Análise tática: Tottenham 3×0 Internazionale

  • por João Vitor Poppi
  • 8 Anos atrás

Tottenham acertou tudo o que fez, Inter errou tudo o que tentou fazer…

 

imagem inter spurs

 

Quando um time corre atrás do seu adversário o jogo inteiro, é porque tem algo errado, muito errado. Essa foi a sina da Internazionale no jogo em White Hart Lane. O time do técnico Stramaccioni apenas tentou se defender – sem êxito -, não fez o Tottenham se preocupar em ter que marcá-la em momento algum.

Os Nerazzurri começaram a partida no esquema tático 4-1-4-1, com a proposta clara de anular Gareth Bale, que vem jogando centralizado na linha de três meias, e impedir que a bola chegasse com qualidade para os velozes Lennon e Sigurdsson. A estratégia de Stramaccioni durou seis minutos, tempo esse que foi de total domínio ofensivo do Tottenham e resultou no gol de cabeça de Bale, que venceu com facilidade a disputa aérea contra Cambiasso.

A segunda linha de quatro interista, vigiada por Cambiasso, esperou o adversário, se posicionou mal – longe da primeira, a defensiva -, e não teve combatividade. Um convite à derrota, contra um time rápido como o londrino.

Os spurs adiantaram sua marcação, deixaram o campo mais curto e consequentemente ficaram mais próximos do gol adversário. Com o time posicionado na horizontal, a chance do erro no passe diminuiu muito. Dembélé, que vive boa fase, soube se aproveitar muito bem da superioridade tática do seu time. O belga não só organizou, mas também armou o jogo da sua equipe. Atuando como segundo volante, deu passes certeiros para as constantes ultrapassagens dos wingers e laterais, que ficavam no mano a mano com os defensores da Inter. Com espaço entre a zaga e os meio-campistas e a marcação italiana estática, os ingleses perfuravam com facilidade as linhas de marcação. Cambiasso ficou perdido com tantas infiltrações e não conseguiu fazer boa cobertura da zaga.

Aos 17 minutos, veio o 2×0. Lennon, só com Juan pela frente, conseguiu com facilidade fazer o passe para Defoe, que dentro da área chutou. No rebote, Sigurdsson, livre, ampliou o placar.
Nesse momento do jogo, já se via Bale atuando como segundo atacante, pelo lado direito, fugindo de uma suposta marcação individual que ele poderia receber se atuasse pelo centro do campo. O galês complicou a vida de Juan e Chivu: pressionou a zaga adversária e ficou muitas vezes no um contra um com os defensores. Ponto para Villas-Boas, apesar da atuação apenas regular para os padrões do camisa onze, pelo fato de conseguir dar liberdade ao jogador em uma faixa do campo muito próxima do gol. O remanejo de Bale para o ataque surpreendeu a Inter, pois nenhum meio-campista se aproximou dele, fazendo quase sempre sobrar um jogador do time de Milão no meio, que ”batia cabeça”, pois não encontrava quem marcar e os jogadores do Tottenham continuavam livres em campo.

Os laterais Zanetti e Juan, acuados pela profundidade dos wingers, Sigurdsson e Lennon, não tinham espaço para atacar. A marcação no campo de ataque realizada pelo Tottenham tirou a saída de bola da Inter. Trocar passes, segurar a posse de bola e sair jogando com a bola no chão eram coisas raras. A única jogada ofensiva do time milanês foi a bola longa para Álvaro Pereira tentar impor velocidade pela esquerda e desafogar os nerazzurri, sem resultado positivo. No fim do primeiro tempo, Cambiasso adiantou seu posicionamento, para brecar a marcação pressão que seu time recebia, e Kovacic foi recuado para atuar entre as duas linhas de quatro para qualificar a saída de bola. Mas os problema continuaram.

Tottenham passou por cima da defeituosa marcação interista

Tottenham passou por cima da defeituosa marcação interista

No segundo tempo, Stramaccioni colocou Palacio no lugar de Juan. Álvaro Pereira foi recuado para a lateral esquerda e Kovacic ficou com o lado esquerdo do meio-campo.

A Inter não conseguiu sair do sufoco que o Tottenham fazia – com facilidade – e o ataque, agora com dois homens, não fazia diferença alguma, pois, com o time todo espremido pelo oponente, não foi em momento algum municiado. Quem passou a sofrer com os lançamentos vindos do campo de defesa foi Palacio. Um jogo para ser lembrado apenas para corrigir os muitos erros que a equipe demonstrou durante os noventa minutos.

O cenário do jogo continuou o mesmo: Tottenham marcando adiantado, forçando o erro da Inter e utilizando do passe vindo de trás (Dembélé) junto com as ultrapassagens para bater a marcação interista. Marcação essa que continuou com todos os defeitos da primeira etapa.

Aos sete minutos, Bale bateu escanteio com precisão, Vertonghen subiu mais que Cambiasso e Chivu e fez o 3×0, deixando o Tottenham muito perto das quartas de final.

Vale destacar que Parker conseguiu fazer com muita qualidade a função de Dembélé, que foi substituído por Livermore, no decorrer do segundo tempo.

A falta de ambição, iniciativa e vontade da Inter foi chocante – algo inadmissível para um clube do seu porte – e praticamente deixou o time eliminado da Europa League. Se o Tottenham continuar jogando a competição com o que tem de melhor e com a disposição que vem demonstrando (o que deve acontecer), estará entre os favoritos para o título.

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.