Análise tática: Flamengo 0x2 Botafogo

  • por João Vitor Poppi
  • 8 Anos atrás

clássico

 

O clássico mostrou o outro lado da moeda de Flamengo e Botafogo

Antes do apito inicial, o Flamengo tinha a vantagem do empate e o contra-ataque ao seu dispor, estilo de jogo que no clássico anterior (vitória rubro negra por 1×0) foi muito superior ao do Botafogo: posse de bola, mas marcação fraca. Tudo isso durou um minuto. Seedorf, na ponta esquerda, arrumou para Julio César que desceu em diagonal e fez um bonito gol, nas costas de González. O zagueiro atravessou toda zaga para combater o holandês e deixou um corredor para o lateral esquerdo se infiltrar.

Pela primeira vez no ano, o Flamengo ficou atrás do marcador contra um time grande, ou seja, em um clássico. E o que o time fez para sair dessa situação adversa? Nada. O rubro-negro mostrou não estar preparado para tomar a iniciativa do jogo. As características de contra-ataque permaneceram no time escalado no 4-3-3 de sempre, por isso fez um mal jogo, principalmente o primeiro tempo.

Durante os primeiros 45 minutos, via-se algumas tentativas de movimentação do time de Dorival Jr para abrir espaços: a inversão de lado dos pontas Rafinha e C.Eduardo e principalmente o camisa 10 tentando timidamente centralizar, com Ibson ficando mais adiantado à esquerda, formando praticamente um losango torto.

As poucas tentativas de movimentação duraram pouco, pois não deram resultado positivo. O Botafogo se portou muito bem no sistema defensivo. Após a experiência ruim no clássico da Taça Guanabara, Oswaldo de Oliveira sabia que precisava encurtar os espaços para tirar a velocidade do adversário. E o fez. Atuando praticamente com duas linhas de quatro, compactadas, conseguiu deixar o Flamengo lento e consequentemente fácil de ser marcado.

Com Lodeiro e Andrezinho recuando para formar uma linha de quatro no meio, os volantes puderam jogar mais soltos e fazer boa proteção e cobertura para zaga. Com isso, o time alvinegro desarmou bastante e Fellype Gabriel apareceu muito bem fazendo a transição ofensiva. A bola chegava ao ataque da estrela solitária com certa facilidade, mas o último passe saia quase sempre errado. Com Rafael Marques caindo pelas pontas e Seedorf jogando mais adiantado pela direita, para abafar a saída de bola adversária, o cenário era ideal para a bola ser rolada para trás e um dos meias ficar de frente para o gol. O ataque errou em ficar alçando bolas na área, sem ninguém para cabecear.

O time da Gávea não soube sair da situação adversa. O bom toque de bola se restringiu aos passes de lado, faltou o passe em profundidade (o diferencial) para ”colocar” o veloz Rafinha na partida. Outro erro foi ficar todo primeiro tempo jogando de forma espaçada. Os jogadores estavam longes um do outro, o que dificultou muito as ultrapassagens e as tabelas. Esse último problema resultou na inatividade ofensiva dos laterais e em não conseguir entrar na área do rival. A primeira tabela aconteceu aos 43 minutos, única vez em que Hernane conseguiu receber a bola dentro da grande área mas Jefferson saiu bem do gol.

Aos 39 minutos, Andrezinho, machucado, foi substituído por Gabriel. O jovem volante ficou ao lado de M.Mattos na cabeça de área e Fellype Gabriel passou a jogar aberto pela direita.

 

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Botafogo encurtou o campo. Flamengo não soube responder




Dorival voltou para o segundo tempo com Renato e Rodolfo no lugar de Elias e Carlos Eduardo, respectivamente. O técnico rubro-negro enxergou bem o jogo. Tirou o camisa dez, que estava com pouca mobilidade pela falta de ritmo, e Elias, que estava perdendo o embate com F.Gabriel no meio campo. Com Rodolfo, a proposta foi colocar ”fogo” no jogo e Renato entrou para melhorar a transição ofensiva e empurrar o rival para o campo defensivo.

As mexidas melhoraram a agilidade do time mas não foram suficientes para incomodar a barreira defensiva do Botafogo. Só aos 17 minutos, com a entrada de Gabriel na vaga de Cáceres, que o Flamengo conseguiu assustar o adversário. O meia-atacante, ex-Bahia, atuou aberto pela ponta esquerda, Rafinha, pela direita, e Rodolfo, por dentro.

Atuando no 4-2-3-1 totalmente adiantado o Flamengo conseguiu pressionar. Vitinho foi o antídoto alvinegro para contra golpear com força

Atuando no 4-2-3-1 totalmente adiantado o Flamengo conseguiu pressionar. Vitinho foi o antídoto alvinegro para contra golpear com força



Foi a primeira vez que o time conseguiu se infiltrar na zaga do Botafogo. Rodolfo flutuando às costas de Marcelo Mattos conseguia abrir espaços deslocando o volante. Seedorf, sem o mesmo fôlego da primeira etapa, não marcava mais quem vinha de trás com eficiência – naquele momento Ibson. Começou a sobrar um atleta do Flamengo na parte ofensiva.

Jefferson apareceu muito bem daí em diante. Defendeu uma cabeçada à queima roupa de Hernane, que desperdiçou o rebote, e um chute cruzado de Ibson de dentro da grande área. Entre as chances de gol rubro-negra, Oswaldo colocou em campo Vitinho no lugar de Lodeiro. Com velocidade e ”pedindo” jogo, o jovem recolocou o contra-golpe a favor do Botafogo.

O alvinegro desperdiçou três contra-ataques com claras chances de gol. Felipe fez belíssimas defesas e tentou ser herói subindo ao ataque nos acréscimos. O resultado foi o gol de Vitinho sem goleiro, colocando seu time na final da Taça Guanabara.

Para o Botafogo e Oswaldo, ficam as lições de que o time precisa jogar compactado e com proteção aos zagueiros e aos laterais ofensivos. Para o Flamengo e Dorival, ficou claro que o time precisa ter mais alternativas de jogo dentro do esquema proposto. O time não pode ser refém da sua própria tática.

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.