Galeano, raça e paixão alviverde

Grande ídolo da torcida palmeirense acerta sua ida para o Azulão. Ex-jogador será auxiliar técnico no time do ABC.

Ex-volante e zagueiro se tornou um dos maiores símbolos de raça do clube alviverde nos anos 1990 | Foto: Reprodução

Ex-volante e zagueiro se tornou um dos maiores símbolos de raça do clube alviverde nos anos 1990 | Foto: Reprodução

Olha, são poucos os que conseguem se destacar em um time atuando na retaguarda, e ainda mais no Palmeiras. Mas nem precisa de exageros, pois a época vivida por este grande jogador foi cercada por muitos títulos e aplausos da torcida que canta e vibra. Considerado uma das referências do clube pela sua garra, amor e devoção.

Falar de Galeano pode até ser fácil, mas viver o que ele passou, não. Ir do céu ao inferno e mesmo assim, no final das contas, consagrar-se como um dos atletas que mais vestiu o manto de Palestra Itália. Nesta semana, o ex-volante foi anunciado pela diretoria do São Caetano como o novo auxiliar técnico do time. E aproveitando a oportunidade, porque não falarmos do espírito guerreiro deste eterno alviverde?

Como tudo começou

Galeano durante partida pelo Palmeiras | Foto: Reprodução

Galeano durante partida pelo Palmeiras | Foto: Reprodução

Tudo iniciou no dia 28 de Março de 1972, em Ivaiporã, pequena cidade paranaense. Com apenas 17 anos, começava a trajetória de Marcos Aurélio Galeano no clube paulista defendendo-o em 1989. Na época, o então técnico e ex-goleiro da meta palestrina, Emerson Leão, resolveu lançar o garoto em um jogo contra o Fluminense.

Mas não era o bastante. Era preciso ganhar mais experiência. Então, Galeano foi emprestado para o Rio Branco, de Americana e o Juventude. Lá no clube de Caxias do Sul, ganhou seu primeiro título: A Série B de 1994, ano da parceria do clube gaúcho com a Parmalat. Na ocasião, o volante deixou o seu na vitória por 2 X 1 contra o Goiás no Alfredo Jaconi.

Depois da boa passagem no alviverde do Rio Grande, era a hora de voltar ao paulista. E que grande fase viveu Galeano. Parece que a sina da Parmalat ficou no atleta, que logo, pode celebrar outras importantes conquistas em sua carreira, como o Campeonato Paulista de 1996, ano do ataque de 102 gols na competição regional.

Festejou a Copa do Brasil e Mercosul em 1998 e a principal de todas, a tão sonhada Copa Libertadores da América de 1999. Ainda recheou seu currículo com o Torneio Rio-São Paulo e Copa dos Campeões em 2000.

Até este momento, Galeano era considerado por muitos o “Senhor Palmeiras”, o espírito de luta e dedicação sempre mostrados em todos os jogos disputados pelo Verdão. Só que nem tudo foi um mar de rosas ao grande ídolo da nação palmeirense.

A saída para o Botafogo, em 2002, após mais de 13 anos honrando as vestes do Palestra Itália em 474 partidas disputadas, com apenas 10 gols feitos. A decisão foi devido a reformulações propostas pelo comandante Vanderlei Luxemburgo.

Do céu ao inferno no Botafogo

Jogador sofreu altos e baixos no Botafogo | Foto: Globo.com

Jogador sofreu altos e baixos no Botafogo | Foto: Globo.com

Águas passadas, no Fogão, teve o status de capitão consolidados, além de ter sido um dos batedores oficiais de pênaltis. Só que o destino, mais tarde, lhe pregaria uma surpresa. Campeonato Brasileiro, partida entre Botafogo e Palmeiras, o placar apontava vitória alviverde por 2 a 1, quando aconteceu uma penalidade a favor dos cariocas. E quem vai à cobrança? Um momento de reflexão para o volante que marcou sua história no time verde e branco.

Tudo pronto, o árbitro do Distrito Federal, Luciano Augusto de Almeida autoriza. Galeano bate no canto direito, e erra, para delírio da torcida que lotou o Parque Antártica naquele dia 30 de Outubro de 2002, uma quarta-feira à noite. Triunfo palmeirense, festa para o volante que defendia as cores do alvinegro na ocasião. Realmente, o jogador sentiu um contraste de emoções naquele instante.

Pressionado pelas críticas quanto a sua postura profissional diante do Palmeiras, o atleta teve de amargar a queda do Botafogo à Série B e ainda assistir o descenso do seu clube de coração, que também disputaria a divisão inferior no ano seguinte.

A vida continua

Galeano vestindo a camisa do Figueirense | Foto: Reprodução

Galeano vestindo a camisa do Figueirense | Foto: Reprodução

Depois de todos esses acontecimentos, não restara a Galeano mais nada a fazer no clube da estrela solitária. Resolve então mudar de ares, encarar um desafio asiático. Em 2003, defendeu o Gamba Osaka, do Japão. No mesmo ano, passou pelo turco Ankaragucu.

Em 2004, iniciou um verdadeiro “tour” pelo Brasil, com passagens pelo Bahia, onde inclusive anotou um gol de bicicleta na final do Campeonato Baiano contra o Vitória, e Figueirense. Em 2005, atuou pela Ponte Preta como zagueiro e capitão da Macaca. Foi para o Fortaleza e Goiás em 2006. Já próximo do fim da carreira, passou pelo Santo André e Joinville, e em 2008, participou dos elencos de Sertãozinho e Ituano, seu último clube, onde foi anunciado como dirigente após sua aposentadoria dos gramados no dia 2 de Dezembro.

 

Novo retorno ao Palmeiras

E como todo bom filho, a casa torna, Galeano aceitou o desafio de ser o Supervisor de Futebol do Clube, em Abril de 2010, ano em que regressava também o técnico campeão da Libertadores de 1999 e pentacampeão com a Seleção Brasileira em 2002, Luiz Felipe Scolari. Seu objetivo era procurar novos jogadores para o plantel profissional e avaliar as condições técnicas da equipe.

Devido à fase pífia em que a equipe alviverde passava, com inúmeras derrotas no Campeonato Brasileiro, no dia 15 de Setembro de 2012, em solidariedade à Felipão, o ex-volante abandonava pela segunda vez o clube que tanto amou e onde dedicou parte de sua vida profissional. Sofreu escoriações por conta da ira dos torcedores, que não estavam gostando de ver a péssima fase que o Palmeiras vivia no torneio nacional.

O polivalente volante em jogos frenéticos contra o rival Corinthians pela Libertadores | Foto: Reprodução

O polivalente volante em jogos frenéticos contra o rival Corinthians pela Libertadores | Foto: Reprodução

Galeano fez parte do elenco palmeirense vice-campeão da Libertadores de 2000 | Foto: Reprodução

Galeano fez parte do elenco palmeirense vice-campeão da Libertadores de 2000 | Foto: Reprodução

Ao lado de Felipão, atuou como Supervisor de Futebol do Palmeiras | Foto: Globo.com

Ao lado de Felipão, atuou como Supervisor de Futebol do Palmeiras | Foto: Globo.com

A volta por cima

Agora, Galeano recebeu e aceitou a proposta fornecida pelo São Caetano para ser auxiliar técnico da equipe profissional comandada pelo técnico Aílton Silva, que pediu a contratação do ex-jogador. Os trabalhos já foram iniciados nesta última quinta feira (21), passando instruções ao treinador durante a vitória do Azulão por 3 X 0 sobre o Ituano, no Paulistão.

Uma polêmica ainda está envolvendo o jogador. Enquanto trabalhava na comissão técnica do Palmeiras, o ex-jogador foi acusado pelo também ídolo do clube Edmundo de possuir uma espécie de esquema para facilitar a ida de jogadores com direitos ligados ao time do ABC e ao empresário Magrão, genro do presidente Nairo Ferreira de Souza. Até o momento, as denúncias nunca foram provadas, mas o antigo guerreiro do Verdão chegou a ser processado pelos envolvidos no caso.

Aos 41 anos, Galeano viveu grandes experiências, marcou poucos gols, é verdade, mas participou de grandes conquistas e de momentos de muitas alegrias e tristezas. Sem dúvida, é uma peça rara e dificilmente encontrada no meio futebolístico.

São poucos os jogadores que se destacaram doando-se quase ou todo por inteiro a um clube. São estes que nos fazem relembrar dos tempos gloriosos e de grande brilho, como na década de 1990, repleta de títulos pelos lados do Palestra Itália.

Galeano em seus melhores momentos com as vestes palmeirenses | Foto: Reprodução

Galeano em seus melhores momentos com as vestes palmeirenses | Foto: Reprodução

Realmente, um atleta com estas mesmas características faz falta a qualquer equipe do Brasil e do mundo. E a ele, damos todos os nossos votos de agradecimento e carinho, o mesmo que teve com a camisa palmeirense. Obrigado, Galeano. Seja cada vez mais feliz no futebol.

Comentários

Jornalista formado pela Universidade Paulista - Unip em 2012, é torcedor doente pelo Palmeiras e amante do bom futebol. Foi estagiário da produção do Domingo Espetacular, da Rede Record. Em um de seus trabalhos acadêmicos, realizou um documentário sobre o Nacional Atlético Clube intitulado "O Futebol Nacional", publicado no YouTube, com o intuito de relatar a falta de estrutura no clube e de visibilidade na mídia esportiva.