Daniel Carvalho – Da Seleção ao desemprego

No começo dos anos 2000, o time do Inter tentava se reestruturar e parte do sucesso futuro dependeria da formação de novos jogadores. Em 2002, dois garotos oriundos da base despertaram a atenção dos dirigentes e torcedores colorados: Nilmar e Daniel Carvalho. Juntos, conquistaram o Campeonato Gaúcho, após cinco anos de jejum. Ambos foram posteriormente contratados por times europeus. Hoje, vivem situações diferentes: enquanto Nilmar joga no Catar, ganhando seus petrodólares, Carvalho está desempregado, tendo apenas 30 anos. O que aconteceu com o meia-atacante habilidoso que impressionou os dirigentes russos do CSKA?

Dupla Nilmar e Daniel Carvalho, no Inter

Dupla Nilmar e Daniel Carvalho, no Inter


Natural de Pelotas e colorado, Daniel Carvalho treinou nas categorias de base do time alvirrubro desde seus treze anos. Lançado ao time titular em 2001, obteve a titularidade no ano seguinte. Conquistando o bicampeonato gaúcho (2002 e 2003), foi convocado à Seleção Sub-20, que disputava o Mundial. Autor de três gols no torneio, foi eleito um dos melhores da competição (outros cinco brasileiros foram escolhidos: Alcides, Daniel Alves, Carlos Alberto, Dudu Cearense e Kleber).

Daniel Carvalho, a frente, treinando no Inter

Daniel Carvalho, a frente, treinando no Inter


Foi vendido ao CSKA, time que representaria por cinco temporadas, por quatro milhões de euros. Pelo time russo, foram oito taças levantadas: sete em competições nacionais, e uma Copa da UEFA em 2005. Na competição europeia, Daniel teve grande destaque, dando três assistências na final e sendo escolhido o melhor jogador da partida. Na época, o atleta tinha apenas 22 anos e muito se especulava sobre seu futuro. Em entrevista dada após a partida, Carvalho disse: “Estou em grande forma, mas posso ainda evoluir. É fácil chegar ao topo, mas difícil se manter nele”. No mesmo ano, formando uma habilidosa dupla com Vágner Love, foi eleito o melhor jogador do campeonato russo.

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Atuando pelo clube russo

Atuando pelo CKSA de Moscou, junto com o Vágner Love.Fonte: clicrbs.com.br

Atuando pelo CKSA de Moscou, junto com o Vágner Love.
Fonte: clicrbs.com.br

Depois dessa brilhante temporada, foi chamado à Seleção, nos primeiros amistosos da Era Dunga. No amistoso contra a Noruega, marcou o único gol dos brasileiros, que empataram em 1 x 1. Carvalho continuou no CSKA até 2008, quando o Internacional o repatriou. Porém, nessa temporada, já era perceptível a mudança em seu físico: chegou ao clube gaúcho acima do peso e sem nenhuma mobilidade. Em uma equipe recheada de bons jogadores, como Alex, Nilmar e D’Alessandro, Daniel não conseguiu obter destaque e, por não atuar bem, permaneceu na reserva na maior parte dos jogos. Nesta segunda passagem pelo Inter, conquistou a Copa Sul-Americana, mas já não contava com o apoio irrestrito da arquibancada, que ironizava sua forma física.

Maior conquista de Carvalho, a Copa da UEFA de 2005.Fonte: Terra

Maior conquista de Carvalho, a Copa da UEFA de 2005.
Fonte: Terra

Segunda passagem do jogador pelo Inter.Fonte: Internacional.com.br

Segunda passagem do jogador pelo Inter.
Fonte: Internacional.com.br

Retornou ao clube russo em 2009, onde permaneceu por uma temporada, sendo novamente emprestado. Desta vez, para o futebol árabe, indo jogar no Al-Arabi, time do Catar. Mais uma vez, entretanto, não obteve estabilidade, sendo repatriado pela segunda vez. Foi para Minas Gerais, defender o Atlético, em uma transferência sem nenhum custo ao Galo.

Após contrato com o Atlético-MG, o jogador concede entrevista.Fonte: correiodeuberlandia.com.br

Após contrato com o Atlético-MG, o jogador concede entrevista.
Fonte: correiodeuberlandia.com.br


Outro time, mas as mesmas atuações. Com sérios problemas físicos e lesões – e, segundo as más línguas, as constantes festas em Belo Horizonte – o jogador só foi obter uma sequência de titularidade no segundo semestre de 2011, quase dois anos depois de sua contratação. Antes disso, porém, ele seria descartado pelo treinador e pela direção do clube, pelo excesso de peso e as lesões, precisando recuperar seu espaço no elenco.

No começo de 2012, o Atlético oficializou a troca de Daniel Carvalho pelo volante Pierre. O meia assinou um contrato de um ano, sendo prorrogável por mais dois. Nos primeiros meses de contrato, parecia que iria se encaixar no plantel palmeirense. O atleta respondeu de forma satisfatória, sendo titular em diversos jogos durante a Copa do Brasil, inclusive na final. Mas logo vieram as já rotineiras lesões, que fizeram com que perdesse a titularidade, e esgotasse a paciência dos torcedores, já que o time tentava fugir da série B. No Palmeiras, foram 39 jogos e apenas 6 gols.

Visivelmente acima do peso, Daniel treina no PalmeirasFonte: esportenapassarela.com.br

Visivelmente acima do peso, Daniel treina no Palmeiras
Fonte: esportenapassarela.com.br


O maior destaque desta passagem pelo clube paulista foi uma infeliz declaração sobre anabolizantes. O meia afirmou, em entrevista, ter sido obrigado a utilizar substância ilícitas quando atuava no CSKA, pois a comissão técnica o considerava muito franzino. A declaração teve uma grande repercussão. Horas depois, Daniel admitiu que nunca foi forçado a usar as drogas, e que, bem como os demais atletas, fazia uso somente de suplementos alimentares. 

No final do ano, com o clube já rebaixado, Daniel Carvalho encabeçou a lista de dispensas. Hoje, o jogador que já decidiu campeonatos e foi chamado à Seleção diversas vezes está desempregado. Em recente entrevista à Fox Sports, afirmou que não pretende encerrar a carreira precocemente e que treina em uma academia. Com 30 anos e nenhuma previsão de ser contratado por um grande clube brasileiro, a carreira do jogador pode estar próxima do fim. Mas ele acredita que ainda possui talento e disposição física para ser o velho Daniel Carvalho, que um dia jogou no Brasil e na Rússia.

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Gaúcho, colorado e estudante de Engenharia de Computação. Doente por futebol desde que se entende por gente. Joga futsal nas horas vagas. A cada dois jogos, uma lesão.