Argentina 2×1 Inglaterra, Jogos Clássicos DpF.

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 7 Anos atrás

O Jogos Clássicos de hoje vai tratar de uma das maiores atuações individuais da história da Copa do Mundo e do maior gol da competição: o jogo entre Argentina 2×1 Inglaterra, na Copa do Mundo de 1986.

Ambos chegaram à Copa desacreditados. Nenhuma das duas equipes foi cabeça de chave (os dois foram pote 2) e vinham de participações ruins em 1982. A Argentina tinha Maradona, Passarela, Ruggeri e Valdano na equipe. A Inglaterra tinha Lineker, Hoddle e Shilton como seus principais jogadores. No dia 2 de Junho de 1986, a Argentina fez sua estreia na competição, batendo a Coréia do Sul por 3×1. Um dia mais tarde, a Inglaterra também estreou, perdendo para Portugal por 1×0. Na segunda rodada, a Argentina empatou com a Itália (cabeça de chave). Os ingleses viram sua situação se complicar no grupo ao empatar em 0x0 com Marrocos, do craque Madjer.

Na terceira e última rodada, a Argentina fez um tranquilo 2×0 e garantiu a primeira colocação no grupo, deixando a Itália em segundo. Já os ingleses enfrentaram a Polônia, precisando vencer bem para pelo menos garantir a segunda posição na chave. E a Inglaterra venceu por 3×0, com 3 gols de Lineker. Surpreendentemente, Marrocos fez 3×1 em Portugal e avançou em primeiro na chave.

Inglaterra 3×0 Polônia – Hat trick de Lineker



Nas oitavas de final da Copa, a Argentina enfrentou o tradicional rival Uruguai, em partida disputada em Puebla, debaixo de muita chuva. Os argentinos venceram por 1×0, com gol de Pasculi. Dois dias depois, a Inglaterra fez 3×0 no Paraguai (com 2 de Lineker) e passou às quartas para enfrentar a Argentina de Maradona, então já uma das favoritas ao título.

Argentina 1×0 Uruguai

 


Inglaterra 3×0 Paraguai 

 

 

A partida que passou à história


No dia 22 de Junho de 1986, Argentina e Inglaterra entraram em campo para disputar uma vaga para a semifinal da Copa do Mundo do México. Pelo lado argentino, a grande esperança era Maradona. Pelo lado inglês, era Lineker, autor de 5 gols nos últimos 2 jogos e responsável pelo time ter chegado às quartas de final. O jogo foi disputado no Estádio Asteca e teve mais de 114 mil pagantes.

Após amplo domínio da Argentina, com várias chances criadas e belas jogadas de Maradona, o primeiro tempo terminou em 0x0. Na volta para a segunda etapa, a Argentina seguiu dominando, até que Maradona arrancou e passou para Valdano, que dominou mal. O jogador inglês Hodge tentou afastar, mas errou e a bola foi em direção à sua própria área, no rumo de Maradona. Shilton saiu do gol para cortar, mas Maradona subiu antes do goleiro e, de mão, tocou para o fundo do gol. O estádio todo viu que foi de soco, mas o bandeira correu para o meio e o juiz validou o gol, mesmo com protestos acalorados dos jogadores ingleses.

 

O gol de mão, ”La Mano de Diós”

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Maradona coloca a mão na bola e faz o gol

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A mesma jogada por outro ângulo



Quatro minutos mais tarde, Dom Diego aprontaria outra, dessa vez de forma limpa. Após passar por Beardsley, Reid, Butcher (2 vezes) e Fenwick, Maradona driblou Shilton e tocou para o fundo do gol, considerado o mais bonito das Copas. Argentina 2×0 Inglaterra e vaga na semifinal muito próxima. Lineker ainda diminuiria aos 80 de jogo, mas foi insuficiente para a equipe inglesa. A partida era de Maradona e a vitória era da Argentina.

Maradona marca o ”gol do século”.

Cercado por 3 ingleses, Diego inicia a jogada que culminará na obra de arte

Cercado por 3 ingleses, Diego inicia a jogada que culminará na obra de arte

Após se livrar de 3, Diego conduz a bola de sua forma peculiar

Após se livrar de 3, Diego conduz a bola de sua forma peculiar

Diego se livra de Butcher e arranca para dentro da área inglesa

Diego se livra de Butcher e arranca para dentro da área inglesa

 

Diego deixa mais 2 ingleses no caminho

Diego deixa mais 2 ingleses no caminho

Frente à frente com Shilton, Maradona sai do goleiro

Frente à frente com Shilton, Maradona sai do goleiro

Já sem Shilton no gol, Butcher tenta inutilmente impedir o gol

Já sem Shilton no gol, Butcher tenta inutilmente impedir o gol

 

Gol com a narração do argentino Victor Hugo Morales

Jogo na íntegra



Maradona ainda pintaria outra obra de arte na semifinal contra a Bélgica, mas isso é outra história.

Até a próxima!

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.