Maurine, a guerreira do futebol

Maurine treinando com o time feminino do Santos | Foto: Lancenet

Maurine treinando com o time feminino do Santos | Foto: Lancenet

Apesar do ligeiro atraso em relação ao dia das mulheres, esta é a nossa homenagem a uma heroína do mundo da bola: Maurine Dorneles Gonçalves, a bela lateral gaúcha que se destacou no Santos e na seleção verde e amarela.

O futebol feminino nacional conta com uma geração vitoriosa composta por grandes nomes como Marta, Formiga e Cristiane. Elas são pioneiras do nosso “soccer” feminino e, apesar do preconceito que sofreram, aos poucos, ajudaram o povo brasileiro a se acostumar com a modalidade.

Maurine, em especial, deixou as adversidades de lado e rumou em busca de novas conquistas. Desde os sete anos, a redonda era a sua melhor companhia. A menina que jogava com os amigos na rua e sonhava com grandes feitos, aos 15 anos já estreava no time adulto do Grêmio.

Aos poucos, conseguiu mostrar todo seu talento dentro das quatro linhas. Conquistou o público não apenas por seus atributos físicos, mas pela garra e determinação que predominam em sua personalidade.

Com Maurine em campo, Brasil derrotou Dinamarca no Pacaembu e avançou para a decisão do Torneio Cidade de São Paulo de  2012 | Foto: Uol

Com Maurine em campo, Brasil derrotou Dinamarca no Pacaembu e avançou para a decisão do Torneio Cidade de São Paulo de 2012 | Foto: Uol

Maurine participou das Copas do Mundo sub-20 de 2002, 2004 e 2006, quando ao equipe ficou com o terceiro lugar. No ano de 2008, nas Olimpíadas de Pequim, a lateral participou da vitória brasileira contra a Nigéria por 3×1, ainda na fase de grupos do torneio.

A atleta foi ganhando destaque na mídia esportiva à medida que o futebol feminino caía no gosto da nação. Aproveitando toda essa onda, a diretoria da Vila Belmiro resolveu reunir um elenco feminino fortificado.

Atletas da seleção fizeram a festa da torcida santista durante suas estadias no clube da Baixada | Foto: Reprodução

Atletas da seleção fizeram a festa da torcida santista durante suas estadias no clube da Baixada | Foto: Reprodução

Vieram Marta, que já vinha sendo eleita a melhor do mundo pela Fifa, Cristiane e a goleira Andréia Suntaque. E, neste meio de estrelas, a de Maurine brilhou. Em 2008 e 2009, as “Meninas da Vila” levantaram o caneco da Copa do Brasil de Futebol Feminino e a Copa Libertadores da América de Futebol Feminino em 2009 e 2010.

Em 2011, Maurine passou pelo Western New York Flash, dos Estados Unidos, onde teve a companhia de Marta. Lá, as brasileiras se sagraram campeãs da Liga Norte-Americana WPS.

A morte do pai

Maurine consola Débinha, que perdeu pênalti diante do Canadá, na final do Pan 2011 | Foto: Terra

Maurine consola Débinha, que perdeu pênalti diante do Canadá, na final do Pan 2011 | Foto: Terra

Um fato impressionante sobre a trajetória de Maurine envolve a perda de seu pai, Assis Brasil Dorneles Gonçalves, às vésperas do início dos Jogos de Guadalajara, em 2011. Na época, a comissão técnica da seleção feminina permitiu que a atleta voltasse ao Brasil, mas ela se recusou e preferiu continuar em busca da medalha de ouro, como forma de homenagear o pai falecido. O COB (Comitê Olímpico Brasileiro), solidário ao ocorrido, forneceu a Maurine uma passagem de volta e auxílio psicológico caso mudasse de ideia, mas a grande perda não a abalou.

Maurine também demonstrou sua força de caráter na final do Pan de 2011. Na derrota nos pênaltis pelo Canadá, após empate no tempo regulamentar, a jogadora fez questão de consolar Debinha, autora da cobrança desperdiçada.

O ensaio fotográfico

E não foi só no campo que a bela jogadora se destacou. No ano passado, às vésperas da final da Copa do Brasil feminina, Maurine posou para um ensaio sensual. Apesar de inicialmente hesitante, a lateral se sentiu à vontade no ensaio. Fotos nuas, no entanto, foram descartadas – ela prefere focar na sua carreira como atleta.

Foto da atleta em ensaio sensual | Foto: Reprodução

Foto da atleta em ensaio sensual | Foto: Reprodução

“Não me incomoda, não (o ensaio). É até bom que eles olhem de outra maneira. Antigamente, tinha aquela coisa de preconceito com as jogadoras. Hoje em dia, os olhos dos torcedores mudaram com relação ao futebol.”

Mulheres como Maurine nos fazem sentir cada vez mais orgulhosos, pois, através do futebol, rompem barreiras e destroem preconceitos e opiniões adversas.

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Jornalista formado pela Universidade Paulista - Unip em 2012, é torcedor doente pelo Palmeiras e amante do bom futebol. Foi estagiário da produção do Domingo Espetacular, da Rede Record. Em um de seus trabalhos acadêmicos, realizou um documentário sobre o Nacional Atlético Clube intitulado "O Futebol Nacional", publicado no YouTube, com o intuito de relatar a falta de estrutura no clube e de visibilidade na mídia esportiva.