No Beira-Rio, na primeira partida, com um gol de Alex, o colorado confirmou o favoritismo e venceu os pernambucanos por 1×0. No jogo de volta, o Sport mais uma vez fez valer o fator casa e impôs uma derrota por 3×1 ao Internacional. Esta foi uma das mais emocionantes partidas da campanha. O Leão vencia por 2×1, gols de Leandro Machado e Roger, enquanto Sidnei havia feito para os visitantes (resultado que desclassificava o Sport), quando Durval mandou uma bomba e marcou belo gol aos 33 minutos do segundo tempo e classificou os pernambucanos para as semifinais.


Na fase seguinte, o Vasco da Gama. Pela primeira vez na competição, o Sport decidiria fora de casa. Na Ilha do Retiro, no primeiro jogo da semifinal, o rubro-negro construiu a vitória ainda no primeiro tempo, com gols de Jorge Luiz (contra) e Daniel Paulista. Na partida de volta, o Sport conseguiu segurar os cariocas na primeira metade do jogo, mas, na etapa final, o Vasco devolveu a derrota sofrida em Recife, com gols de Leandro Amaral e Edmundo já no fim do jogo. Empatados na soma das partidas, Sport e Vasco tiveram que decidir a vaga na final nos pênaltis. Pelos pernambucanos, Luisinho Netto, Fábio Gomes, Magrão, Dutra e Carlinhos Bala marcaram, enquanto pelo Vasco, Edmundo passou de herói a vilão ao desperdiçar a primeira cobrança. De nada adiantou Leandro Amaral, Tiago, Leandro Bonfim e Wagner Diniz converterem. O Sport venceu por 5×4 e garantiu presença na final contra o Corinthians.

Na final, o Sport precisou superar o desfalque de Romerito. Emprestado ao Leão pelo Goiás, o contrato do meia venceu antes da realização da primeira partida, o que impediu o atleta de atuar pelo time. O jogo de ida, em São Paulo, no Morumbi, teve um Corinthians pressionando o Sport desde os primeiros momentos, desnorteando os rubro-negros. A pressão corintiana deu resultado, e aos 25 minutos de partida o alvinegro já vencia por 2×0, gols de Dentinho e Herrera. Virando o primeiro tempo perdendo por dois gols, Nelsinho Baptista adiantou o Sport e o time pernambucano melhorou na segunda etapa. Mas o Corinthians voltou a marcar com Acosta, abrindo 3×0 e quase sepultando as esperanças do Leão, que insistiu e conseguiu descontar com Enílton aos 45 do segundo tempo, diminuindo a vantagem dos paulistas. O folclórico Carlinhos Bala, atacante do Sport, chegou a declarar após o jogo: “Enílton fez o gol do título”. Na volta, na Ilha do Retiro, Nelsinho realizou mudanças na equipe da casa, entrando com Diogo no lugar de Luisinho Netto e Kássio no lugar de Enílton. Melhor na partida, o Sport conseguiu vencer a defesa corintiana duas vezes, com Carlinhos Bala e Luciano Henrique. O resultado, que dava o título aos pernambucanos por terem marcado um gol fora, obrigou o Corinthians a sair pro jogo e buscar o gol, mas o time visitante esbarrou na boa defesa do Sport, que soube administrar a vantagem e impedir os paulistas de marcarem. Após um segundo tempo onde o rubro-negro se segurou firme, com reclamação de pênalti não marcado em Acosta, o árbitro Alício Pena Júnior encerrou a partida. O Sport era campeão da Copa do Brasil pela primeira vez.

Foto: Paulo Whitaker/ Reuters - Jogadores comemoram o título

Foto: Paulo Whitaker/ Reuters – Jogadores comemoram o título

A fórmula de sucesso para a equipe pernambucana foi baseada num time muito bem postado defensivamente, em uma forte bola parada e no fator Ilha do Retiro. Em seus domínios, nas 6 partidas disputas na competição, o Sport sofreu 4 gols e marcou 19, vencendo todas elas. Merece destaque também o técnico Nelsinho Baptista, que soube extrair o melhor de atletas tecnicamente medianos, fazendo o rubro-negro render muitas vezes além de suas capacidades.

O título da Copa do Brasil permanece até hoje na memória dos torcedores, que ainda comemoram a conquista como se o Sport tivesse vencido a competição na véspera. Com o time passando por problemas internos e vivendo uma fase irregular, alternando entre a primeira e a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, as glórias do passado são um alento para o rubro-negro que espera pela volta de dias como esses.

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Doente por futebol desde que se conhece por gente. Formado em Educação Física e estudante de jornalismo. Apaixonado por jogos e times clássicos. Considera Zidane, Ronaldo, Romário e Messi os maiores que viu jogar.