Futebol Arte Marcial – Lugano

  • por Bráulio Silva
  • 5 Anos atrás

Futebol Arte Marcial apresenta – As luganadas do Lugano.

Quando imaginamos a passagem de Lugano pelo São Paulo FC, a primeira imagem que vem à mente é um carrinho que ele deu em Marcelo Sallas, do River Plate, na semifinal da Libertadores de 2005. O narrador Cleber Machado se surpreendeu e, na transmissão, mandou um “Ô loco, Lugano!”. Quem estava no estádio já esperava pelo cartão vermelho, que, para sorte dos são-paulinos, não veio. Ali, o zagueiro já era um dos ídolos da torcida. Sua camisa, a de número 5, era a mais vendida nas lojas, superando a do goleiro Rogério Ceni.



Lugano chegou ao São Paulo em 2003 como um mero desconhecido. Formado no Nacional e empresariado por Juan Figger, desembarcou no Morumbi através de fitas de vídeo. O ex-presidente Marcelo Portugal Gouveia foi quem bancou o jogador, dizendo que seria “o jogador do presidente”.

Com o treinador Oswaldo de Oliveira, Lugano sequer entrava em campo. Viu em seu começo a trágica zaga formada por Jean e Júlio Santos. Viu, inclusive, o lateral Gustavo Nery improvisado de zagueiro. A sorte do uruguaio mudou quando Oswaldo foi demitido e o interino Rojas assumiu.

Jogando firme e na “bula”, Lugano, ainda em 2003, assumiu a titularidade do tricolor. Ao lado de Jean, a zaga sofreu poucos gols no segundo semestre. Em 2004, com a chegada de Cuca e dos zagueiros Fabão e Rodrigo, o uruguaio voltou ao banco de reservas. Até que o time passou a jogar com três zagueiros.

E em um jogo contra o Santos, a admiração da torcida virou idolatria. Já com Émerson Leão como treinador, em confronto válido pela Copa Sul-americana, o Santos atuava com os reservas e o São Paulo com força máxima. No jogo de ida, vitória santista por 1×0. Na volta, o jogo foi mais pegado que o normal. Entradas ríspidas e lances de força brutal, com expulsões dos dois lados. No fim, o Santos ficou com a vaga. Após o jogo, jogadores do Santos foram aos microfones da imprensa e reclamaram da violência do zagueiro. Quem mais contestou foi o meia Elano.



No dia seguinte, a imprensa caiu em cima. Não era a primeira vez que isso ocorria. Em 2003, durante uma partida válida pelo Brasileirão, o treinador do Atlético-PR, Mário Sergio, disse que era um absurdo um jogador como Lugano estar nos gramados brasileiros. Chamou o atleta de “vagabundo” e disse que não merecia ter o visto renovado para trabalhar no Brasil. O lance que causou a revolta do técnico foi uma disputa de bola em que Lugano acertou uma cotovelada em Igor, do CAP. Em defesa do são-paulino, muitos acusaram o técnico de xenofobia. Dias depois, Mário Sérgio pediu desculpas publicamente.

Voltando ao ano de 2004, depois de toda a polêmica, São Paulo e Santos se enfrentariam novamente, agora pelo Brasileirão. Com o apelo da diretoria, a torcida do SPFC lotou o estádio. Antes do jogo começar, toda a arquibancada gritou em uníssono: “Lugano, quebra o Elano”. Dentro de campo, Elano fugiu de todas as divididas. Pediu pra sair no intervalo e o tricolor venceu por 1×0.

Em 2005, na primeira partida de Tevez contra o São Paulo, outra “chegadinha” de leve. Uma entrada por cima da bola que virou meme entre os são-paulinos. Ainda em 2005, mas pela Libertadores, teve o lance que iniciou a coluna. O carrinho por trás era passível de expulsão, mas o juiz aplicou apenas o amarelo no defensor. No fim do ano, ainda aconteceu o carrinho em Gerrard, providencial ao matar um contra-ataque do Liverpool.

Em 2006, ninguém irritou mais o São Paulo que o atacante “Bofo” Bautista, jogador do Chivas Guadalajara. Na fase de grupos, duas vitórias dos mexicanos. Nas semifinais, um carrinho visando apenas o tornozelo do atacante. Bautista simplesmente sumiu do confronto, garantindo o tricolor na final.


Depois do São Paulo, Lugano experimentou a idolatria na Turquia. E, claro, algumas confusões. Defendendo o Fenerbahçe, o zagueiro se envolveu em algumas brigas em campo. A principal delas foi com Emre, do Galatasaray, quando o uruguaio pegou o turco pelo pescoço! Ambos foram expulsos.

Outro lance famoso foi quando ele deu um pisão no pé do jogador Wagner, que hoje está no Fluminense. Na ocasião, ele foi punido com um jogo de suspensão.



Lugano também aprontou pela seleção Uruguaia, da qual hoje é capitão. O mais surpreendente foi ele ter ganho o troféu Fair Play na Copa América de 2011. Logo ele, um dos representantes do Futebol Arte Marcial. Nas palavras de Sebastian “Loco” Abreu, foi como entregar o Nobel da Paz para Osama Bin Laden.

Gostou de nossa homenagem ao zagueiro? Quem vocês indicam para uma próximo texto? Opinem, comentem!

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.