BARCELONA 4 x 0 MILAN: OUSADIA TÁTICA

  • por Victor Oliveira
  • 6 Anos atrás

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BARCELONA 4 x 0 MILAN: OUSADIA TÁTICA E GOLEADA MARCARAM A VITÓRIA DO BARCELONA

Foi no Ajax montado por Rinus Michels, no final da década de 60, que nasceu o “3-4-3 diamond”, esquema que iria mudar profundamente o conhecimento tático e estratégico do futebol. O sistema, como ensinado por Jonathan Wilson, era um desdobramento do 4-3-3 exaustivamente treinado por Michels em seus trabalhos táticos. Assim, a equipe tinha como desenho o 4-3-3, mas a estratégia e a dinâmica em campo mostravam um inovador 3-4-3.


Como sabido, em 1973, a dupla vitoriosa formada por Rinus Michels e Cruyff, que chegou ao topo do futebol europeu com o Ajax, se formou novamente no Barcelona. Teve início, nesse momento, a conexão do time catalão com os preceitos táticos e estratégicos da escola holandesa ornamentada por Rinus, o mais completo treinador da história do futebol mundial.

No início da década de 90, Cruyff, discípulo de Michels no Ajax, no Barcelona e na seleção holandesa, conquistou a Champions League da temporada 91/92 pelo Barça, a primeira da história do time catalão. Para isso, utilizou, como treinador, o 3-4-3 diamante, que nasceu no grande Ajax e foi implantado nas canteiras do Barça na década de 70 (com a chegada dos holandeses). O referido esquema, voltou a brilhar no Barcelona com Pep Guardiola, que promoveu no clube a mais letal e encantadora aplicação do desenho.

Após a saída de Guardiola, o 3-4-3, até mesmo como variação tática do 4-3-3, foi ficando no esquecimento. Daniel Alves deixou de ser ala e voltou a ser lateral, ficando o Barça mergulhado num 4-3-3 estático e previsível que facilitava a marcação dos adversários. Porém, como bem colocado por Paulo Calçade na transmissão da ESPN, hoje o Barça lembrou aquele montado por Pep, ou seja, vislumbramos novamente um apego tático aos dogmas do 3-4-3.

As escalações iniciais não apontavam para nenhuma novidade no plano tático. Tudo indicava que o Barça viria no seu estático 4-3-3 e o Milan no 4-6-0 implacável que detonou o time espanhol no San Siro. Mas, precisando encontrar alternativas para que Messi tivesse espaço para decidir, o time catalão novamente foi bater na porta do 3-4-3, dinâmica visível do 4-3-3 montado por Roura que conseguiu empatar o duelo ainda na primeira etapa:

Marcação pressão e as variações do 3-4-3

Aos 4 minutos da etapa inicial, após tabela rápida com Xavi, Messi bateu no ângulo e fez o primeiro: 1×0 Barcelona. O time catalão começou intenso e circulando bastante, não deixando o Milan sequer habitar o campo de ataque. Com a vantagem numérica no meio de campo proporcionada pelo 3-4-3, o Barcelona alargava a marcação do Milan e jogava com facilidade pelos espaços encontrados em sua defesa. Villa jogando de referência na área, algo solicitado há tempos, foi fator preponderante no êxito do Barça na partida de hoje.

Aos 38 minutos, Niang partiu livre após falha da defesa blaugrana e, na cara do gol, chutou a bola na trave na saída de Valdés. Aqueles centímetros decidiram a partida. Apenas um minuto depois, Messi achou espaço na entrada da área e não perdoou: o craque recebeu de Iniesta e bateu forte no canto esquerdo de Abbiati, ampliando o marcador e levando ao desespero a defesa italiana.

Foto: Getty Images. Lionel Messi, o nome do jogo, saí para abraço após marcar o segundo gol na goleada sobre o Milan no Camp Nou.

O Barcelona ousado, como nos tempos de Pep, atuou no limite defensivo, foi salvo pelo poste e conseguiu dois gols no primeiro tempo. Na etapa complementar, o Milan tentou adiantar suas linhas de marcação e ser menos covarde, mas, aos 9 minutos, Xavi deu lindo passe para Villa, que dominou e tocou de canhota para aumentar. Perplexidade na feição dos jogadores do Milan e festa no Camp Nou lotado, fervilhando com a atuação coletiva de seu time, totalmente dentro da essência holandesa arraigada na história do clube e plantada por Michels no início da década de 70.

O Barcelona, nesse jogo, voltou a marcar mais à frente e conseguiu as penetrações na defesa adversária, fruto da movimentação constante que estava esquecida. Se recriando dentro de seus próprios padrões, a equipe catalã entrou novamente focada em sua superioridade técnica e coletiva, o que dificultou a vida do time de Allegri. O treinador do Milan tirou Ambrosini, Niang e Flamini, colocando Muntari, Bojan e Robinho. Entretanto, o 4-4-2 britânico que Allegri desenhou de nada adiantou.

Roura também fez três alterações. Saíram Mascherano, Pedro e Villa, entrando Puyol, Adriano e Sanchéz. O Barça, que tinha retornado ao 4-3-3 após o terceiro gol, terminou a partida praticamente num 5-3-2, com uma linha de cinco na defesa formada pelos laterais Daniel Alves e Adriano e por três zagueiros, que eram Piqué, Puyol e Alba. Com o Milan se lançando ao ataque em busca do gol, Alba ainda fez o quarto gol aos 46 da etapa final, aumentando a goleada em belo contragolpe.

Como muito bem percebido por Calçade, “a saída para o conservador Barcelona de Tito e Roura foi se inspirar no ousado time da era Guardiola”. Novamente o 3-4-3 brilhou na história do Barcelona dentro da Champions League, esquema mais marcante da equipe no processo histórico da competição. Quiseram decretar o fim da “Era Barcelona” antes do seu final. Agora, o time catalão ressurge na Champions com força total e o favoritismo habitual, colocando novamente os rivais como opositores de sua filosofia tática. Abraço!

FICHA DO JOGO

BARCELONA 4 – 0 MILAN

Local: Camp Nou (ESP).

Data: 12/03/2013.

Árbitro: Viktor Kassai (HUN).

Cartões amarelos: Flamini, Boateng, Mexès (Milan); Pedro (Barcelona).

Gols: Messi, aos cinco e quarenta minutos do primeiro tempo; David Villa, aos dez, e Jordi Alba, aos 47 minutos do segundo tempo.

BARCELONA: Valdés, Dani Alves, Piqué, Mascherano (Puyol) e Alba; Busquets, Xavi e Iniesta; Pedro (Adriano), Messi e Villa (Sánchez). Técnico: Jordi Roura.

MILAN: Abbiati, Abate, Zapata, Mexès e Constant; Montolivo, Ambrosini (Muntari) e Flamini (Bojan); El Shaarawy, Niang (Robinho) e Boateng. Técnico: Maximiliano Allegri.

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