Jogo decisivo nas eliminatórias da Oceania

Quando o árbitro australiano Strebre Delovski apitar o início do jogo da próxima sexta-feira, no Forsyth Barr Stadium, em Dunedin (NZL), os 90 minutos que se seguirem praticamente decidirão o classificado à repescagem pela Oceania.

A Nova Zelândia é a ampla favorita para terminar as eliminatórias do continente em primeiro lugar, credenciada por quatro vitórias nos quatro jogos realizados no quadrangular final até agora, incluindo a vitória contra a Nova Caledônia na rodada inicial, em Nouméa.

A Nova Caledônia, única equipe que pode tirar a vaga dos neozelandeses, precisa vencer. Vencendo, tem a vantagem de jogar por dois resultados iguais na rodada final, pois passaria a ter um saldo maior. Situação difícil, mas não impossível.

Review do torneio até aqui


As eliminatórias da OFC começaram em novembro de 2011, quando foi jogada a primeira fase em Samoa. Na primeira rodada, a equipe da casa venceu as Ilhas Cook (3×2) e Samoa Americana conquistou a primeira vitória em torneios internacionais de sua história (2×1 em Tonga).

Na segunda rodada, empate em 1×1 nos confrontos entre Ilhas Cook e Samoa Americana e entre Samoa e Tonga.

Assim, Samoa e Samoa Americana chegaram à última rodada brigando pela vaga, com a surpresa precisando vencer para eliminar o time da casa. Em jogo tenso, Malo, a um minuto do fim, deu a vitória à equipe local. Assim, Samoa classificou-se para a Copa das Nações da Oceania, que em sua fase de grupos serviu também como segunda fase de eliminatórias para a Copa.

Na segunda fase, disputada nas Ilhas Salomão, em junho de 2012, oito equipes foram divididas em dois grupos de quatro seleções. No grupo A, Taiti (9 pontos) e Nova Caledônia (6 pontos) passaram à segunda etapa, eliminando Vanuatu (3 pontos) e Samoa (0 pontos). O melhor jogo do grupo foi Taiti 4×3 Nova Caledônia, decidido apenas nos minutos finais.

No grupo B, a Nova Zelândia conquistou sua classificação em primeiro lugar, com 7 pontos. Porém, os três jogos disputados pelos neozelandeses acabaram se mostrando mais difíceis que o previsto: 1×0 em Fiji, 2×1 em Papua Nova Guiné e 1×1 com as Ilhas Salomão.

A equipe da casa ficou em segundo lugar, com 5 pontos, eliminando Fiji (2 pontos) e Papua Nova Guiné (1 ponto).

Antes da disputa da fase final das eliminatórias, ainda em junho, as quatro equipes disputaram a fase final da Copa das Nações da Oceania. Em um resultado histórico, a Nova Caledônia eliminou a Nova Zelândia (2×0). Os melhores momentos da partida podem ser conferidos em http://www.youtube.com/watch?v=q-cAyLRrA4Y. Na outra semifinal, vitória do Taiti sobre as Ilhas Salomão (1×0).


Em uma final inesperada, um gol de Chong Hue logo a 10 minutos de jogo deu a vantagem no placar ao Taiti. No segundo tempo, a Nova Caledônia pressionou muito em busca do gol de empate, mas não conseguiu. Assim, em 10 de junho de 2012, a seleção de Taiti conquistava o maior título de sua história, que a credencia para a disputa da Copa das Confederações, no Brasil, em 2013.

Quando o quadrangular final das eliminatórias começou, o clima era de que, finalmente, os outros concorrentes pudessem fazer frente à seleção neozelandesa, como na copa continental. Mero engano…

Já na primeira rodada, em setembro, a seleção da Nova Zelândia se vingou da Nova Caledônia, vencendo por 2×0 fora de casa. Em Honiara, as Ilhas Salomão venceram o Taiti também por 2×0.

Na segunda rodada os dois vencedores se encontraram e os neozelandeses golearam (6×1). Na reedição da final da copa continental, o Taiti recebeu a Nova Caledônia e não resistiu, perdendo, por 4×0.

Em outubro, a terceira e quarta rodadas foram disputadas. A Nova Zelândia bateu o Taiti duas vezes, 2×0 fora de casa e 3×0 em casa, e eliminou os campeões continentais da Copa de 2014. A Nova Caledônia superou as Ilhas Salomão por 6×2 fora de casa e 5×0 em Nouméa. Dessa forma, continuou viva no torneio.

A classificação do torneio hoje mostra o seguinte:

Classificação Oceania

Preview da quinta rodada: Nova Zelândia x Nova Caledônia


Analisando a tabela, vê-se que uma vitória da Nova Caledônia em Dunedin faz com que a seleção ultrapasse a Nova Zelândia nos critérios de desempate. Na última rodada, a equipe faria um jogo teoricamente mais difícil, contra o Taiti, enquanto os neozelandeses iriam até as Ilhas Salomão.

Para o duelo da próxima sexta-feira, o treinador neozelandês, Ricki Herbert, relacionou 19 jogadores, incluindo Winston Reid (West Ham), Kosta Barbarouses (Panathinaikos) e Chris Wood (Leicester).

Dentre os 19, o zagueiro Tony Lochhead acabou sendo cortado e deve ser substituído por Ian Hogg. A federação neozelandesa espera o aval da FIFA para escalar Andrew Durante, um dos melhores defensores da A-League, visto que o processo de naturalização do jogador, nascido na Austrália, não está 100% completo. No ataque, a esperança de gols é Shane Smeltz, que marcou três vezes no quadrangular final.

É a primeira partida dos All Whites após a aposentadoria do capitão Ryan Nelsen, que foi treinar o Toronto FC. Durante 1999 e 2013, segundo o site http://www.stuff.co.nz/, a seleção teve um aproveitamento de 51% em 49 partidas com ele em campo. Sem ele, em 51 partidas, o aproveitamento é bem pior: 38%. Com a presença do técnico Ricki Herbert, desde 2005, os números são ainda mais discrepantes: 8 vitórias em 17 partidas com ele em campo (57% de aproveitamento) e 11 vitórias em 36 jogos sem ele (38% dos pontos disputados).

Winston Reid, que marcou o primeiro gol da equipe na copa de 2010, foi anunciado como o novo capitão da equipe.

Reid marca contra a Eslováquia em 2010

Reid marca contra a Eslováquia em 2010


Na Nova Caledônia, o grande destaque do time é Georges Gope-Fenepej, que pertence ao Troyes, embora ainda não tenha jogado nenhuma partida com o time francês. O jogador marcou seis gols no quadrangular final do torneio e foi autor de um dos tentos da histórica vitória sobre a Nova Zelândia, no ano passado.

Gope-Fenepej é a esperança de gols da Nova Caledônia

Gope-Fenepej é a esperança de gols da Nova Caledônia


No último amistoso antes da partida decisiva, ainda sem parte dos jogadores que atuarão na sexta, Les Cagous empataram com sua seleção sub-20 em 2×2.

O técnico Alain Moizan convocou 18 jogadores para a partida, incluindo cinco que atuam fora do país. Além de Gope-Fenepej, atuam na França César Lolohea (joga pelo Stade Lavallois, da Liga 2) e outros três jogadores que atuam na CFA 2 (5ª divisão).

A lista de convocados de cada equipe é a seguinte:

Nova Zelândia: 1. Mark PASTON [G], 2. Winston REID, 3. Tony LOCHHEAD, 5. Tommy SMITH, 7. Leo BERTOS, 8. Michael McGLINCHEY, 9. Shane SMELTZ, 10. Chris KILLEN, 11. Marco ROJAS, 12. Glen MOSS [G], 13. Daniel KEAT, 14. Ian HOGG, 15. Ivan VICELICH, 16. Jeremy BROCKIE, 17. Kosta BARBAROUSES, 18. Tim PAYNE, 20. Chris WOOD, 22. Andrew DURANTE

Nova Caledônia: 1. Rocky NYIKEINE [G], 2. Judickael IXOEE, 3. Emile BEARUNE, 4. Georges BEARUNE, 5. Kalaje GNIPATE, 6. Olivier DOKUNENGO, 7. Dominique WACALIE, 8. Miguel KAYARA, 10. César LOLOHEA, 11. Bertrand KAI, 12. Roy KAYARA, 13. Noel KAUDRE, 14. Jean-Patrick WAKANUMUNE, 16. Iamel KABEU, 17. Joël WAKANUMUNE, 19. Georges GOPE-FENEPEJ, 20. Steeve IXOEE [G]

Dá para ver, pela lista de convocados, a diferença de nível existente entre os jogadores das duas equipes. Sobre a partida, porém, Moizan disse (tradução livre): “Nós o vencemos em Honiara porque colocamos pressão neles, e vamos fazer isso novamente”.

Ainda na quinta rodada, Taiti e Ilhas Salomão se enfrentam em Pirae, na briga pela terceira colocação no torneio. Devido a problemas financeiros e também pelo fato do jogo não valer muita coisa, apenas 13 jogadores das Ilhas Salomão viajaram para a partida.

Caso a Nova Caledônia vença a partida da próxima sexta feira, teremos, aqui na DPF, uma prévia especial da sexta rodada das eliminatórias.

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Sergio Rocha é torcedor do Madureira e sempre teve o sonho de escrever sobre esportes em geral, embora tenha optado pela carreira de engenheiro civil. No "currículo", cadernos recheados de resultados esportivos e agendas da década de 90, quando antes da internet acessava rádios de diversos locais do país buscando os resultados esportivos do Acre à Costa Rica. Além de fanático por futebol, é fanático por praticamente todos os esportes, e no tempo livre que sobra sempre busca os últimos resultados esportivos do PGA Tour ou dos futures da ATP. Além disso, coleciona quadrinhos da Disney e é louco por astronomia.