Brasil nos 4 Cantos: Gustavo Manduca

  • por Paulo Santana Neto
  • 8 Anos atrás
Gustavo Manduca é destaque no Chipre

Foto: Reprodução – Gustavo Manduca é destaque no Chipre

A coluna “Brasil nos 4 Cantos” desta semana tem como personagem um jogador que saiu do interior de Santa Catarina, rodou a Europa e acabou se tornando peça importante do time que conquistou o maior feito internacional de um clube cipriota: levar a equipe às quartas de final da Liga dos Campeões. O futebolista de hoje se chama Gustavo Manduca e atua no desconhecido Chipre, uma ilha situada ao sul da Turquia, com cerca de 800 mil habitantes.

Manduca tem 32 anos e é natural de Urussanga, pequena cidade do estado de Santa Catarina. Desde pequeno ele demonstrava talento para o futebol. Aos 14 anos partiu para Porto Alegre, onde atuou por pouco tempo no infantil do Internacional para depois passar 3 anos no juvenil do Grêmio, onde foi campeão brasileiro da categoria. Na base do tricolor gaúcho, Manduca teve a oportunidade de jogar ao lado do craque Ronaldinho Gaúcho e também do zagueiro Anderson Polga. O meia-atacante, porém, nunca chegou a atuar profissionalmente em terras brasileiras.

A carreira profissional de Manduca começou em gramados europeus, com apenas 17 anos de idade. Inicialmente o jogador atuou na temporada de 1998 pelo HJK, da Finlândia, clube pelo qual foi campeão nacional. Depois de um empréstimo ao Atlantis, também do país escandinavo, Gustavo Manduca partiu para um país com maior visibilidade: Portugal.

A primeira equipe do jogador no país lusitano foi o pequeno Felgueiras, mas seu bom futebol despertou o interesse de equipes maiores. Assim, ele foi firmando seu futebol e evoluindo na carreira, tendo atuado por Esposende, GD Chaves e Paços de Ferreira. Após boas atuações pelo Marítimo, ajudando a classificar o clube para a Copa da UEFA, Gustavo Manduca conseguiu se transferir em 2006 para o Benfica, uma das maiores equipes do País.

Devido ao pouco espaço no clube de Lisboa, Manduca foi emprestado no ano seguinte para o AEK da Grécia. O meia-atacante teve ótima passagem no país, inclusive disputando a UCL pelo time grego, que chegou a vencer o futuro campeão Milan na fase de grupos. Após quatro temporadas, Gustavo Manduca rumou para o Chipre, país de pouca expressão no futebol, para atuar no APOEL.

O time cipriota vinha de uma heroica classificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões da temporada 2009/10 e Gustavo Manduca chegou para ajudar o APOEL a alcançar um feito ainda maior. E o brasileiro, junto com toda a equipe, conseguiu.

Na temporada 2011/2012, após passar por três fases preliminares da Liga dos Campeões, o APOEL chegou mais uma vez aos grupos da Champions. Só que dessa vez o clube não estava disposto a fazer só figuração. E assim, num grupo que tinha também Zenit, Porto e Shakhtar, os cipriotas conseguiram a classificação para as oitavas, ficando em segundo lugar no grupo, atrás apenas do clube russo.

O brasileiro Gustavo Manduca foi muito importante para o feito. Ele marcou, no último minuto, o gol que garantiu a vitória contra o FC Porto. Mas o APOEL não estava satisfeito e a campanha heroica não pararia por aí.

Nas oitavas a equipe eliminou o Lyon nos pênaltis, depois de vitória por 1 a 0 em casa. Mais uma vez o gol foi de Gustavo Manduca, que acabou expulso no segundo tempo da prorrogação. A festa devido à vitória foi grande, afinal nunca antes um time cipriota tinha chegado às quartas de final da Liga dos Campeões.

Só que nas quartas veio a eliminação frente ao todo poderoso Real Madrid de Kaká e Cristiano Ronaldo, páreo quase impossível para o valente time do Chipre. Com duas derrotas a equipe foi eliminada do principal campeonato de clubes do mundo.

Mas o grande feito já havia sido conquistado e isso deve ser encarado de forma muito positiva pelos torcedores do Chipre. A campanha trouxe certa visibilidade para o futebol do desconhecido país, que atualmente conta com vários brasileiros nos principais clubes.

Os jogadores brasileiros parecem não ter limites. Na maioria dos campeonatos nacionais, por mais alternativo que seja o país, tal qual o citado Chipre, existe um conterrâneo nosso para representar o Brasil, reforçando ainda mais a frase “Onde quer que tenha futebol, haverá um brasileiro jogando”.

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