O futuro do Corinthians

  • por Doentes por Futebol
  • 8 Anos atrás

Pato r Romarinho

Por Anderson Canale Garcia

O Corinthians campeão mundial em dezembro de 2012 era, para muitos, um time envelhecido. Alessandro (33), Chicão (31), Danilo (33), Douglas (30), Emerson (34) e Jorge Henrique (30) formavam o grupo de trintões da equipe. E até o meio do ano, quase todos somarão mais um ano de vida (apenas Sheik aniversaria no segundo semestre).

Mas o clube não dormiu no ponto e já tem renovação encaminhada no próprio elenco para todas essas peças. Algumas já em andamento, como é o caso de Emerson Sheik, o mais velho do grupo. O herói da Libertadores em 2012 parece ter sucumbido – à idade ou à própria glória, mas essa é outra discussão – e desde o segundo semestre do ano passado caiu de rendimento. À época, sua sombra parecia ser o ótimo Martínez. Porém, como o argentino não teve paciência de esperar sua vez e fez as malas, quem herdou a vaga de Sheik foi Pato – que a princípio brigaria por vaga com o cada vez mais intocável peruano Guerrero.

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Paciência é o que sobra em Edenílson. O gaúcho, que se destaca no Timão desde 2011 e que sempre encontrou concorrência “desleal” no meio campo, firmou-se na lateral direita em 2013, por opção de Tite, graças a seu ótimo rendimento pelo setor, principalmente no início de 2012. Por lá, poderá atuar com muito mais frequência devido às constantes ausências de Alessandro e com a cada vez mais próxima aposentadoria do titular (Alessandro garante que pendura as chuteiras em dezembro). Edenílson sabe que herdará a vaga naturalmente.

Para a zaga, a diretoria corintiana fez péssimo negócio, vendendo o jovem e promissor Marquinhos para a Roma. Neste ano, foi buscar Gil (25) na França. A ideia era, na verdade, repor ainda a saída de Leandro Castán. Porém, com suas boas atuações e com os titulares Chicão e Paulo André (29) frequentes no departamento médico, o zagueiro ex-Valenciennes estará sempre entre os titulares. O clube ainda procura um outro zagueiro. Tentou Dedé, em quem promete nova investida no meio do ano. Mas parece, por enquanto, um sonho distante para a Fiel.

O incansável Jorge Henrique não dá sinais de que vem sofrendo com falta de fôlego. Em compensação, os problemas musculares estão cada vez mais recorrentes. Quem mais tem se aproximado de cumprir sua importante função tática é Romarinho (22). Rápido e mais habilidoso, o jovem “iluminado” vem sendo treinado por Tite a voltar acompanhando o lateral adversário, embora siga apresentando características muito mais ofensivas que Jorge Henrique.

Outro que pode atuar pelas pontas, colaborando na marcação, é Renato Augusto. Quando contratado, Tite pensava em usá-lo na função que o Alex fazia até o meio do ano passado, podendo jogar nas duas pontas ou centralizado. O que o coloca como substituto de Jorge Henrique, Douglas ou Danilo, atuando ao lado de um deles, ou de Romarinho, ou de quem mais possa surgir.

E não apenas para os envelhecidos o Corinthians projeta renovação. Sabendo da provável saída de Paulinho no meio do ano, o clube já tem para a posição um substituto de ótimo nível (Guilherme), repetindo a estratégia bem sucedida da vinda do próprio Paulinho, que esperou sua vez até a saída de Elias.

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Assim, projetando as renovações antes das necessidades baterem à porta, a diretoria alvinegra mostra ter amadurecido. Em 2009, o próprio Mario Gobbi, hoje presidente e na época diretor de futebol, comandou a mais desastrosa troca de peças dessa nova era do clube. Abriu mão de três jogadores fundamentais para o esquema do time campeão da Copa do Brasil – e promissor candidato à Libertadores no ano do centenário – trazendo as reposições apenas em janeiro do ano seguinte. E ainda trouxe peças “envelhecidas”, que não se encaixaram prontamente.

A principal vantagem de uma renovação gradual e planejada é essa. Imprevistos sempre podem acontecer: contusões, quedas de rendimento, jogadores negociados. Mas quando há planejamento e pronta reposição, mesmo que seja necessária uma peça externa, o time se encaixa com muito mais facilidade. A equipe se mantém estruturada, mesmo que mude.

O Corinthians já tem sua cara. Com a renovação encaminhada, mesmo que alguns se aposentem e outros sejam negociados, o clube já tem o esboço de um bom time pronto. Não apenas para 2014, mas para os próximos dois ou três anos.

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