Araxá 2×3 Cruzeiro, o jogo que não terminou

  • por Osmar Júnior
  • 5 Anos atrás
Foto: Jornal Clarim

Foto: Jornal Clarim


Neste domingo, finalmente a ansiedade da população araxaense teria um fim. Após longos vinte anos de espera por um grande jogo oficial em sua cidade, a oportunidade finalmente chegou.

O dia começou cinzento, com chuviscos desde a manhã. Nas horas que antecederam a partida, as redes sociais comprovavam que o otimismo exalava na torcida do Araxá. A crença na vitória era grande: mensagens de apoio e fotos com camisas e bandeiras do Ganso se espalhavam e multiplicavam com muitas curtidas… É claro que haviam os mais comedidos, mas eles eram minoria, passavam quase despercebidos. 

Devido às péssimas condições proporcionadas pelas poucas entradas no estádio da cidade, toda a população se programou para ir o quanto antes ao local da partida. Duas horas antes do início do jogo, o trânsito já era caótico nas proximidades da principal rua da cidade, a Av. Imbiara, onde se situa o estádio municipal Fausto Alvim. O alvoroço de pessoas no entorno do estádio foi o maior visto por este que vos escreve, assíduo frequentador do local desde 2002, 2003… 

Após três derrotas consecutivas, e cada vez mais próxima da temível zona do rebaixamento, a meta da equipe interiorana era apenas uma: a vitória. Mas, do outro lado, havia uma das maiores equipes do futebol brasileiro, uma das doze maiores do país, o Cruzeiro de Belo Horizonte. Todos sabiam que, caso acontecesse um empate, o Araxá Esporte se daria por satisfeito, pois enfrentava uma equipe com investimento mais de vinte vezes maior (segundo as rádios locais). Mas a torcida queria mais. Queria os três pontos, queria ter o orgulho de gritar para os quatro cantos que tinha vencido uma das doze maiores equipes do país. O sonho existia, e apenas 90 minutos o separavam da realidade.

A partida começou equilibrada. A previsão da superioridade azul não se confirmou, pelo menos nos 45 primeiros minutos de disputa. Empurrado por sua fanática torcida, o Ganso mostrou um bom futebol que não era visto desde a 1ª rodada. A dupla de ataque formada por Fabrício Carvalho (sim, aquele do problema cardíaco) e Breitner (o venezuelano ex-Santos) demonstrava certo entrosamento e deu trabalho para o goleiro Fábio, que a todo momento era agraciado com dizeres carinhosos vindos da torcida organizada mais famosa da cidade. 

Quando parecia que o empate iria prevalecer até o intervalo, Rodrigão Paulista, zagueiro que estreava justamente naquele jogo, abriu o placar de cabeça, para delírio absoluto da torcida. O Ganso foi para os vestiários com o satisfatório 1×0 no placar. Os quinze minutos de pausa acenderam os sonhos torcida alvinegra que acreditava cada vez mais que a vitória sobre um dos grandes da capital iria marcar as páginas da história do clube. Ledo engano…

No segundo tempo, o jogo literalmente pegou fogo. Quatro gols, virada no placar, expulsão, pênalti… Vamos por partes! 
Demonstrando todo o seu poderio financeiro, o técnico celeste, Marcelo Oliveira, colocou o bom e experiente Borges para dar um sangue novo no ataque azul. Logo após a substituição, o zagueiro alvinegro Carlão foi expulso, para comoção geral do estádio, indignado com o cartão vermelho. Apesar de, no calor do momento, ter feito parte do coro que lembrou carinhosamente da senhora mãe do árbitro, acho que houve apenas excesso de rigorosidade, não erro leviano. 

Nos minutos seguintes à expulsão, o Cruzeiro virou o placar com gols de Paulão e Borges, esfriando instantaneamente a empolgação alvinegra no Fausto Alvim. Vendo que mais uma derrota seria desastrosa para a equipe, o Araxá se lançou com tudo ao ataque. Em um lance infantil, a zaga cruzeirense fez pênalti, convertido calmamente por Fabrício Carvalho, o coração valente alvinegro, e dando mais esperanças para a torcida mandante. Por mais alguns minutos, a ilusão tomou conta da população presente no estádio – mesmo jogando com um jogador a menos, a vitória parecia alcançável. A pressão do time, aliada à empolgação da torcida, parecia completar a equipe em campo. Parecia…

Se em um confronto entre duas equipes com o mesmo nível de investimento jogar com um jogador a menos já é muito prejudicial, quem dirá num duelo entre times de níveis econômicos tão distintos. O Cruzeiro fez valer a sua melhor técnica, e, novamente com Borges, marcou o gol do 3×2, selando o placar.

Com a partida finada, tiveram início os debates e reflexões nas rádios locais. Nas quatro últimas das cinco rodadas, o Araxá Esporte foi derrotado, chegando muito perto da zona de rebaixamento, algo totalmente diferente do que foi traçado pela diretoria como meta no campeonato. Mas, como alento para o Araxá, ele não enfrenta mais nenhum time da capital, que são os três times com maiores investimentos do estado. Sendo assim, os cronistas locais dizem que agora começará outro campeonato, onde o Araxá enfrenta equipes de mesmo nível financeiro, cenário no qual a vitória é muito mais acessível. Faltando seis rodadas, duas vitórias são suficientes para afastar o fantasma do rebaixamento. Com mais quatro vitórias, o time sonha com uma vaga no Brasileirão da Série D. Caso o Araxá conquiste outras cinco ou seis vitórias, a vaga nas semifinais do estadual é praticamente certa.

Só o tempo nos dirá que caminho a equipe alvinegra irá traçar. Quanto ao Cruzeiro, ele vai brincando no estadual, esperando o grande confronto com o Atlético na final. A não ser, é claro, que um dos dois deslize e o embate seja antecipado para as semifinais, algo meio inimaginável no momento.

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Nascido e residente em Araxá/MG. Apaixonado por esportes em geral, dedica boa parte de seu tempo acompanhando futebol. Tem um carinho todo especial por histórias de equipes alternativas e times de divisões inferiores. Nas horas vagas, relaxa praticando mountain bike.