Clássicos DPF – Botafogo x Vasco em 97

  • por Bráulio Silva
  • 7 Anos atrás

Neste fim de semana, Botafogo e Vasco decidirão a Taça Guanabara. Em decisões, o cruz-maltino é freguês. Quando os alvi-negros se enfrentaram em finais, o time da Colina só levou a melhor na Taça Guanabara de 65. Nas outras competições, sempre o Botafogo levou a melhor.

Falaremos sobre uma das finais entre as equipes. O campeonato carioca de 97. Que não foi um exemplo de organização. Teve a Taça Guanabara, a Taça Rio (ambas vencidas pelo Botafogo) e um terceiro turno, vencido pelo Vasco. O histórico de decisões entre as equipes naquele ano começou cedo, já na Taça Guanabara.

Com excelente campanha, o Botafogo de Joel Santana, chegou invicto à decisão diante do Vasco. No jogo em que o equilíbrio tomou conta, o Fogão conquistou o título com uma vitória por 1×0, com gol do zagueiro Gonçalves. Ao fim do jogo, um fato que chama atenção até os dias de hoje. O então reserva Dimba agachou-se no gramado e comeu um tufo de grama do estádio mais famoso do mundo. A imagem foi capa de todos os jornais do dia seguinte.

Na decisão do estadual daquele ano, houve outras polêmicas. Com o absurdo regulamento de três turnos, a final seria decidida em três jogos. Se o Botafogo vencesse um ou conseguisse dois empates, seria campeão. Para o Vasco levantar o caneco, seriam necessários três jogos. E o time da cruz de Malta teria que ganhar dois e empatar um ou vencer três vezes.

Na primeira partida da decisão, o Vasco foi melhor e venceu o time da estrela solitária por 1×0, gol do meia Ramon. Ao fim do jogo, um lance épico. Edmundo recebeu a bola perto da linha de fundo, colocou a mão no joelho, deu uma agachadinha e rebolou, mexendo a bundinha. Sucesso do grupo “É o Tchan” na época. O lance revoltou Zagallo, que era técnico da seleção e ameaçou não convocar o atacante para os demais jogos daquele ano.

No segundo confronto, o Vasco iniciou melhor. Criou ótimas oportunidades, mandou bola na trave, mas não conseguiu inaugurar o placar. O provocado Gonçalves fazia uma partida impecável marcando Edmundo, que teve poucas chances. Mas o melhor estava por vir. Aos 33 do segundo tempo, Dimba brigou por uma bola na ponta direita e conquistou lateral. No arremesso, Wilson Goiano lançou o atacante, que recebeu entre dois marcadores, se livrou e chutou forte na saída do goleiro Caetano.

Era o primeiro gol de Dimba no estádio do Maracanã. Certamente o mais importante de sua carreira. Logo após, Joel Santana substituiu o atacante por Róbson. O Vasco não criou mais nada e, ao fim da partida, Gonçalves foi à forra. Em frente a sua torcida, dançou a “Dança da Bundinha” para delírio dos torcedores que comemoravam o título estadual. Após sete anos, o Fogão voltava a ser o patrão do Rio.



E agora, qual será o destino da Taça Guanabara? O Botafogo mantém a supremacia perante o Vasco, ou o time da cruz de Malta conseguirá quebrar esse estigma?

Ficha Técnica do jogo decisivo:

Data – 08 / 07 / 1997

Local – Maracanã (público – 16.854)

Árbitro – Sidrack Marinho

Gol – Dimba, aos 33 minutos do segundo tempo

Botafogo – Wagner, Wilson Goiano, Jorge Luiz, Gonçalves e Jefferson; Marcelinho Paulista, Pingo, Djair e Aílton (Marcelo Alves); Bentinho e Dimba (Róbson). Técnico: Joel Santana.

Vasco – Caetano, Pimentel, Moisés, Alex e Felipe; Luisinho, Fabrício, Juninho (Luiz Cláudio) e Ramon (Brener); Pedrinho e Edmundo. Técnico: Antônio Lopes.

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.