Novo Castelão – As impressões de um torcedor

  • por Tiago Lima Domingos
  • 8 Anos atrás

checha

Escreveu para o site, Gabriel Neto.

O Estádio Plácido Castelo, inaugurado em 1973, sempre foi um símbolo do futebol cearense. Lá, Ceará e Fortaleza protagonizaram clássicos e jogos emocionantes contra clubes do estado, do Brasil e até mesmo do exterior.

Para a Copa de 2014, a cidade foi escolhida como subsede e o estádio completamente reformado. É importante lembrar que o Castelão fora reformado apenas 10 anos antes, com inauguração em 2002. Duas obras pagas com dinheiro público em curto espaço de tempo.

Acompanhe a evolução das obras no estádio:

No dia 03 de março, o Ceará jogou em casa contra o Asa de Arapiraca, de Alagoas. O clube alvinegro vinha de grande triunfo contra o Vitória em terras baianas, por 4×1 e havia se classificado com louvor às semifinais da Copa do Nordeste.

Para o jogo de domingo passado, esperava-se casa cheia. Hoje, o estádio conta com 67.307 lugares. O público total foi de 52.207 pessoas, com renda de R$ 1.266.417,00. O dinheiro arrecadado é o maior da história de um jogo de futebol realizado no estado do Ceará, um recorde absoluto.

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Foto: Repdrodução – O Novo Castelão. No entorno do estádio, muitos problemas

“Chegando ao estádio, reparei primeiramente no entorno. Parece abandonado pelo governo do estado e prefeitura. Ruas mal cuidadas, muitos bloqueios devido a obras inacabadas para a Copa das Confederações e Copa do mundo, o que dificulta (muito) o trânsito nas proximidades do estádio. A mobilidade é muito ruim e não me parece que, a 100 dias da Copa das Confederações, isso possa ser resolvido a tempo” – Gabriel Neto

No mais, a polícia orientava os torcedores que iriam de carro para que chegassem cedo, antes das 15:00 (o jogo começaria somente às seis e meia da tarde). Fomos alguns dos primeiros a colocar o carro no estacionamento, tarefa que se mostraria mais tarde a grande dor de cabeça para a maioria dos torcedores.

Os ambulantes continuam trabalhando livremente nas proximidades do Castelão, embora, para a Copa do Mundo, exista a perspectiva de que se proíba o comércio em um raio de pelo menos 2 km do estádio. A proibição valeu na África do Sul em 2010 e provavelmente será cumprida à risca no Brasil, ferindo, mais uma vez, a soberania do Estado brasileiro, que tem se submetido às regras da FIFA.

O parque ao redor do estádio é imenso e facilita muito a entrada dos torcedores. São inúmeros portões para as entradas superior e inferior do estádio. Meus amigos e eu fomos para as cadeiras inferiores, mais próximas ao campo e que possibilitam uma visão privilegiada do gramado. A torcida alvinegra entrou de forma tranquila e civilizada, desde mais de três horas antes do jogo. As cadeiras foram pintadas em cor verde, provavelmente para evitar confusão com as torcidas de Ceará e Fortaleza, que usam preto e branco e vermelho e azul como cores, respectivamente.

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Foto: Reprodução – O antigo Castelão. As cadeiras eram mais distantes do gramado.

Outra grata surpresa foram os dois telões instalados no alto do estádio. Para distrair a torcida antes da partida, os painéis exibiram o jogo entre Campinense-PB x Fortaleza. Para delírio da torcida do Ceará, o clube paraibano abriu o placar logo no início do jogo e, com isso, o tricolor cearense foi eliminado.
O estádio conta com uma área vip, onde os ingressos são mais caros. Era a única área vazia do Castelão. Os ingressos “normais” custavam 30 reais; na área vip, chegavam a R$ 120.

Dentro do estádio, a comida é bastante cara. Um salgado normal custa R$ 6,00 e um refrigerante, R$ 4,00. Grande parte da torcida (nesse jogo e em outros) reclamou dos preços, mas até agora nada foi feito para conter as taxas aplicadas.
Para os jogos à tarde, o estádio conta com uma cobertura vistosa, que cobre todo o espaço preenchido pelas cadeiras. O sol ainda bate no gramado, mas às 16:20 praticamente já havia cessado, o que, além de aliviar a sensação de calor, melhora a visão do campo.

As cadeiras são confortáveis, com vista bastante razoável e sem maiores aborrecimentos. O jogo foi bom, com o Ceará perdendo por 1×0, gol de Léo Gamalho, atacante do Asa, de cabeça, após escanteio. A torcida alvinegra, mais uma vez, deu show e não quebrou sequer uma cadeira do estádio.

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Foto: Gabriel Neto – Visão das cadeiras inferiores do estádio

No fim do jogo o Castelão mostrou seu grande defeito: o estacionamento. Primeiramente, a organização do jogo Ceará x Asa não designou absolutamente nenhuma pessoa para ajudar os motoristas a saírem do estádio após a partida. Segundo, existem áreas onde é preciso efetuar retorno para o acesso às saídas; no entanto, para conseguir efetuar a manobra é necessário que outra fila de carros pare e permita que o carro próximo à área de retorno o faça. Em dia de jogo lotado pode-se levar até 1 hora e meia (ou até mais) para sair do Castelão. Um verdadeiro desrespeito ao torcedor que pagou 30 reais pelo ingresso e mais 10 pelo estacionamento.

Fazendo um balanço, o estádio é sim espetacular, mas pensou-se muito no espetáculo e esqueceu-se da mobilidade em suas proximidades. É realmente um palco digno de grandes jogos e sem dúvida alguma pode ser usada para outros eventos, como o show de Paul McCartney marcado para o próximo dia 15 de abril.
Tomara que o mesmo não seja descuidado e destruído em pouco tempo, exigindo, mais uma vez, uma reforma com menos de 10 anos de hiato.

Conheça todos os detalhes do novo estádio, palco da Copa do Mundo de 2014:

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Carioca e rubro-negro. Do Rio de Janeiro a Milão. Doente por futebol, é claro. E apaixonado pelo Calcio.