Os Vencedores da Bola de Ouro – Parte V

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 5 Anos atrás

Chegamos ao ano de 1972 na nossa série sobre a Bola de Ouro. Já falamos do período 1956-59, 1960-63, 1964-67  e 1968-71. Falaremos nessa edição dos vencedores em 1972/73/74/75. Vamos a eles!

1972



1º Beckenbauer – Bayern de Munique

Beckenbauer recebe a taça da Euro '72

Beckenbauer recebe a taça da Euro 1972 | Foto: reprodução

2º Netzer – Borussia Monchengladbach e Muller – Bayern de Munique


Em ano de Eurocopa, um feito inédito até então: 3 jogadores de um mesmo país ocuparam as três primeiras posições. E a diferença foi mínima entre eles: míseros dois pontos. Beckenbauer terminou com 81 pontos; Netzer e Muller, 79.

Foi realizada nessa temporada a Euro 1972, com as semifinais e finais disputadas em solo belga. Na primeira semifinal, a Bélgica enfrentou a Alemanha e perdeu por 2×1. Na segunda, a Hungria enfrentou a União Soviética e perdeu por 1×0. Na disputa pelo terceiro lugar, a Bélgica bateu a Hungria por 2×1 e a Alemanha bateu a União Soviética por 3×0. Beckenbauer, Netzer e Muller eram titulares absolutos da Alemanha. Muller fez 4 gols nos 2 jogos disputados, Beckenbauer foi o líder da defesa e Netzer foi o motor do meio campo. Os três estariam no grupo que levaria a Alemanha ao título da Copa do Mundo em 1974, embora Netzer tenha perdido espaço na equipe titular por conta da enorme rivalidade Bayern x Borussia Monchengladbach na primeira metade dos anos 70.

 

1973


1º Cruijff – Ajax – Barcelona

Cruijff em ação pelo Barcelona.

Cruijff em ação pelo Barcelona | Foto: reprodução

2º Dino Zoff – Juventus

3º Gerd Muller – Bayern de Munique


No ano do tricampeonato da Liga dos Campeões, conquistado pelo Ajax, Cruijff sobrou. Foi fundamental para a conquista do Eredivisie 1972/73 e da Liga dos Campeões. Se transferiu para o Barcelona pouco após o começo da 1973/74 (fez apenas 2 jogos pelo Ajax) e foi um dos principais responsáveis pelo título espanhol, que não era conquistado pelo clube da Catalunha desde 1959/60.

Dino Zoff, a lenda italiana, terminou em segundo lugar após brilhante temporada de estreia pela Juventus, quando disputou os 30 jogos da Serie A (sofrendo apenas 22 gols), sendo um dos responsáveis pela conquista do Scudetto. A Juve também chegou à final da Liga dos Campeões pela primeira vez na sua história.

Gerd Muller mais uma vez terminou entre os 3, a exemplo dos anos de 1969, 1970 e 1972. Der Bomber (linkar matéria do site) fez inacreditáveis 67 gols pelo Bayern na temporada 1972/73, sendo 36 na Bundesliga e 12 na Champions.

 

1974



1º Cruijff – Barcelona

Cruijff em ação na Copa do Mundo, em jogo contra a Argentina. O jogo terminou 4x0 para a Holanda.

Cruijff em ação na Copa do Mundo, em jogo contra a Argentina | Foto: reprodução


2º Beckenbauer – Bayern de Munique
3º Kazimierz Deyna – Legia Varsóvia

Copa do Mundo da Alemanha, 1974: o mundo via um novo jeito de jogar futebol, o chamado ”futebol total”. A Holanda de Cruijff encantou com apenas um gol sofrido em 6 jogos até a final. Acumulou 5 vitórias e um empate, tendo marcado 14 gols nesses 6 jogos. A equipe trucidou Uruguai, Brasil e Argentina no caminho para a final, tendo em Cruijff seu cérebro. O jogador holandês ainda foi o principal responsável pelo título espanhol da temporada.

Porém, na final da Copa do Mundo, Cruijff e seus companheiros foram superados por outra lenda dos gramados: Franz Beckenbauer. O alemão disputava sua terceira Copa do Mundo e era um dos pilares do Bayern de Munique, então campeão da Liga dos Campeões e tri campeão da Alemanha. Kaiser foi o capitão da Alemanha na Copa do Mundo disputada em casa.

Por último, o polonês Kazimierz Deyna, estrela da Polônia na Copa de 74 e um dos principais jogadores da competição. Anotou 3 gols na Copa do Mundo e foi o líder do fortíssimo meio campo da Polônia que terminou em terceiro no mundial.



1975

 


1º Blokhin – Dínamo de Kiev

Blokhin recebe a Bola de Ouro.

Blokhin recebe a Bola de Ouro | Foto: reprodução


2º Beckenbauer – Bayern de Munique
3º Cruijff – Barcelona

Depois de alguns anos sem grandes surpresas na escolha do vencedor, 1975 causou espanto. Com a maior votação até então (122 pontos de 130 possíveis, 20 de 26 votos no primeiro lugar), a premiação foi dada a Blokhin, artilheiro do Campeonato Soviético por 4 anos seguidos (72, 73, 74 e 75) e melhor jogador do país em 73, 74 e 75. Era uma lenda dos gramados e um dos principais jogadores da União Soviética que disputou as Copas de 1982 e 1986.

Em segundo, mais uma vez Beckenbauer, que liderou o Bayern rumo ao bi da Liga dos Campeões. Cruijf ficou em terceiro depois de temporada  ruim do Barça. O time não teve a menor chance de título espanhol.

Semana que vem, os anos de 1976/77/78/79 e o segundo bi campeonato da premiação. Até lá!

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.