O feijão com arroz de Luxemburgo

  • por joao_vitor
  • 8 Anos atrás

Durante a década de 90 e o início dos anos 2000, Vanderlei Luxemburgo montou verdadeiros esquadrões e empilhou taças. Famoso por armar suas equipes no básico 4-4-2, seus times venciam e convenciam. Como consequência de tantos bons trabalhos, Luxa chegou à seleção e comandou o galáctico Real Madrid. Porém, o tempo passou, problemas pessoais surgiram, o futebol evoluiu e Luxemburgo deu uma estagnada na carreira. O inferno astral veio após a demissão no Atlético Mineiro, quando deixou a equipe mineira na zona de rebaixamento, no Brasileirão de 2010. A última conquista significativa foi o título brasileiro de 2004.

Mesmo com tantos trabalhos contestados, Luxemburgo nunca perdeu a grife. Sempre especulado nos grandes clubes, o treinador mantém o alto nível salarial dos áureos tempos. Hoje, no Grêmio, Luxa busca um título de expressão que já não vem há muito tempo tanto para o clube gaúcho quanto para o próprio técnico. Pensando nisso, montou um time com a sua cara: muita grife, muito jogador cascudo e de confiança. Dida, Cris, André Santos, Vargas e Barcos são alguns nomes que chegaram e se juntaram a figuras como Elano e Zé Roberto.

Apesar da decepcionante derrota em casa para o Huachipato, onde a maioria dos contratados estreou, o Grêmio deu a volta por cima contra o Fluminense. Os 3×0 em pleno Engenhão, contra o atual campeão brasileiro, segurou um já contestado Luxemburgo no cargo e deu tranquilidade para o seguimento do projeto. A confirmação da boa fase veio após uma convincente goleada sobre o Caracas, na Arena do Grêmio, por 4×1.

Nos tempos de 4-2-3-1, Luxemburgo rema contra a maré e escala seu Grêmio atual no tradicional 4-4-2, esquema visto por muitos como obsoleto, mas que conta com a simpatia do treinador. Fernando e Souza fazem uma linha de dois volantes à frente da zaga, Elano pela direita e Zé Roberto pela esquerda municiam os atacantes Vargas e Barcos. Não tem mistério. Cada um com sua função, sem grandes improvisações mirabolantes. Souza, por ser um volante com uma boa qualidade no passe e uma boa chegada à frente, avança quando pode, mas sem expor o setor defensivo. Vargas, no máximo, ajuda a morder a saída de bola, sem ter a obrigação de correr o tempo todo atrás do lateral adversário. Atuando lado a lado com Barcos, o chileno garante a consistência ofensiva do time gremista. Ao contrário do que acontece com muitas equipes que atuam no moderno 4-2-3-1, onde o centroavante, por vezes, fica isolado, o Pirata conta o tempo todo com a companhia de Vargas.

Com o velho Luxemburgo é assim: cada um no seu quadrado. Volante é volante, meia é meia e atacante é atacante. Seguindo antigos métodos vencedores, mas sem descuidar do dinamismo que o futebol moderno pede, o consagrado treinador mostra que o equilíbrio entre o velho e o novo pode ser um bom caminho.

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