Daniel Alves nunca mais!

  • por Tiago Lima Domingos
  • 7 Anos atrás

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Para início de conversa, devo destacar que o baiano Daniel Alves é de fato um bom jogador. Não chegou ao Barcelona por acaso e tem muitos méritos na sua carreira. Tem boa técnica e é merecedor de tudo que conquistou até aqui. Quase tudo. Uma conquista do jogador passível de discussão é a eterna e injustificada titularidade do lateral na Seleção Brasileira.

Devemos ressaltar, inicialmente, que a posição de lateral, seja de qual lado for, é principalmente uma função defensiva. Um lateral, antes de tudo, deve ter noção de marcação e saber apoiar o ataque nas melhores horas, sem deixar seu lado desprotegido. Daniel não é um bom marcador e muitas vezes se comporta como um autêntico peladeiro de rua com a Amarelinha. É muito comum vermos o jogador infiltrando jogadas pelo meio da defesa e usando muito pouco o espaço de um lateral: a linha de fundo

No Barcelona, um estilo que o favorece:

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Foto: Reprodução Blog Mauro Beting – O 3-4-3 muito usado por Guardiola no Barça, esquema que favorece o estilo de Daniel 

Na Espanha, Daniel Alves joga de forma diferente da que atua na Seleção. No Barcelona, tem total liberdade e apoio de um esquema tático que valoriza o que tem de melhor: a força ofensiva. Com total controle da posse de bola (pelo menos, em média, 60% de posse/jogo), o clube catalão é sempre muito pouco atacado. Mas, nem mesmo em um esquema que o favorece, as deficiências defensivas do atleta passam despercebidas. O lado direito é sempre muito falho e é comum vermos diversos gols sofridos pelo Barcelona por aquele setor. Para exemplificar, destaco o banho levado pelo lateral quando enfrentou Malouda, do Chelsea, na Champions League de 2009.

Na Era Dunga: aula com Maicon

USA v Brazil - FIFA Confederations Cup Final

Foto: Reprodução – Maicon sempre foi muito bem com a Amarelinha

Se hoje Daniel goza de uma titularidade até certo ponto inquestionável, anos atrás, a história era bem diferente. Maicon voou como titular de Dunga entre 2007 e 2010. Se tinha algo em que a Seleção era confiável era a sua defesa, e Maicon, como parte desta, deu aula de como um lateral deve atuar no futebol moderno: excelente na marcação e na proteção defensiva e muito eficiente nas subidas ao ataque, as quais eram feitas na hora certa e com extrema qualidade. Por três anos tivemos um lateral ensinando a arte da posição. Daniel não soube aproveitar pra aprender. Com Dunga, virou um jogador pra atuar no meio-campo ou quebrando o galho na lateral esquerda.

Aula com o professor Maicon abaixo:

Daniel foi destaque negativo em uma das poucas participações de titular como lateral com Dunga: Brasil 4×3 Egito

Era Mano: a volta de Daniel

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Foto: Reprodução – Sem concorrentes, aparentemente, Daniel em 62 partidas na Seleção, ainda não vingou.

Ao fim do ciclo de Dunga, Mano Menezes assumiu o Brasil e tinha em Daniel Alves seu titular. Novamente, a Seleção se viu órfã de um lateral. Daniel nunca teve uma partida de grande destaque nesse período. Para a Copa América de 2011, Mano convocou Daniel Alves (titular) e Maicon (reserva). Daniel foi titular contra Venezuela e Paraguai, sem convencer. Contra os paraguaios levou um banho (mais um!) do ala esquerda Estigarribia. Foi uma atuação tão constrangedora que lhe rendeu a perda da titularidade para Maicon na partida seguinte. E não deu outra, o novo lateral foi um dos melhores em campo contra o Equador e ganhou novamente a posição.

Os dois gols do Paraguai saíram pelo lado do lateral, no segundo gol inclusive, Daniel falha clamorosamente como podemos ver abaixo

A queda física de Maicon: outra chance para o baiano

Da Copa América pra cá, o nome de Daniel ganhou força com as constantes lesões e queda física de Maicon. Virou titular pela sua grife e pela falta de concorrentes. Você poderia citar três grandes partidas do jogador como lateral da Seleção? Eu não consigo e, após seis anos de Amarelinha e 62 partidas, não acredito, sinceramente, que Dani Alves seja o nosso lateral pra Copa do Mundo em 2014. No Barcelona, o jogador já vive uma queda física e técnica, não sendo mais tão fundamental como era antes. Com isso, um nome vem ganhando forças nos últimos meses.

Rafael: o nome pra 2014?

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Foto: Reprodução – Rafael faz boa temporada no Manchester United e merece chance na Seleção de Felipão

Podemos dizer que é a grande ameaça de Daniel Alves na Seleção. Há cinco temporadas no Manchester United, Rafael, titular absoluto de Alex Ferguson, faz sua melhor temporada na Inglaterra, aos 22 anos de idade. Mais maduro e com a personalidade que sempre teve, pede passagem por uma chance com Felipão. Como anteriormente dito, não me parece que continuar numa aposta já fracassada com Daniel Alves seja o caminho para 2014. O Brasil precisa de um novo lateral e Rafael pode ser esse nome. Não podemos é queimar o jogador como alguns quiseram fazer após os Jogos Olímpicos de Londres.

Nota: Em tempo, Daniel Alves foi, durante um bom tempo, essencial para a forma de jogar do Barcelona. Era a válvula de escape mais eficiente e cansamos de ver o lateral dar assistências, por diversas vezes, para gols de Lionel Messi. Para o Barcelona sempre valeu o risco de sofrer defensivamente para contar com seu ótimo poder ofensivo. Na Seleção, no entanto, Daniel peca muito defensivamente, mas também ofensivamente. Não chega e nunca chegou perto de ser o Dani Alves do clube catalão. Se for para ser convocado, que seja para atuar no meio de campo, local em que poderá render mais. Como lateral, jamais.

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Carioca e rubro-negro. Do Rio de Janeiro a Milão. Doente por futebol, é claro. E apaixonado pelo Calcio.