Ano novo, Liverpool velho

  • por Gregor Vasconcelos
  • 6 Anos atrás

A vitória sobre o Tottenham, há duas semanas, marcou uma virada importante na temporada do Liverpool. Apesar de boas atuações na maioria das partidas contra os seis primeiros colocados da Premier League, nas oito partidas anteriores contra equipes nessa situação o Liverpool havia sido derrotado quatro vezes e conseguido quatro empates. Com os três pontos conquistados sobre os Spurs, o Liverpool passou seu rival Everton na tabela, ficando apenas a dois pontos do Arsenal, que ocupava a quinta posição, posição esta que daria vaga à Liga Europa.

Foto: Reuters - Suarez, grande craque do Liverpool na temporada, abre o placar contra o Tottenham

Foto: Reuters – Suarez, grande craque do Liverpool na temporada, abre o placar contra o Tottenham


Na rodada seguinte, Arsenal e Everton tinham paradas duras contra Swansea (fora de casa) e Manchester City (em casa), respectivamente. O Liverpool, que enfrentaria o Southampton, tinha uma oportunidade de ouro para entrar pela primeira vez em uma posição que levaria os Reds de volta a Europa na próxima temporada. O time de Mauricio Pochettino, no entanto, não tomou conhecimento do Liverpool e venceu a partida por 3×1, com muita facilidade. O passeio dos Saints, entretanto, não foi uma surpresa para ninguém que vem acompanhando o Liverpool nos últimos anos.

Na ultima temporada, sempre que a equipe de Kenny Dalglish ameaçava arrancar, era parada por uma equipe mediana. Em fevereiro, quando ainda brigava por vagas em competições europeias, o Liverpool fez uma sequência de nove jogos, com apenas uma vitória. As derrotas vieram não só contra concorrentes diretos pelas vagas, no caso Arsenal e Everton, como também para equipes que brigavam contra o rebaixamento: Sunderland, Wigan e Queens Park Rangers. Com essa sequência, o Liverpool terminou o campeonato na oitava colocação, a 16 pontos da zona de rebaixamento e a 18 do Arsenal, o último classificado para a Champions League.

Na atual temporada, sob o comando de Brendan Rodgers, o Liverpool demorou a engrenar. Nas primeiras 14 partidas na Premier League, foram apenas três vitórias. Em dezembro, o time aos poucos foi se encontrando e começando a mostrar um futebol de bom nível. Com a chegada de bons jogadores como Sturridge e Coutinho na janela de janeiro, o Liverpool começava a se mostrar um time forte, que daria trabalho aos seus rivais. 
Uma sequência difícil viu os Reds empatarem fora de casa contra Arsenal e Manchester City em jogos em que poderia ter ganhado facilmente. Com esses resultados, as esperanças de almejar alguma coisa a mais na Premier League voltaram. Logo após essa boa sequencia, porém, veio uma derrota típica do atual Liverpool: 0x2 contra o West Bromwich em casa. O time se recuperou vencendo os três jogos seguintes, e marcando 12 gols nessas partidas, mas novamente foi parado, dessa vez pelo Southampton.

Foto: Getty Images - O West Brom surpreendeu vencendo em Anfield por 2-0

Foto: Getty Images – O West Brom surpreendeu vencendo em Anfield por 2-0


A diferença entre o futebol apresentado no começo da temporada e o atual é gritante. Rodgers conseguiu dar um padrão de jogo ao Liverpool que vinha faltando nos últimos anos, além de ter feito o ataque, que havia feito menos gols que o rebaixado Blackburn na temporada passada, funcionar. Na atual temporada, apenas Manchester United e Chelsea marcaram mais gols que os Reds.

Por mais que o técnico faça um bom trabalho, falta ao Liverpool algo muito importante se o clube quiser voltar a almejar títulos importantes nos próximos anos: material humano. Luis Suarez , um dos melhores jogadores da Premier League na temporada, e Steven Gerrard são os únicos jogadores diferenciados no elenco. O Liverpool ainda possui outros bons jogadores como Sturridge, Lucas, Coutinho e Allen, mas isso é muito pouco para um clube que busca uma volta à Champions League, principalmente porque jogadores como Henderson e Downing são titulares com frequência e as outras opções são jogadores como Suso, Assaidi e Sterling, que apesar de talentosos ainda não estão prontos para jogar na equipe.

Foto: SkySports - Mesmo com a melhor, Downing não faz valer o investimento de 20 milhões de Libras

Foto: SkySports – Mesmo com a melhor, Downing não faz valer o investimento de 20 milhões de Libras

A maior preocupação, no entanto, é a defesa. Faltando oito jogos para o fim da Premier League 2012/13, o Liverpool sofreu 39 gols, um a menos que em toda a última temporada. Agger e Skrtel se mostraram zagueiros confiáveis ao longo dos anos, mas ambos fazem temporadas recheadas de falhas. Para piorar a situação, Coates não se adaptou bem desde a sua chegada, em agosto de 2011, enquanto Carragher deve se aposentar no final da temporada. 
Nas laterais, o posicionamento de Glen Johnson continua sendo um grande problema. Para reforçar a fase ruim da defesa, Pepe Reina, que já foi considerado um dos grandes goleiros da Premier League, vem se mostrando pouco confiável nos últimos meses.
O saldo do trabalho de Rodgers até aqui é positivo, mas se o técnico pretende levar o Liverpool além de uma sexta ou sétima colocação na próxima temporada, precisará do apoio total de sua diretoria para reformular seu elenco, que está muito abaixo dos times que se encontram acima na tabela. Porém, o Liverpool parece ter encontrado, finalmente, o técnico com o projeto certo para levar o clube de volta ao topo.

 

Foto: Getty Images - Brendan Rodgers ainda tem muito trabalho a fazer se quizer levar o Liverpool de volta a Champions League

Foto: Getty Images – Brendan Rodgers ainda tem muito trabalho a fazer se quizer levar o Liverpool de volta a Champions League

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Torcedor fanatico do Arsenal e do Flamengo, Gregor é fã de longa data da Premier League, acompanhando a liga avidamente há 10 temporadas. Formado em linguística inglesa pela universidade King's College em Londres, agora faz mestrado em linguistica e literatura na universidade de Zurich. Colunista da extinta revista "Doentes por Futebol", hoje é o editor de futebol inglês no site.