O mágico da Catalunha

  • por Victor Mendes Xavier
  • 8 Anos atrás

Junho de 2003. Com 52% do votos, Joan Laporta foi eleito o novo presidente do Barcelona, que passava por um grave período de crise. Dentro de campo, o clube vinha de péssima temporada, não terminou entre os quatro primeiros da Liga Espanhola e ficou fora da Uefa Champions League da temporada 2003-2004. Uma das promessas de Laporta em seu programa de candidatura foi a contratação de David Beckham. No entanto, o Real Madrid venceu a guerra e conseguiu levar o inglês a Chamartín. O que os torcedores culés não imaginavam é que o plano B acabaria se tornando um dos maiores jogadores do clube: Ronaldinho Gaúcho, principal responsável pelo ressurgimento do time como um gigante europeu. Por 30 milhões de euros, o PSG confirmou a venda do craque ao Barça em meados de junho.

Nenhum outro torcedor viu um Ronaldinho tão devastador. Em entrevista ao Jornal Nacional, na época, o gaúcho disse ter assinado com o Barcelona em vez do Manchester United por causa de sua amizade com Sandro Rosell, ex-executivo da Nike no Brasil e vice-presidente dos culés. Ele não demorou a assumir com maestria o cargo de ídolo do Camp Nou. Assim como Romário, Ronaldo e Rivaldo, R10 foi mais um craque brasileiro a brilhar na Catalunha.

Ronaldinho, Barça x Milan

Foi com Ronaldinho de protagonista que os blaugranas voltaram a vencer um título espanhol após seis anos, já com a companhia de Eto’o e Deco. Mas foi em 2005-2006 que o brasileiro viveu seu melhor momento na carreira. Primeiro, ao humilhar o Real Madrid e ser aplaudido de pé pelos torcedores merengues presentes em pleno Bernabéu, como Maradona e Cruyff haviam sido anos antes. Segundo, ao novamente ser o protagonista do segundo título espanhol consecutivo do Barça. Terceiro, ao levar o time ao segundo título da Champions League, competição que não vencia havia 13 anos. Com sete gols e quatro assistências, Ronnie, como costumava ser chamado pelos culés, foi eleito o melhor jogador da competição. Já não havia mais dúvida de que ele era um dos principais jogadores da história do clube catalão.

Ronaldinho

No entanto, após uma temporada sem títulos importantes em 2006/2007, mas positiva no aspecto individual, o brasileiro começou a cair substancialmente de rendimento e perder para o extracampo. Notícias de que ele vivia em noitadas Espanha afora tornaram-se maiores e a moral dele com a diretoria diminuiu. Além disso, Lionel Messi a cada jogo deixava de ser promessa para virar um craque capaz de substituir R10. Após mais um fracasso, a diretoria barcelonista resolveu demitir o treinador Frank Rijkaard e apostar em Josep Guardiola. O catalão, por sua vez, resolveu não contar com o brasileiro em seu projeto e, por 25 milhões de euros, ele se tornaria o novo jogador do Milan em junho de 2008.

Mesmo distante, Dinho nunca saiu da cabeça dos culés. Nos primeiros jogos sem o ex-camisa 10, era possível notar vários cartazes de apoio ao redor do Camp Nou. A torcida azulgrená demonstrou todo o carinho ao ídolo em agosto de 2010. O amistoso Barcelona x Milan válido pelo Troféu Joan Gamper marcaria o retorno de Ronaldinho à Catalunha. O brasileiro foi ovacionado pelos torcedores e jogadores antes de rolar bola e, de presente, foi homenageado com um vídeo de seus melhores momentos no Barça, mostrado no telão do Camp Nou. Não bastasse, ele ainda ganhou de Puyol o troféu do torneio, vencido pelos catalães nos pênaltis. Não havia dúvidas de que ele sempre foi e sempre será um ídolo barcelonista.



Ronaldinho agraciou o Camp Nou com seu auge. Com dribles plásticos em quase todos os jogos, além da eficiência para marcar ou deixar o companheiro na cara do gol e levar o Barcelona aos principais títulos, ele muitas vezes foi comparado a Pelé durante sua passagem pelo futebol espanhol. Nos pés de R10, a bola era alegre. Ele a tratava com carinho, como um mágico. O mágico da Catalunha.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.